Uma experiência imersiva inspirada na memória da Honra Velha, com percurso histórico, séquito régio, caracterização de época e um repasto comunitário no Largo da Igreja
No próximo dia 24 de outubro, Carragozela será palco de uma iniciativa inédita que pretende aproximar a comunidade e os visitantes da história, da memória e das tradições da terra. Sob a designação “Chamamento Real”, a iniciativa, promovida pela URRACA — Unidade de Raízes e Relatos de Ação Cultural e Antepassados, propõe uma experiência imersiva que cruza História, património, tradição, gastronomia e espírito comunitário.
Inspirado na memória da antiga Honra Velha de Carragozela e na figura da Infanta D. Urraca de Portugal, o “Chamamento Real” foi concebido não como uma simples caminhada ou como uma recriação histórica convencional, mas como uma experiência participativa, em que o público é convidado a fazer parte da própria narrativa.
Ao longo da tarde e da noite de 24 de outubro, Carragozela será envolvida por uma atmosfera inspirada em outros tempos, com a presença de um Séquito Régio, tochas, estandartes, cavalos, sinos, música e diferentes elementos cénicos que acompanharão o percurso.
O programa terá como primeiro grande momento “O Percurso do Rei”.


Os participantes serão convidados a reunir-se para responder ao “Chamamento” e acompanhar o Séquito Régio por um percurso preparado para revelar diferentes elementos da história e da memória de Carragozela.
A intenção não é apresentar uma caminhada convencional, mas criar uma experiência em que o percurso seja parte integrante da narrativa. Os caminhos, os lugares, os sons, as personagens e os elementos cénicos serão utilizados para transportar os participantes para uma época em que as relações entre a terra, a Coroa, os ofícios e as comunidades assumiam uma dimensão muito diferente da atual.
Ao longo da jornada haverá momentos de animação e interpretação, criando uma experiência que permita aos participantes não apenas ouvir falar da História, mas percorrê-la, observá-la e vivê-la de forma simbólica.
A organização pretende, desta forma, valorizar também o próprio território e os lugares que integram a memória de Carragozela, mostrando que “o património não está apenas nos monumentos ou nos documentos, mas também nos caminhos, nos espaços de encontro e nas histórias transmitidas entre gerações.”

Um convite para vestir outros tempos
Uma das características diferenciadoras do “Chamamento Real” será o envolvimento direto dos participantes.
A organização convida todos aqueles que participem no Percurso do Rei a vestirem-se à maneira de outros tempos, entrando no espírito da experiência.
“Não se pretende uma recriação histórica rigorosa nem é necessário possuir um traje profissional”, explica a organização. A proposta é que cada participante utilize a imaginação e construa uma caracterização inspirada nas gentes que poderiam ter vivido ou atravessado estas terras: trabalhadores da terra, pastores, artesãos, viajantes, mercadores, cavaleiros, figuras da corte ou simplesmente homens e mulheres do povo.
A organização incentiva igualmente os participantes a trazerem objetos, ferramentas ou utensílios relacionados com a caracterização escolhida.
O Repasto do Rei
O outro grande momento é “O Repasto do Rei”. No final da caminhada, a chegada ao terreiro dá lugar a uma ceia comunitária. A ementa inclui iguarias tradicionais como caçoilas de chanfana, torresmos preparados em lume de fogueira, pão caseiro cozido ao vivo, vinho e castanhas assadas, tudo acompanhado por música medieval itinerante.
Todos os inscritos no percurso têm direito ao repasto. A organização reforça que a reserva é obrigatória e sugere a junção de grupos de 4 a 5 pessoas para a escolha da caçoila e reserva de lugar no terreiro.





