O Partido Social Democrata (PSD) de Seia assinalou, esta segunda-feira, dia 12 de outubro, o primeiro ano do mandato autárquico 2025 – 2029 com um balanço de ação “marcado pela fiscalização rigorosa da gestão municipal, pela apresentação de propostas concretas e pela defesa dos interesses das populações, das freguesias e do desenvolvimento económico docConcelho”.
Em conferência de imprensa, os sociais-democratas fizeram um balanço dos primeiros 365 dias, destacando que a sua atuação não se pauta por uma “oposição por oposição”, mas sim por um trabalho sério, exigente e construtivo.
Aos jornalistas, o PSD de Seia referiu que “ao longo deste primeiro ano, os vereadores do PSD acompanharam 24 reuniões de Câmara Municipal, apresentaram 5 propostas e realizaram 37 requerimentos e intervenções. Um trabalho estruturado em torno de sete Eixos estratégicos: rigor orçamental, infraestruturas e segurança, educação, economia local, coesão territorial, saúde e ação social, e transparência institucional.” Já na Assembleia Municipal, a bancada social-democrata registou 54 intervenções, reforçando o controlo político da ação executiva e a defesa das competências e dos recursos das Juntas de Freguesia.
Nesta conferência, onde estiveram Susana Ferreira, presidente do PSD de Seia e vereadora na Câmara Municipal de Seia, Paulo Hortênsio, vereador do PSD na Câmara Municipal, Lúcia Leitão, deputada na Assembleia Municipal de Seia, Miguel Caetano, presidente da Junta de Freguesia de Seia e Armando Abrantes, presidente da Junta de Freguesia de Girabolhos, o PSD referiu que, neste primeiro ano de mandato, a sua ação ficou ainda marcada pelo trabalho dos autarcas eleitos nas diferentes Assembleias de Freguesia e pelos dois presidentes de Junta de Freguesia eleitos pelo partido – Seia e Girabolhos – os quais “têm assumido um papel ativo na defesa das suas comunidades, na resolução de problemas concretos do quotidiano e na exigência de uma relação mais justa e equilibrada entre o Município e as Freguesias.” Apesar “dos constrangimentos financeiros, das carências infraestruturais e das dificuldades na articulação com o Executivo municipal, ambos têm vindo a ultrapassar desafios importantes nas áreas da limpeza e conservação dos espaços públicos, dos arruamentos, do abastecimento de água, do apoio às populações e da valorização do território, reafirmando o compromisso do PSD com uma governação próxima, responsável e ao serviço de todas as freguesias do concelho.”
Fiscalizar, propor e defender Seia
Um ano depois das eleições, o PSD “não está a fazer Oposição por Oposição. Está a fazer o seu trabalho: fiscalizar, propor e defender os interesses do Concelho», sublinha o PSD de Seia, numa mensagem central dirigida à comunicação social.
“Um ano depois, o PSD continua presente, atento e a trabalhar por Seia”, salientou esta equipa aos jornalistas.
Transparência, finanças e obras públicas
O PSD destacou, ainda, a sua exigência de maior rigor e transparência na gestão municipal, designadamente através da apresentação de um modelo de nota explicativa para alterações orçamentais e Grandes Opções do Plano, da exigência da aprovação do Regimento da Câmara, com transmissão online das reuniões, e de requerimentos de acesso a peças de contratação pública e obras.
Neste período de tempo, a bancada apresentou, ainda, um Requerimento Instrutório de Fiscalização Global das Empreitadas, exigindo a calendarização, os custos e o ponto de situação de todas as obras adjudicadas pelo Município desde 2021, bem como um requerimento sobre a legalidade do processo de contratação do auditor externo/ROC.
No terreno, “o PSD alertou para problemas em várias vias do Concelho, incluindo riscos de derrocada na Avenida 1.º de Maio, cedências de piso em São Romão, degradação do Ramal de Girabolhos, da EM 502-2 e da ligação entre Carragozela e Várzea de Meruge, além de questões de segurança rodoviária na EM 516”, salienta.
Educação, saúde e território
Em matéria de educação, o PSD “exigiu melhores condições térmicas no Centro Escolar de Seia, respostas para a qualidade da alimentação escolar, a salvaguarda da hidroterapia para crianças com Perturbação do Espetro do Autismo e uma maior ambição pedagógica nas normas das Atividades de Enriquecimento Curricular.”
A formação também esteve no centro da ação do partido, “com a defesa de um Pacto de Regime para garantir o futuro da Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH), a conclusão do IC6 e as condições de acesso e alojamento dos estudantes.”
Na área da saúde e da ação social, o PSD “alertou para a perda de médicos na USF A Serrana, com impacto nos polos de Sandomil e São Romão, e apelou à dignificação das instalações do Núcleo de Seia da Cruz Vermelha Portuguesa.”
Economia local e Freguesias
No desenvolvimento económico, apresentou a Proposta 01/2026/PSD, “defendendo a recuperação da FIAGRIS – Feira Industrial, Comercial e Agrícola de Seia, como instrumento de apoio ao tecido empresarial, ao empreendedorismo e à economia local.” A proposta foi, no entanto, “rejeitada pela maioria socialista.”
O partido reivindicou, ainda, “uma estratégia mais ambiciosa para a Feira do Queijo, maior projeção dos produtos endógenos de Seia em feiras internacionais, como a FITUR, e a valorização da Festa da Transumância e dos Pastores como plataforma estratégica da fileira ovina e agropastoril.”
Quanto às Freguesias, defendeu “a criação de um Gabinete de Apoio às Freguesias, uma revisão equitativa das transferências municipais e maior apoio jurídico e procedimental às Juntas de Freguesia, designadamente em matéria de contratação pública.”
Cinco prioridades para o próximo ano
Para o segundo ano de mandato, o PSD de Seia definiu cinco prioridades: “mais fiscalização, com acompanhamento rigoroso das decisões e da execução das políticas municipais; mais propostas, com soluções concretas para os problemas identificados; mais proximidade, reforçando o contacto com as Populações e instituições; mais atenção às Freguesias, numa relação equilibrada entre o Município e as Juntas de Freguesia e mais visão estratégica, colocando no centro o desenvolvimento económico, o investimento, a população e o futuro de Seia.”
PSD de Seia aponta falhas ao Executivo Municipal
Na conferência de imprensa, o PSD de Seia foi confrontado com várias questões por parte dos jornalistas presentes, detalhando o diagnóstico feito à gestão do Partido Socialista (PS) na Câmara Municipal e as principais propostas e exigências em cima da mesa.
Questionado sobre o balanço concreto deste primeiro ano de governação socialista, o Paulo Hortênsio, sublinhou que governar uma autarquia exige ação desde o primeiro momento. O principal foco de crítica recaiu sobre a falta de abertura e de respeito institucional para com a oposição, apontando constrangimentos severos na atividade política: “Desde logo, diríamos que terá que haver um bocadinho de mais respeito pela oposição. E quando dizemos mais respeito pela oposição, dizemos que estamos perante um quadro em que de facto a nossa dificuldade é grande para poder contribuir para a discussão política e para a discussão democrática no município de Seia.”
Entre as principais falhas apontadas está o atraso crónico no envio da documentação para as reuniões, o que dificulta o trabalho dos vereadores e deputados municipais que acumulam os mandatos com os seus deveres profissionais.
A questão do regimento e a transparência
Um dos pontos que mais perplexidade causou ao partido foi a ausência de um regimento de funcionamento aprovado ao fim de doze meses de mandato: “Achamos, no mínimo, caricato, para não dizer outra palavra, que um ano depois das eleições, a Câmara Municipal ainda não tenha o seu regimento de funcionamento aprovado.”
O PSD lembrou que apresentou uma proposta própria que, além de modernizar o órgão, previa a transmissão online das reuniões do executivo, tal como já acontece na Assembleia Municipal. Para os sociais-democratas, estes atrasos e a relutância em ceder elementos financeiros, refletem “um modelo de governação fechado que contrasta com a abertura exigida a um município no século XXI.”
O papel da Oposição e o trabalho em equipa
Interpelado sobre a insistência e o “batalhar” constante para conseguir aceder a documentos e fichas de cabimento, o PSD defendeu que o seu papel não se resume a dizer “não”, mas sim a exercer uma oposição séria, capacitada e construtiva,
Foi igualmente destacado o reforço quantitativo e qualitativo da equipa social-democrata neste mandato, contando com mais vereadores e deputados municipais multidisciplinares que enriquecem o trabalho de preparação e escrutínio político.
Visão estratégica
Em resposta a uma questão sobre o triângulo estratégico entre pessoas, empresas e autarquia (incluindo a projeção da Marca Seia), o PSD reforçou que a sua perspetiva de desenvolvimento assenta na união destes três vértices para dar um verdadeiro salto qualitativo no concelho nos próximos três anos de mandato.





