Publicidadespot_imgspot_img

IPG vai criar aplicações biomédicas – para subproduto da indústria do papel

O Politécnico da Guarda está a preparar a transformação de pasta de papel em cápsulas de medicamentos. A nova unidade de investigação do IPG vai desenvolver nanomateriais para encapsular agentes terapêuticos anticancerígenos, anti-inflamatórios ou ansiolíticos. A Biotek, de Vila Velha de Rodão, será o parceiro industrial.

A BRIDGES – Biotechnology Research, Innovation and Design for Health Products, nova unidade de investigação do Instituto Politécnico da Guarda – IPG, vai desenvolver a transformação da lignina, um subproduto da pasta de papel, num recurso valioso para a encapsulação dos fármacos na indústria biomédica. O projeto chama-se BIO-LIGNE e a equipa do IPG conta com a colaboração da empresa Biotek S.A., de Vila Velha de Rodão, para otimizar uma metodologia de extração de lignina das águas residuais da indústria de pasta de papel e utilizá-la como matéria-prima para produzir nanomateriais inovadores para a administração de medicamentos.

“Com este projeto, pretendemos valorizar um subproduto da indústria do papel, que é normalmente descartado e incinerado, demonstrando a sua aplicabilidade no desenvolvimento de novos produtos biomédicos”, afirma André Moreira, docente da Escola Superior de Saúde e coordenador do projeto BIO-LIGNE. “O nosso parceiro industrial (Biotek S.A.) fornecerá amostras das quais iremos extrair a lignina, que será utilizada para desenvolver novos sistemas de entrega – ou seja: cápsulas – de agentes terapêuticos”.

Por ano, a nível mundial, são extraídas 50 a 70 milhões de toneladas de lignina, prevendo-se um aumento para 225 milhões de toneladas por ano até 2030. Nos últimos anos, a lignina tem sido reconhecida como um polímero natural valioso: tem imenso potencial para o desenvolvimento de soluções biotecnológicas para a regeneração de tecidos e a administração de medicamentos, devido à sua abundante disponibilidade, biocompatibilidade, versatilidade estrutural, e propriedades mecânicas.

A extração e exploração da lignina não é, no entanto, considerada atualmente para fins biomédicos. Apenas cerca de um milhão de toneladas de resíduos de lignina em todo o mundo são isolados e vendidos para aplicação industrial.

“Flash Nanoprecipitation”, a técnica de ponta utilizada

O BIO-LIGNE quer aproveitar a natureza hidrofóbica (que não absorve nem retém água) da lignina para criar nanopartículas num processo rápido, eficiente e escalável, utilizando uma técnica de ponta denominada de “flash nanoprecipitation”.

Inicialmente, será testado o potencial das nanopartículas à base de lignina para atuarem como sistemas de libertação de fármacos através de simulação computacional. Depois será avaliada a interação entre a lignina e as moléculas terapêuticas, e estudada a eficiência de encapsulação e o perfil de libertação dos agentes terapêuticos. Ou seja, vai ser avaliada a compatibilidade da lignina com outros agentes normalmente presentes nas cápsulas de medicamentos.

Posteriormente, vão ser analisados os nanomateriais contendo os agentes terapêuticos (anticancerígenos, anti-inflamatórios ou ansiolíticos) avaliando o seu potencial para serem aplicados no tratamento de várias doenças, tais como o cancro e doenças inflamatórias. Segundo André Moreira, “o projeto vai abrir caminho a uma rede colaborativa e intersectorial entre as indústrias do papel e farmacêutica, impulsionando a transferência, do laboratório para a clínica, de soluções biotecnológicas baseadas na lignina.”

A equipa do projeto BIO-LIGNE é composta por alunos, investigadores e docentes do Politécnico da Guarda. Terá a duração de 18 meses – de 1 de janeiro de 2025 a 30 de junho de 2026 – e será financiado com 50 mil euros.

Para Joaquim Brigas, presidente do IPG, “o projeto BIO-LIGNE enquadra-se no desenvolvimento de investigação aplicada ligada à biotecnologia, uma das prioridades do Politécnico da Guarda”. São exemplos desta colaboração com o tecido empresarial nacional a valorização de recursos naturais como as microalgas e a sericina (material obtido a partir da seda), bem como o desenvolvimento de soluções bioimpressas para aplicação na regeneração de tecidos.

» Onde comprar o Jornal de Santa Marinha «

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relógios atrasam uma hora esta madrugada

Portugal continental e as regiões autónomas da Madeira e dos Açores vão atrasar os relógios uma hora nesta madrugada, marcando o regresso oficial ao...

Encontro de Fanfarras dia 31, em São Romão

A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de São Romão celebra o seu 45.º aniversário no próximo dia 31 de outubro (sábado) com a realização do...

Seia – Projeto de regulamento do VAIEVEM em discussão pública

O Município de Seia tem em discussão pública o Projeto de Regulamento Municipal do Serviço Público de Transporte de Passageiros “VAIEVEM”, na sequência da...

Pinhel: Detido por se encontrar em permanência irregular em território nacional

O Comando Territorial da Guarda, através do Posto Territorial de Pinhel, deteve, no dia 20 de outubro, um homem de 44 anos, por se...

Derek vs Derek vence CineEco 2026

O filme realizado por James Dawson conquistou o “Grande Prémio Ambiente” do CineEco 2026, na competição internacional de longas-metragens. DEREK vs DEREK enquadra o...

Serviço de Reumatologia da ULS da Guarda distinguido com duas bolsas de formação no congresso português de reumatologia

O Serviço de Reumatologia da Unidade Local de Saúde da Guarda, dirigido por Cláudia Vaz, esteve em destaque no XXVIII Congresso Português de Reumatologia,...

Festa das Sopas de Loriga decorre a 31 de outubro

A XIV Festa das Sopas de Loriga realiza-se no próximo dia 31 de outubro (sábado), a partir das 19 horas, no quartel dis Bombeiros...

Ferido ligeiro em despiste com moto

Um despiste de moto registado esta manhã junto ao Conservatório de Música de Seia resultou num ferido ligeiro. ​A vítima, do sexo feminino, foi assistida...