O antigo secretário de Estado do Turismo foi o convidado de honra nas comemorações do 25.º aniversário da licenciatura em Turismo da Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH) de Seia.
A Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH) do Instituto Politécnico da Guarda, sediada em Seia, celebrou na passada terça-feira o 25.º aniversário do seu curso de Turismo. O evento, que envolveu toda a comunidade académica, parceiros do setor e antigos alunos, ficou marcado pela homenagem a Licínio Cunha. Aos 92 anos, o economista, professor catedrático e ex-secretário de Estado do Turismo em quatro Governos Constitucionais regressou à sua terra natal para partilhar a sua visão sobre a evolução do setor e deixar um alerta para o futuro.
Durante a sua intervenção, Licínio Cunha recordou o percurso histórico da afirmação do turismo em Portugal, sublinhando que, no início da sua carreira, a atividade não era encarada como uma área académica.
“O turismo, na altura, não era considerado uma ciência, nem tão-pouco uma disciplina universitária. Desde que me conheço que era visto como uma arte”, referiu.
O antigo governante recordou o ano de 1970, quando propôs a criação de uma estrutura dedicada ao turismo em Portugal, uma ideia que, na época, gerou perplexidade. “As pessoas ficavam muito perdidas, porque o turismo não pertencia ao ambiente universitário”, explicou, destacando o papel pioneiro que as escolas especializadas vieram a ter na formação e na criação de novos conhecimentos que, inevitavelmente, vão evoluindo com o tempo.
O combate à “turismofqobia”
Olhando para os desafios atuais, o histórico pioneiro do turismo em Portugal lançou um forte aviso sobre a necessidade de redefinir as estratégias do setor. Licínio Cunha lamentou que, historicamente, o foco tenha estado quase exclusivamente na vertente económica e na autonomia do setor, esquecendo-se os impactos secundários.
“O turismo não tem apenas aspetos positivos. Tem aspetos negativos, alguns deles altamente negativos, para as sociedades, para o ambiente e para a cultura”, alertou. Segundo o catedrático, as estratégias contemporâneas não podem ignorar esta realidade.
“Hoje, não pode — nem deve — haver uma estratégia de turismo sem que ela inclua medidas de combate aos efeitos negativos. Se não o fizermos, corremos o risco de continuar a alimentar a ‘turismofobia’ e a afastar aqueles que não gostam do turismo.”













Neste sentido, desafiou a ESTH de Seia a posicionar-se na vanguarda desta reflexão, avaliando e propondo caminhos para mitigar estes impactos no terreno.
Formação prática no terreno
Em declarações prestadas ao JSM, o diretor da ESTH, Ricardo Guerra, manifestou “grande satisfação” pela forma exemplar como os alunos assumiram a responsabilidade do evento, demonstrando as competências técnicas adquiridas. “Foi no âmbito da unidade curricular de Organização e Gestão de Eventos que os alunos do 3.º ano das licenciaturas em Gestão Hoteleira, Turismo e Lazer e Restauração e Catering conceberam e executaram todo o programa, evidenciando as competências técnicas e organizacionais que têm vindo a desenvolver ao longo do seu percurso académico.”










O responsável lembrou, ainda, que, embora o ensino superior esteja em Seia há cerca de 35 anos, foi no ano letivo de 2000/2001, com a introdução da então Licenciatura Bietápica em Turismo, que se iniciou o percurso que moldou a história da região.
“Partindo precisamente deste envolvimento ativo dos estudantes, surgiu a vontade de assinalar os 25 anos da licenciatura em Turismo, um marco particularmente relevante para a nossa instituição. Embora o ensino superior esteja presente em Seia há cerca de 35 anos, foi no ano letivo de 2000/2001, com a entrada em funcionamento da primeira Licenciatura Bietápica em Turismo, na então Escola Superior de Turismo e Telecomunicações, recentemente criada nessa altura, hoje Escola Superior de Turismo e Hotelaria, que teve início um novo percurso com oferta formativa de licenciaturas que viria a marcar profundamente a história da escola e da formação superior em turismo na região.”
Ricardo Guerra destacou ainda que “o ponto alto das comemorações foi a homenagem prestada ao Dr. Licínio Cunha, que com os seus 92 anos de idade, continua a ser uma das figuras mais influentes do turismo português, cuja obra, pensamento e contributo para o desenvolvimento do setor constituem uma referência incontornável para todos aqueles que estudam e trabalham nesta área. Foi uma honra contar com a sua presença nesta celebração tão especial.”
Licínio Cunha despediu-se expressando o seu orgulho e deixando votos de maior sucesso para o futuro dos alunos e da instituição, desejando que a ESTH continue a afirmar-se como uma escola de referência.



