Voluntários realizaram intervenções em três pontos do sistema hídrico da aldeia, num território fragilizado pelo incêndio de 2025
Dos 20 aos 90 anos, a comunidade de Balocas juntou várias gerações numa jornada de voluntariado realizada neste fim de semana alargado de 3 a 5 de outubro, com um objetivo muito concreto: preparar e proteger as linhas de água da aldeia antes do inverno.
Promovida pela União Progressiva da Povoação de Balocas (UPPB), a ação concentrou-se em três locais com problemas e funções distintas: a ribeira de Balocas, na zona conhecida como o “Porto”, o valado dos “Balbacelos” e o sistema de regadio do “Balfrago”.




Na ribeira de Balocas/”Porto”, os voluntários desentupiram as saídas do pontão, removendo terra, pedras e outros materiais que dificultavam o escoamento. Entre os obstáculos encontrava-se uma antiga e pesada estrutura metálica, parcialmente soterrada, cuja remoção exigiu o esforço conjunto de vários voluntários. A intervenção procurou salvaguardar não apenas a passagem da água, mas também a ligação entre as duas margens e os acessos ao “Outeiro das Fontes” e à “Falgarosa”.
No valado dos “Balbacelos”, os trabalhos incidiram num antigo sistema de transvase de água entre barrocos. Esta solução permitiu, ao longo do tempo, desviar a água e aproveitar para cultivo o antigo curso de água via construção de socalcos. A obstrução do valado tinha já contribuído para derrocadas de muros nas proximidades do ramal de acesso a Balocas, aumentando a preocupação com a aproximação do inverno e com a possibilidade de novas derrocadas, caso o valado não tivesse capacidade para receber e escoar as águas das chuvas. Os trabalhos concentraram-se, por isso, na remoção de terras, pedras e outros materiais que impediam o normal escoamento.
Já no sistema de regadio do “Balfrago”, a desobstrução procurou devolver a água ao seu percurso. Os entupimentos faziam com que esta se dispersasse pelos socalcos, encharcando-os e contribuindo para debilitar as respetivas estruturas.
A intervenção ganha especial relevância no contexto posterior ao incêndio de agosto de 2025, que atingiu Balocas e a sua envolvente. Num território fragilizado pelo fogo, as chuvas podem aumentar a erosão e o arrastamento de terras, pedras e outros detritos, tornando particularmente importante manter desimpedidos os caminhos naturais e tradicionais da água.
Todo este trabalho foi feito pela própria comunidade. O participante mais novo tinha 20 anos e o mais velho 90. Setenta anos separavam-nos, mas nesta jornada trabalharam lado a lado pelo mesmo objetivo.
Para a UPPB, a mobilização demonstra que a recuperação do território também se constrói a partir da comunidade: conhecendo os lugares, identificando os problemas e juntando mãos para lhes dar resposta.





