A história da CPS começa em 2022, quando foi fundada com a designação Cruz Plácido e Seabra, Lda., fruto da iniciativa conjunta de Hélder Fernando Correia Plácido, Paulo Cruz e Ricardo Seabra.
Com o passar do tempo e a evolução do negócio, a empresa passou por uma reestruturação que levou à adoção da atual designação: Correia Plácido e Sousa (CPS). Esta mudança reflete uma homenagem de Hélder Plácido à sua esposa, que partilha o sobrenome “Sousa”, e ao seu pai, mantendo assim a identidade das siglas que marcaram o início da atividade. Hoje, a CPS é gerida exclusivamente por Hélder Plácido, único sócio da empresa, e especializa-se em manutenção industrial e engenharia, com projetos espalhados por vários países da Europa. O compromisso permanece o mesmo: oferecer soluções técnicas de excelência e contribuir para a modernização e eficiência da indústria.

A Correia Plácido e Sousa (CPS) é uma empresa que tem a sua sede em Seia, na zona industrial, embora o atual do sócio não tenha ligações prévias com a região. Hélder é de Aveiro e a sua esposa é de Coimbra. A mudança para Seia aconteceu devido à esposa de Hélder, Diana, ter aceite o desafio de se mudar para Seia por intermédio do Fundo Crest, fundo este que foi proprietário dos Queijos Tavares. Na altura, Diana trabalhava em Lisboa na área financeira e Hélder em Madrid, para a multinacional alemã Sick AG. A vinda da esposa para Seia permitiu que as viagens fossem muito mais fáceis. “Conseguia visitá-la mais facilmente, porque são cerca de três horas de Madrid a Seia”, refere Hélder Plácido. Com este vai e vem, Hélder começou a conhecer pessoas do concelho. Nomes como Filipe Fraga e Paulo Cruz abriram os seus horizontes. A partir daqui, a oportunidade de negócio, na área da manutenção industrial e engenharia, surgiu, tal é a carência destes serviços na região.
A empresa iniciou a sua atividade com três sócios (sendo dois com atividade direta) e um colaborador. Durante os primeiros anos, manteve um crescimento razoável, e até finais de 2024 contava com cerca de seis colaboradores e diversos projetos em diferentes partes do mundo.
No entanto, a partir de março de 2025, fruto do trabalho desenvolvido e da confiança conquistada junto dos seus clientes, a empresa registou um crescimento acelerado. Atualmente, conta já com mais de 50 colaboradores e projeta que, até finais de 2026, este número pelo menos duplique.
A grande maioria dos funcionários atua no estrangeiro, sobretudo em projetos por toda a Europa, permanecendo no exterior por períodos que variam conforme a duração de cada projeto. Hélder Plácido destaca que a empresa tem como prioridade garantir boas condições de trabalho e alojamento aos seus colaboradores, disponibilizando boas condições de alojamento, viaturas e cobrindo todas as despesas. “Aquilo que quero para mim, quero para os meus colaboradores.” A experiência de ter trabalhado fora de Portugal reforçou este compromisso, garantindo que a equipa recebe o melhor tratamento possível.
Hélder Plácido, um empresário com uma visão de futuro e experiência com mercados internacionais
Hélder Plácido começou a sua carreira na Nestlé, onde o seu pai e avô também trabalharam. Mais tarde, juntou-se à Meivcore, uma empresa que, na altura, estava a nascer e que teve um enorme crescimento. Aqui, começou como eletricista e chegou a gestor de projetos e montagem elétrica. A sua experiência profissional foi predominantemente no estrangeiro, o que lhe deu facilidade em trabalhar neste mercado. A sua inquietude era tão grande que, no mesmo dia em que saiu da Nestlé, colocou-se a caminho da Espanha para começar a trabalhar na Meivcore. Foram cerca de 10 anos nesta empresa, onde diz ter crescido bastante e estar grato por todas as oportunidades que teve para crescer.
A Separação dos Sócios e o Crescimento da Empresa
No final do ano passado, Hélder Plácido fez um balanço e propôs, então, a compra das quotas dos sócios, que aceitaram a proposta e concordaram em se separar amigavelmente.
Com a empresa agora sob a sua total propriedade, este ano Hélder começou com projetos maiores e, por isso, o número de colaboradores teve de aumentar. A mão-de-obra é maioritariamente portuguesa, mas também inclui trabalhadores de outras nacionalidades como brasileira, ucraniana, espanhola e paquistanesa. Hélder expressa o desejo de contratar mais pessoas da região de Seia, pois acredita que o futuro da zona trará oportunidades de emprego.
Serviços, Mercado e Dificuldades
A CPS, Lda é especializada em engenharia e manutenção industrial. Inicialmente, a sua área de atuação era a engenharia eletrónica e eletrotécnica. Mais recentemente expandiu os seus serviços para engenharia mecânica e de estruturas. A empresa também oferece serviços de automação, ajudando as empresas a otimizar processos e máquinas, o que é especialmente útil para combater a escassez de mão-de-obra na região.
Alguns dos clientes são da região, no entanto a empresa opera numa escala global, com a maioria dos seus projetos e colaboradores estar fora de Portugal, nomeadamente na França, Espanha, Finlândia e Bélgica. Desafios Um dos principais desafios que a empresa enfrenta em Seia é a mentalidade dos empresários da pequena indústria local, onde, segundo Hélder Plácido, é mais difícil de convencer a investir a longo prazo em manutenção e melhorias.
“É muito difícil fazer com que eles entendam que estão a investir na própria qualidade, evitando paragens intempestivas de máquinas, que lhes vai causar grandes transtornos. A adaptação a este tipo de mentalidades custou-me um bocadinho, mas creio que é perfeitamente normal”, refere. No entanto, Hélder salienta a importância de otimizar e investir na qualidade para evitar problemas futuros.
Refere também que apesar do crescimento e internacionalização da empresa e da região para o qual tem contribuído não é acompanhado pelas entidades da região que deveriam estar muito mais envolvidas no dia-a-dia das empresas da região, a desertificação do interior só se combate com a criação de emprego de qualidade para isso é essencial que o poder local esteja mais ligado ás empresas porque são estas as que iram proporcionar a criação dos mesmos, atrair uma multinacional de peso é chave para esta cidade e para isso basta olhar para o exemplo das cidades vizinhas (Mangualde, Oliveira do Hospital e Nelas).
A participação nas Jornadas Mundiais da Juventude
Em 2023, a empresa teve a oportunidade de participar num projeto de grande visibilidade, as Jornadas Mundiais da Juventude, onde a empresa foi responsável por toda a infraestrutura elétrica e de telecomunicações. Este projeto, apesar de ter trazido algumas dificuldades e muitas horas de trabalho, deu à empresa a confiança para enfrentar projetos maiores. Hélder Plácido diz mesmo que “em termos de número de pessoas, este foi o maior evento alguma vez realizado em Portugal. E nós, com as nossas limitações, trabalhando cerca de 16 hortas por dia, sábados, domingos e feriados, conseguimos implementar tudo aquilo que nos foi solicitado”. E acrescenta: “Não é por sermos uma estrutura pequena que não conseguimos fazer coisas grandes ou metermo-nos em projetos grandes.”
Hélder Plácido acredita no potencial de crescimento da região de Seia e fala em projetos futuros como a vinda do Grupo Sonae e a barragem de Girabolhos que, na sua opinião, poderiam dinamizar mais a economia local.
Projetos Futuros para Seia
Hélder mencionou vários projetos que, segundo ele, irão nascer em Seia e que irão exigir mais mão-de-obra local. Destaca a nova empresa do Grupo Sonae, a Capwatt com um projeto de produção de Biometano, a instalar em Seia que já está em fase de licenciamento; a empresa de hidrogénio, a HEN; a construção da Barragem de Girabolhos, que Hélder defende veementemente, apesar das questões ambientais, argumentando que a barragem teria um enorme impacto positivo na economia da região, atraindo grandes empresas e profissionais com altos salários, e que, por sua vez, iria dinamizar o comércio, os restaurantes e o setor hoteleiro. Além disso, a barragem justificaria melhorias na infraestrutura rodoviária, como a conclusão do IC6 e um acesso mais direto à A25, e ajudaria a garantir o abastecimento de água. “Tudo isto tem um enorme impacto direto. Este investimento poderá potenciar, posteriormente, a construção de hotéis, a criação de alguns desportos aquáticos aqui em Seia, a criação de novas infraestruturas, restauração, empresas… Tudo isto poderá justificar o início e conclusão da construção do IC6 e um acesso mais direto à A25. Mas o fator mais importante para mim é o de podermos guardar a água.”.
Hélder Plácido acredita e espera que este projeto, que agora entrou no caderno de prioridades para o Governo, venha a ser construído, porque “seria um bom negócio para a região”. Ao defender a construção da Barragem de Girabolhos e a chegada de novos projetos a Seia, Hélder Plácido acredita que estas iniciativas são cruciais para o desenvolvimento económico local. Embora a sua empresa beneficie destes projetos, o empresário vê-os como uma oportunidade de crescimento para toda a região, com um impacto direto nos negócios locais.
Hélder compara esta situação ao projeto da barragem no Vouga, onde o aumento do movimento e do dinheiro levou alguns donos de restaurantes a venderem os seus negócios no final da obra, por saberem que nunca mais teriam um volume de trabalho tão elevado.
Atuação no Mercado Mundial
Atualmente, a CPS está a trabalhar como parceiro da empresa Kayros em Liege, num enorme projeto liderado pelo grupo Cobra, subsidiária do grupo ACS, liderado por Florentino Pérez, num projeto de construção, comissionamento e start-up de ciclo combinado com capacidade para produção de 870MW.
Em França a empresa está com a TCPI France, num projeto de Parque Eólico offshore flutuante piloto de 30 MW – Leucate / Le Barcarès (Occitânia – França).
Para além destas, neste momento estão, também, com a Pasaban SA, empresa de referência no fabrico de máquinas cortadoras de papel e com obras com a subsidiária do grupo Meivcore em Espanha, com o grupo Sonae, Finsa entre outras de menor dimensão.



Fotos: Projeto de 1 ano na multinacional Stora Enso indústria de papel
Ligação Pessoal e Profissional com Seia e a sua visão para a região
Hélder, que é natural de Aveiro, explica que a decisão de fundar a empresa em Seia foi mais do que estratégica. Reconhece que abrir uma empresa em Aveiro, perto da universidade, seria mais fácil para atrair talento. Mas, a sua paixão pela serra e a prática de ciclismo na juventude, juntamente com o facto de ter criado raízes e estabelecido a sua família em Vila Nova de Tazem, o motivaram a fixar-se na região.
Menciona que o seu objetivo não é apenas o lucro, mas sim o crescimento para toda a comunidade. Para isso, acredita que é fundamental dinamizar a economia local, de modo a proporcionar um aumento do número de restaurantes e para que as taxas de ocupação dos hotéis da região fiquem a 100 por cento. Sugere que a Escola Superior de Turismo e outras instituições locais deveriam adaptar os seus cursos para atender às necessidades da indústria agroalimentar da região, como a formação de queijeiros.
A aposta na formação prática é outra sugestão que Hélder refere e, neste campo, diz que a sua empresa recebe estagiários para lhes proporcionar um contacto com a realidade do mundo do trabalho, mostrando-lhes as dinâmicas e o esforço que a manutenção industrial exige, incluindo a necessidade de viajar e estar fora de casa por longos períodos.
Em suma, Hélder Plácido tem uma visão a longo prazo para o desenvolvimento de Seia, baseada na sua experiência e na sua ligação pessoal à região. Acredita que o crescimento da sua empresa está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento da economia local.
Apoio ao Comércio Local
Hélder faz questão de comprar bens e serviços no comércio local de Seia. Argumenta que é fundamental apoiar a economia local e que a proximidade dos fornecedores é uma mais-valia em momentos de aperto e que nem sempre o preço é o fator decisivo nas suas escolhas.
Lutar contra a Crise
O empresário admite que o crescimento acelerado tem os seus desafios, mas acredita que a sua área de atuação e a mão-de-obra qualificada, é sempre necessária, mesmo em tempos de crise. Por isso, pretende solidificar a empresa antes que uma crise económica chegue, para garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo. “Acredito que vamos ter uns anos pela frente bastante duros, porque o crescimento vai ser enorme nos próximos meses e anos, algo que cria a suas dificuldades numa jovem estrutura. Mas vamos chegar onde eu quero. E a partir daí tudo tornar muito mais sustentável apesar de não se tornar mais fácil. Por isso, Hélder Plácido mostra-se confiante de que a empresa alcançará a sua solidez financeira.


Fotos de obras em França
Visão de Gestão e Crescimento
Hélder Plácido demonstra uma visão ambiciosa e uma filosofia de gestão focada no crescimento sustentável, na valorização dos colaboradores e no apoio à economia local. A crescer muito rapidamente e a trabalhar com clientes de grande dimensão, a faturação da empresa tem aumentado exponencialmente. Em 2023, a faturação foi de 230 mil euros, no ano passado cerca de 400 mil, e a previsão é de ultrapassar 1 milhão de euros este ano, superando a meta de 700 mil inicialmente estipulada. Este crescimento abrupto, de 150% a 200%, demonstra a capacidade e a confiança que a empresa transmite aos seus clientes.
Mas há que salientar que todo este sucesso está, também, ligado à estratégia de recrutamento e motivação. Hélder aposta na contratação de talentos jovens, nomeadamente da região de Seia, e em modelos de remuneração que vão além do salário mínimo. A sua ideia é que os colaboradores se sintam parte ativa e importante do negócio, dando-lhes mais autonomia e um sentimento de propriedade, para que se sintam mais motivados. A ideia passa, também, por contratar jovens licenciados nesta área das engenharias, mas tudo a seu tempo, porque, como diz, “as pessoas não se formam todos os dias e a nossa forma de contratar é dando-lhes melhores condições, pagando mais que a concorrência. E, claro, a motivação maior que alguém nesta vida pode ter, sem ser o dinheiro, é sentir que está a trabalhar em algo que se vai refletir na vida pessoal de cada um. Por isso, aquilo que eu pretendo é que eles tenham muita independência nos projetos, mercados ou clientes que abrem que angariem. Quanto melhor conseguirem gerir o seu projeto, melhor será o retorno financeiro não só para a empresa, mas para o próprio e para os colaboradores que estão na obra”, explica.



Fotos: Obra em Liege
Futuro próximo da CPS
Hélder planeia adquirir ou construir um pavilhão próprio na zona industrial já no próximo ano, que incluirá departamentos de engenharia eletrotécnica, mecânica e estruturas. O objetivo é ganhar capacidade técnica de execução obras na sua totalidade, subcontratando os serviços a outras empresas locais e reforçando a capacidade do setor metalomecânico da região.
Concluindo
A Correia Plácido e Sousa é hoje um exemplo de como visão empreendedora, experiência internacional e ligação ao território podem impulsionar um negócio sustentável. Hélder Plácido resume a sua filosofia empresarial com as seguintes palavras:
“Quero crescer, mas quero crescer com as pessoas certas e da forma certa. Não é só faturar: é criar valor, dar estabilidade e contribuir para uma região que tem tudo para se desenvolver.”
Com um modelo de gestão assente na valorização dos colaboradores, inovação e aposta local, a CPS prepara-se para se tornar uma referência europeia no setor da manutenção industrial, sem esquecer as raízes que a fizeram nascer em Seia.





