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Festa dos Pobres em Carragozela. O Natal que se vive em união e partilha 

Em Carragozela, no coração do concelho de Seia, o Natal de 2025 voltará a ter um sabor único: o da partilha e da união. Longe do luxo e do frenesim comercial, a aldeia prepara-se para acolher mais uma edição da sua singular Festa dos Pobres, uma celebração profundamente comunitária que resgata a verdadeira essência desta quadra.

A Festa dos Pobres é mais do que um evento; é um testemunho vivo do espírito natalício onde ninguém é deixado para trás. Numa época em que o materialismo tantas vezes ofusca a mensagem original do Natal, Carragozela oferece um banquete de solidariedade.

Mesa farta com o que há

A festa é feita “com o que há – e com muito amor”. Os moradores unem-se para trazer o melhor que têm, criando uma mesa farta e acolhedora, onde a ementa é o convívio e o ingrediente principal é a generosidade.

Alegria e reencontros

A celebração é um ponto de encontro para as gentes da terra, um momento de alegria genuína, música e reencontros calorosos. É a festa da vizinhança, onde as diferenças se esbatem e o sentido de comunidade se reforça.

Natal que não se compra

O lema da Festa dos Pobres resume-se numa frase poderosa: “Porque aqui, o Natal não se compra… vive-se junto.” É um convite a olhar para o lado, a partilhar e a viver a época natalícia no seu significado mais puro.

A verdadeira origem da Festa dos Pobres: a partilha que aquece corpo e alma

A história da Festa dos Pobres nasce de um gesto simples, mas cheio de significado: partilhar.
Em tempos antigos, quando o Natal se vivia com humildade e o que havia nas casas não era muito, a comunidade reunia-se para que ninguém ficasse sem conforto nesta época tão especial.
Cada família contribuía com aquilo que tinha e que produzia com esforço ao longo do ano.
Uns traziam batatas, couves, azeite, feijão e outros produtos da terra.
As senhoras ofereciam o que faziam com dedicação: rendas, panos, bordados, pequenos tesouros que carregavam horas de trabalho.
Outros chegavam com pão acabado de sair do forno, vinho, queijo, e tudo aquilo que representava a fartura possível de cada lar.
Mas a partilha não era apenas de comida ou objetos — era também de presença.
As pessoas juntavam-se no largo da igreja, no frio cortante de dezembro, para viver o momento em comunidade.
Para se protegerem das noites frias, levavam consigo os cobertores antigos, grossos e pesados, que passavam de geração em geração.
E foi assim, desse amontoado de tecidos castanhos e coloridos, sempre prontos a aquecer quem precisava, que nasceu um dos maiores símbolos da festa: o alifafe.
O alifafe tornou-se mais do que um cobertor: tornou-se um emblema da união, da entreajuda e da forma como a comunidade se abraçava mutuamente para enfrentar o frio — o de dezembro e o da vida.
Assim cresceu esta tradição: cada um dava um pouco do que tinha e todos recebiam muito mais do que levavam.
Hoje, Carragosela ao manter viva a Festa dos Pobres, honra o verdadeiro espírito do Natal: ninguém fica para trás e todos têm lugar à mesa e ao calor da comunidade.

Programação para o primeiro fim-de-semana

A organização da tradicional Festa dos Pobres em Carragozela acaba de levantar o véu sobre o primeiro bloco do programa oficial para esta edição, que decorrerá no final de novembro e início de dezembro. A comunidade prepara-se para três dias iniciais de intensa partilha, convívio e, acima de tudo, a preservação do verdadeiro espírito de entreajuda.

O evento arranca no sábado, dia 29 de novembro, prometendo um fim-de-semana prolongado onde a tradição e a boa mesa serão as protagonistas.
Este primeiro dia será marcado por um arranque de elevadas emoções. As portas abrem às 15h00, dando início à experiência completa de “Sabores, Tesouros e Experiências Gastronómicas“.
O momento alto e mais aguardado acontecerá, com o “GRANDE ESPETÁCULO DE ABERTURA – Surpresa Musical Cantada a Uma Só Voz“. A organização promete que este será um dos momentos mais emocionantes de toda a festa, garantindo “arrepio, sorrisos e uma união que só esta festa sabe criar”.
A animação musical segue com Roberto da Concertina, que traz a música vibrante e tradicional para abrir oficialmente o espírito de boa disposição.
Pelas 20 horas a animação estará a cargo dos Zés Pereira Aikdoy, que garantem energia, ritmo e alegria contagiante pela noite dentro.

Domingo e Segunda: O Banquete da Partilha

Os dias seguintes mantêm a aposta na gastronomia e na cultura local. Tanto no domingo (30 de novembro) como na segunda-feira (1 de dezembro), as portas abrem às 15h00 para um verdadeiro banquete de partilha.
Os visitantes poderão deliciar-se com uma variedade de petiscos tradicionais: sopas reconfortantes, bifanas suculentas, bôlas, sandes saborosas, petiscos tradicionais (incluindo torresmos na segunda-feira), docinhos, bolos caseiros, frutos secos e castanhas; vinhos, licores e bebidas quentes ou frias.
A acompanhar a festa haverá barraquinhas com artesanato, produtos únicos e pontos “escondidos” pelo recinto para fotografar e partilhar.
A animação musical de domingo estará a cargo de Ricky Música, com um concerto agendado para as 16h00. A segunda-feira será acompanhada por “Trilhas sonoras de Natal“, a condizer com a quadra festiva que se aproxima.

Mais Surpresas a Caminho

A organização faz questão de frisar que este é apenas o começo da revelação do programa, uma vez que o restante vai sendo revelado aos poucos: “Prometemos surpresas daquelas que aquecem o coração e mantêm viva a tradição”.
A Festa dos Pobres de Carragozela reafirma-se assim como um dos pontos altos do calendário celebrando o Natal não pelo que se compra, mas pelo que se vive e partilha em comunidade.

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