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5.ª edição do Festival Ocupar a Velga celebra o encontro, a memória e a comunidade em Valezim (Seia)

De 3 a 8 de agosto, Valezim volta a ser palco de criação artística, reflexão e partilha em comunidade.

Um convite à celebração é a proposta do Festival Ocupar a Velga que atinge a sua 5.ª edição. Organizado pela Produção d’Fusão, o projeto ocupa Valezim, de 3 a 8 de agosto, com uma programação que parte da celebração e do encontro como gesto de resistência e de abrir espaço ao desconhecido.

“Num tempo marcado pela aceleração, pela fragmentação e pelo isolamento, reunir pessoas em torno de experiências artísticas continua a parecer-nos um ato profundamente relevante. Os temas que habitualmente atravessam o festival — comunidade, memória, identidade, território e participação — continuam presentes, mas surgem este ano numa abordagem mais leve e festiva. Há uma vontade de celebrar o caminho percorrido, os vínculos criados e a possibilidade de imaginar coletivamente o futuro”, referem os programadores Filipe Metelo, Patrícia Soares e Sandra Cardoso.

Durante seis dias, Valezim recebe espetáculos de teatro, dança, performance, cinema, oficinas, sessões de leitura, conversas e momentos de convívio, reunindo artistas e comunidade em torno de diferentes formas de pensar o lugar, as relações humanas e as paisagens que habitamos.

De acordo com os programadores do festival, “a diversidade de linguagens artísticas faz parte da identidade do evento e resulta da vontade de criar múltiplas portas de entrada para a experiência cultural”.

“Sabemos que diferentes pessoas se relacionam de formas distintas com a arte. Essa diversidade permite-nos chegar a públicos mais amplos e criar oportunidades de descoberta. Ao mesmo tempo, interessa-nos proporcionar experiências que incentivem a curiosidade. Essa possibilidade de cruzamento e descoberta é um dos aspetos que mais valorizamos. Valorizamos também bastante as atividades para um público mais jovem, porque serão eles o público de amanhã, e parece-nos fundamental que desde muito cedo tenham contacto com áreas criativas que ajudem ao seu desenvolvimento, não apenas criativo, mas enquanto ser ativo da comunidade”, explicam.

A programação arranca a 3 de agosto com a 6.ª edição do “MiniLab”, uma oficina de artes performativas orientada por Margarida Mestre, dirigida a crianças e jovens dos 6 aos 13 anos. Sob o mote “Em Valezim Plim! Acontece um lugar”, a oficina convida os participantes a olhar para a aldeia como matéria de construção e invenção, explorando histórias, ruas, casas, pessoas, árvores e fontes.

Entre 3 e 6 de agosto decorre também a recolha de histórias e memórias de Valezim para a criação artística “Novelga”, conduzida por Catarina Requeijo e Manuela Pedroso, num trabalho desenvolvido com a comunidade e integrado numa obra com estreia prevista para 2027.

A programação artística inclui teatro, com o espetáculo “Popular”, de Sara Inês Gigante, apresentado a 5 de agosto, uma criação que cruza autoficção, humor e reflexão sobre os conceitos de popularidade, cultura de massas e participação coletiva.

No dia 6 de agosto, o festival apresenta “Mulher Enciclopédia”, uma criação de Poliana Tuchia e Keli Freitas, um solo autobiográfico que atravessa memórias familiares, silêncio e resistência através do humor, da ironia e da desobediência.

A 7 de agosto, a encenadora Mónica Calle e o Coro das Mulheres da Fábrica estreiam “Descrição de uma paisagem”, uma performance-percurso inédita criada a convite do Ocupar a Velga. A encenadora e mais de 30 mulheres apresentam uma experiência coletiva que procura um lugar de comunhão, questionando o que nos une e como podemos encontrar formas de resistência através dos corpos, das vozes e da memória.

O cinema marca presença no dia 8 de agosto com uma sessão de curtas-metragens infantis, numa parceria com o Festival Play. No mesmo dia, e em jeito de encerramento do festival é a vez de “Também se matam cavalos”, de Francisco Thiago Cavalcanti & Um cavalo disse mamãe, uma criação que explora a liberdade, a resistência e os limites entre loucura e imaginação.

Além dos espetáculos, o festival promove momentos de reflexão e participação comunitária, nomeadamente com uma tertúlia dedicada à biodiversidade da Serra da Estrela, em parceria com o CERVAS – Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens e uma sessão de leitura com Maria Beatriz Seabra.

A 5.ª edição do Ocupar a Velga termina em clima de festa com Mike El Nite, DJ, host e entertainer, num baile que transforma a música num espaço de encontro e celebração coletiva. Conhecido pela sua seleção musical eclética e pela capacidade de criar ligação com o público, Mike El Nite apresenta um set marcado por remixes energéticos e dançáveis, cruzando grandes clássicos românticos, repertório popular português e os grandes êxitos pop do momento.

O Ocupar a Velga regressa assim a Valezim para celebrar o poder dos encontros, das histórias partilhadas e das comunidades que continuam a criar espaço para imaginar outros futuros.

OCUPAR A VELGA

Na tradição oral, a Velga é o nome dado aos campos nas encostas da serra da Estrela onde se cultivava batata, milho e centeio. Inspirado no próprio território e na vontade de o ocupar e de o aproximar das artes performativas, nasceu o Festival Ocupar a Velga. Contrariando assim a ideia de que a oferta cultural de qualidade está reservada aos grandes centros urbanos e “levando programação artística contemporânea a um contexto rural e ao espaço público, onde o encontro acontece de forma mais espontânea e acessível”.

“Fazemo-lo através da apresentação de espetáculos que circulam por algumas das principais salas e festivais do país, mas que aqui são apresentados em contacto direto com a comunidade. Procuramos também desconstruir possíveis perceções de elitismo associadas à fruição cultural, criando contextos de proximidade entre artistas e público, promovendo conversas, partilhas e momentos de convivência.

Mais do que levar cultura a um território, interessa-nos criar condições para que esse território participe ativamente na construção da experiência cultural”, referem.

Em 2023, o festival reforçou as componentes participativas, formativas e de mediação; em 2024, aprofundou a aposta em linguagens contemporâneas e cruzamentos disciplinares; e em 2025, consolidou-se como um projeto que articula criação artística, memória, território e participação comunitária.

“Chegar à quinta edição representa a confirmação de que o projeto encontrou o seu lugar. É um sinal de confiança por parte da comunidade, dos parceiros e do público que regressa ano após ano. Sentimos que existe uma consolidação da identidade do festival, dos seus princípios e da relação construída com o território. No entanto, continua a ser um projeto em construção. Trabalhamos num contexto vivo, em constante transformação, e isso exige capacidade de escuta, adaptação e experimentação”, reforçam.

O “Ocupar a Velga” é financiado por DGArtes Governo de Portugal com o apoio de BPI | Fundação La Caixa, Câmara Municipal de Seia, Junta de Freguesia de Valezim
apoio à produção com Associação de Arte e Imagem de Seia, Festival PLAY, CERVAS, CREV, Salão Brazil, Associação Vallecinus

Parcerias Media RTP2, Antena 2, Gerador, Jornal Santa Marinha e O grito e o cochicho

Apoio à Comunicação Infraestruturas de Portugal (IP), Canal Q, Canal 180, Rádio Boa Nova

A Produção d’Fusão é uma associação sem fins lucrativos, que integra nos seus órgãos sociais vários produtores nas áreas da dança, teatro, artes plásticas e música, sendo gerida por Patrícia Soares e Filipe Metelo.

Programa completo em www.producaodfusao.com.

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