* Nas eleições autárquicas de 2025, a candidatura do Grupo de Cidadãos Eleitores “Juntos Por Loriga” – “JPL”, encabeçada por Luís Costa, venceu em Loriga, assumindo a gestão da Junta de Freguesia com um programa assente em seis grandes áreas: administração e transparência, ambiente e sustentabilidade, equipamentos e infraestruturas, cultura e turismo, saúde e bem-estar e apoio à diáspora.
Ao completar-se o primeiro ano de mandato, o Jornal de Santa Marinha regressa à freguesia no âmbito da iniciativa «Dar voz às freguesias — Um ano depois», para ouvir o presidente sobre o trabalho desenvolvido e os desafios que se colocam à comunidade.
Nesta entrevista, o atual executivo da Junta de Freguesia de Loriga, liderado por Luís Costa, tendo como secretária Cristina Romano e tesoureira Isabel Moura faz um balanço do trabalho desenvolvido, das prioridades assumidas e dos projetos que pretende concretizar.
Comunicação com a população, saúde, mobilidade, ambiente, cultura e valorização dos espaços públicos estão entre as áreas que têm marcado a ação do executivo.
“Loriga tem um enorme património humano, natural e cultural. Cabe-nos a todos valorizá-lo.”
Executivo da Junta de Freguesia de Loriga
.
Jornal de Santa Marinha (JSM): Das prioridades apresentadas na campanha, o que foi possível concretizar neste primeiro ano e o que está ainda por fazer?
Luís Costa (LC): Este primeiro ano foi, sobretudo, um período de concretização de medidas de proximidade, mas também de preparação e procura de soluções para projetos que exigem maior investimento.
Na área da comunicação e proximidade, começámos já a concretizar uma das prioridades apresentadas no programa eleitoral, através da criação e melhoria de ferramentas digitais, nomeadamente website, aplicação e QR Codes, que pretendemos que sejam instrumentos úteis para informar e aproximar a população da Junta e dar a conhecer a freguesia, o património, os serviços e as suas envolvências.
Foi também realizada uma Assembleia Comunitária, procurando criar um espaço de diálogo direto com a população e ouvir as suas preocupações, sugestões e propostas.
Temos igualmente trabalhado na procura de novas fontes de rendimento para a Junta, com o objetivo de reforçar a capacidade financeira da autarquia e, consequentemente, a possibilidade de concretizar mais projetos.
Na área ambiental, desenvolvemos ações de sensibilização para a recolha de monos, procurando melhorar o sistema através da atualização das taxas, da definição de dias específicos para recolha e de uma maior sensibilização da população.
Na área dos equipamentos e mobilidade, foi possível concretizar a aquisição de uma viatura de transporte, destinada a apoiar as deslocações para Seia e freguesias anexas, bem como o transporte associado à Praia Fluvial de Loriga.

Temos também intervindo na melhoria do Parque de Caravanas do Regato. É uma intervenção que ainda não está concluída, essencialmente por limitações financeiras, mas que continua a ser uma prioridade.
Ao longo deste primeiro ano, a Junta apoiou igualmente festas, iniciativas culturais e eventos da vila, procurando dinamizar a comunidade e criar atividades destinadas a diferentes faixas etárias, incluindo crianças e seniores.

Na área da saúde, a defesa do Polo de Saúde de Loriga esteve presente desde o primeiro dia do mandato. A Junta tem mantido contactos e reuniões de trabalho com a USF Nova Estrela, procurando garantir as melhores condições possíveis para a população. A própria Junta assumiu ainda o pagamento de uma funcionária para assegurar apoio no Polo.
A questão da saúde continua, aliás, muito presente na comunidade. O encerramento temporário do Polo em setembro gerou preocupação entre os habitantes e esteve na origem de uma vigília promovida pela população, num contexto em que a USF Nova Estrela e o Município esclareceram que não estava em causa um encerramento definitivo.
Outra área em que procurámos dar resposta foi a dos animais errantes, com a colocação de abrigos e identificação, nomeadamente para gatos, em articulação com o Município e associações.
Naturalmente, há ainda muito por fazer. Projetos como a conclusão da intervenção no Parque de Caravanas, a requalificação de espaços públicos, a melhoria de algumas vias e outras intervenções previstas no programa eleitoral dependem de recursos financeiros e, em alguns casos, da articulação com o Município e outras entidades.

JSM: Quais têm sido as principais preocupações no trabalho desenvolvido e a desenvolver? Que apoios e dificuldades encontrou na concretização das prioridades?
LC: A principal preocupação tem sido responder às necessidades concretas das pessoas.
Uma freguesia como Loriga enfrenta desafios muito próprios: envelhecimento da população, necessidade de melhores acessibilidades, defesa dos serviços de proximidade, manutenção dos espaços públicos, mobilidade e necessidade de criar condições para fixar população.
A saúde é, naturalmente, uma das nossas maiores preocupações. Desde o início procurámos acompanhar de perto a situação do Polo de Saúde, mantendo contacto com as entidades responsáveis e procurando soluções sempre que surgem dificuldades.
Também a mobilidade é fundamental. A aquisição da viatura permite dar uma resposta que consideramos importante às deslocações da população para Seia e localidades próximas.
Temos contado com a colaboração do Município de Seia, associações, instituições, população e outras entidades, porque acreditamos que uma freguesia não se desenvolve isoladamente.
A principal dificuldade é, muitas vezes, financeira. Há projetos que são necessários e para os quais existe vontade de avançar, mas que exigem investimentos superiores à capacidade financeira da Junta. É precisamente por isso que temos procurado novas fontes de receita e parcerias.
A própria valorização da Praia Fluvial demonstra a importância desta articulação. Em 2026, a Praia Fluvial de Loriga voltou a receber as distinções Bandeira Azul, Qualidade de Ouro e Praia Acessível, existindo também apoios municipais para intervenções de valorização e manutenção.

JSM: Como tem sido a participação da população na vida e nas decisões da freguesia?
LC: Queremos uma Junta próxima e aberta à população.
A realização da Assembleia Comunitária foi precisamente nesse sentido: criar um momento em que os loriguenses pudessem falar diretamente, apresentar preocupações e contribuir com ideias.
A participação da população é essencial. Muitas vezes, são os próprios habitantes que conhecem melhor determinados problemas porque os vivem diariamente.
Temos procurado ouvir as pessoas no contacto direto, através da Junta e também através dos meios digitais que estamos a criar e melhorar.
Queremos que a comunicação seja cada vez mais simples e acessível. A criação do website, da aplicação e dos QR Codes pretende precisamente facilitar esse contacto e permitir que a informação chegue mais rapidamente aos fregueses.
JSM: Que passo gostaria de ver dado na freguesia ao longo do próximo ano?
LC: Gostaria de ver Loriga avançar na concretização de projetos estruturantes, sem perder a atenção às pequenas coisas que fazem diferença no quotidiano das pessoas.
Queremos continuar a trabalhar na melhoria das infraestruturas, dos espaços públicos, das acessibilidades e da mobilidade.




Gostaríamos também de avançar na conclusão da intervenção no Parque de Caravanas do Regato, continuar a valorizar a Praia Fluvial e criar condições para que o turismo possa contribuir cada vez mais para a economia local.
Outro objetivo fundamental é continuar a defender os serviços de proximidade, com particular atenção à saúde.
Queremos ainda reforçar a capacidade financeira da Junta, porque sabemos que muitos dos projetos que a população deseja dependem dessa capacidade.
JSM: Que iniciativas/atividades estão previstas para os próximos meses?
LC: Nos próximos meses queremos continuar a dinamizar a freguesia com atividades culturais, recreativas e intergeracionais, procurando envolver crianças, jovens, adultos e seniores.


Está também previsto continuar o trabalho de valorização turística e ambiental, bem como a divulgação do património e das potencialidades de Loriga.

Queremos dar continuidade ao trabalho desenvolvido na comunicação digital, tornando o website, a aplicação e os QR Codes ferramentas cada vez mais úteis para quem vive em Loriga e para quem nos visita.
Continuaremos igualmente a trabalhar na área da saúde, no acompanhamento do Polo de Saúde, na melhoria dos espaços públicos, na questão dos animais errantes e na sensibilização ambiental.
A valorização da Praia Fluvial continuará a ser uma prioridade. Este espaço voltou a receber em 2026 os principais galardões associados à qualidade, segurança e acessibilidade, reforçando a sua importância para a freguesia.

JSM: Que mensagem gostaria de deixar a todos os fregueses?
LC: A mensagem que queremos deixar é, acima de tudo, de proximidade, compromisso e confiança.
Sabemos que nem tudo se consegue fazer num ano. Há projetos que dependem de financiamento, de outras entidades e de processos que não estão exclusivamente nas mãos da Junta. Mas queremos que os loriguenses saibam que estamos presentes, ouvimos e trabalhamos diariamente pela nossa freguesia.
Queremos uma Loriga mais participativa, mais dinâmica, mais valorizada e com melhores condições para quem cá vive, para quem regressa e para quem nos visita.
O nosso compromisso é continuar a trabalhar com seriedade, procurando concretizar aquilo que é possível e lutando junto das entidades competentes por aquilo que a Junta, sozinha, não consegue realizar.
Loriga tem um enorme património humano, natural e cultural. Cabe-nos a todos valorizá-lo.
A nossa porta continuará aberta a todos os fregueses, porque uma freguesia constrói-se com a participação de todos.
Um ano de trabalho, um compromisso para o futuro.
O primeiro ano de mandato fica assim marcado por uma aposta na proximidade, comunicação, saúde, mobilidade, ambiente, dinamização comunitária e valorização turística. O próprio site oficial da Junta apresenta atualmente ferramentas digitais como o Balcão Virtual, participação de ocorrências na via pública e informação autárquica, refletindo a aposta na comunicação e nos serviços digitais.
O desafio para o próximo ano passa agora por transformar algumas das prioridades ainda em curso em obra concreta, procurando ultrapassar as limitações financeiras e reforçar a articulação com o Município e restantes parceiros.
“Trabalhar por Loriga é trabalhar pelas pessoas. É esse o compromisso que assumimos e que queremos continuar a cumprir.”

Artigos relacionados:
Dar voz às freguesias – Autárquicas 2025
* A ordem de publicação das entrevistas é definida pela data de receção de todos os elementos necessários à sua publicação.





