



Cinquenta e dois anos após a Revolução dos Cravos, os ideais de Abril voltaram a ecoar com força na Escola Guilherme Correia de Carvalho. Através de uma iniciativa dinamizada pelos alunos do 9.º A, B e C, promovida no âmbito da disciplina de História e com o apoio da Biblioteca Escolar, a escola transformou-se num palco de reflexão crítica, artes e cidadania, unindo gerações para debater o passado, o presente e o futuro da democracia portuguesa.
O auditório encheu-se para ouvir um painel de convidados de relevo, num debate que primou pelo rigor e pela diversidade de perspetivas. A iniciativa foi conduzida pelos alunos José Maria Alves e Santiago Borges, contando ainda com a presença da Jornalista Salomé Silva, do Jornal de Santa Marinha (JSM), que aceitou o convite dos jovens estudantes e da sua professora de História para ajudar a mediar uma conversa fluida e enriquecedora.
Entre os oradores, contaram-se figuras marcantes do concelho e da escola: José Belarmino Mendes e Filipe Camelo trouxeram intervenções focadas na visão da experiência política e social; a professora Margarida Veiga e o Professor Rui Póvoa ofereceram um enquadramento histórico e pedagógico essencial para a compreensão da transição do Estado Novo para a Democracia e as suas experiencias vividas nesta época e José Luís Dias, do JSM, que deu a conhecer as diferenças, na altura, do país onde nasceu (EUA) e a sua vinda para Portugal, pouco antes do 25 de Abril.
O debate não foi apenas uma lição de história, mas um exercício vivo de liberdade de expressão, onde os alunos puderam aprofundar o conhecimento sobre a importância do dia 25 de abril de 1974.
A arte como linguagem da liberdade
A celebração não se cingiu às palavras. A cultura, pilar fundamental da revolução, esteve presente através de momentos musicais e performativos.
O grande destaque artístico foi a representação teatral. Num momento de grande e simbolismo, os alunos levaram à cena uma peça em modo mudo. Sem necessidade da utilização da linguagem verbal, o movimento dos corpos e a expressividade dos rostos narraram a opressão do regime e o florescer da esperança trazida pelos capitães de abril, provando que a mensagem da liberdade é universal e transcende a fala.
Para que a iniciativa chegasse a toda a comunidade escolar e não só, o evento contou com a cobertura em direto pela emissão da rádio do Agrupamento de Escolas Guilherme Correia de Carvalho. Através desta transmissão online, o trabalho dos alunos do 9.º ano ganhou uma nova dimensão, permitindo que as notas musicais e as reflexões dos convidados ecoassem, se fizessem ouvir.
Com esta iniciativa, a Escola Guilherme Correia de Carvalho reafirmou o seu compromisso na formação de cidadãos conscientes e ativos, honrando a memória de quem, há mais de meio século, abriu as portas para o Portugal que hoje conhecemos.



























