:::: por Santiago Borges Ferreira – 13 anos ::::
Estamos a passos largos do natal, vamos vendo as ruas a serem iluminadas, as campanhas comerciais, as promoções, enfim, tudo vai ganhando forma. Mas no meio de toda esta alegria – e eu pessoalmente gosto muito – há algo que passa despercebido ao grande público: o sofrimento alheio.
Enquanto nós compramos, prendas e mais prendas, há muita gente que se recebesse o que para nós é banal, ficaria imensamente feliz, enquanto nós ainda temos a lata de criticar as prendas mais “simplesinhas” que nos vão dando.
Pensemos, por exemplo, nas crianças imersas na guerra, elas não vão, com toda a certeza, receber nada no natal, enquanto nós já não podemos dizer o mesmo… Que felicidade teria uma criança se recebesse uma simples prendinha! Enquanto nós iremos criticar quem a ofereceu, apenas por ser simples e, quiçá, o destino dela já esteja traçado: o esquecimento no fundo de uma gaveta qualquer.
Infelizmente, enquanto nós, todos comuns mortais, passamos o natal felizes e contentes, existem aqueles que, por vezes, nem sequer têm com quem passar o natal; idosos sozinhos e desprezados pelas famílias, que por vezes passam o natal fechados em casa ou nos lares sem verem e reverem aqueles que mais amam; crianças e famílias que vivem imersas na guerra, sem que tenham a mínima culpa disso; todos os homens e mulheres que, imersos na vida e na solidão moderna, têm que passar o natal sozinhos; enfim, todos nós que reconhecemos o natal como e só a época do consumismo e da loucura moderna na corrida aos “shoppings” e hipermercados.
Como referi antes, estas realidades são duras de se constatarem, mas que alguém – e por isso decidi escrever este artigo – tem de lembrar e relembrar, pois acho que o natal é a época do cuidado e do bem, de uns para os outros, pois somos uma sociedade que deve querer fazer o bem.
Acho que tudo o que referi acima, nos toca a todos um pouco, por isso sei e compreendo que o estimado/da leitor/ra, deve estar a colocar a seguinte pergunta:
O que eu posso fazer para mudar isto?
- Estar/lembrar aqueles que mais precisam ou que estão mais longe de nós;
Sei que vivemos na correria do mundo moderno, mas paremos um pouco para fazer nem que seja uma simples chamada a um amigo ou familiar do qual estamos mais distantes. Deixemos a mágoa de lado, pois o natal é por excelência o tempo da mudança. Vamos tornar o natal de alguém mais feliz, com uma prova da nossa lembrança através de um telefonema ou mensagem.
- Ajudar aqueles que mais precisam;
Mais uma vez, paremos um pouco e pensamos: quem precisa da nossa ajuda? Com certeza, que todos temos parentes e amigos que por diversos motivos se encontram isolados, “à margem” da sociedade e até mesmo da própria família. O meu convite é que tenhamos a coragem de os desafiar para um simples “cafezinho”, um momento de convívio e de amizade, o que custa umas horas de atenção e empatia pelo outro? Para nós será algo banal mas para muita gente pode ter um valor imenso.
- Voltar aos gestos de outrora;
Como bem sabemos, há muito tempo atrás quando não havia meios de comunicação como hoje, as pessoas trocavam e ou enviavam postais de natal uns aos outros. Por que não voltar a oferecer postais de natal? Seria uma prenda tão “fixe” de receber, para além de que é algo que fica na memória, algo que nos marca internamente e, numa época onde tanto se debate sobre o que oferecer, seria uma sugestão muito interessante de um presente de natal. Ofereça aqueles que lhe são queridos um postal (escrito à mão obviamente) e que venha do coração.
- Lembrar os que não são esquecidos;
Porque não neste natal, lembramos aqueles que mais sofrem, todos aqueles para com os quais a vida foi mais dura. Sei que a realidade deles não muda, pois não os estamos a ajudar diretamente, mas a nossa pode mudar por estamos a tomar consciência e devemos, sobretudo, levar essa mensagem aos mais novos. Há tanta gente que merece e deve ser lembrada por nós, pois como diz o ditado popular: “quem não é lembrado é esquecido”.
- Seguir o coração;
Sei que já dei algumas boas sugestões, mas a melhor delas ficou para o fim: sigamos o nosso coração! Tenhamos a coragem de fazer aquilo que o nosso coração nos recomenda, seja aquilo que for mas sigamos o que ele nos diz. Em um tempo onde amar é quase um crime, seguir o coração é uma ousadia necessária.
Neste natal vamos ouvir mais o nosso coração, mais que não seja pois seria uma boa prenda para nós próprios.
Não me vou alongar muito mais, deixo apenas a seguinte mensagem: neste natal sejamos bons para os outros, pois, como o ditado popular nos lembra, “recebemos na medida em que damos”.
Vamos, neste natal, ser mais humanistas, pois a sociedade precisa de gente altruísta, que tem a coragem de ser diferente, de ser boa.
A todos/das o meus votos pessoais de um bom natal!





