Nas II Jornadas “Construímos Pontes”, a especialista de Medicina Interna, do Hospital Nossa da Assunção de Seia apelou a uma prática médica centrada no afeto, na humildade e na construção de laços entre profissionais e doentes.
“A Medicina é muito mais do que ciência; é a arte de cuidar, de ser e de estar”. Foi com esta premissa que Helena Figueiredo, médica de Medicina Interna, falou aos presentes durante a sua intervenção nas II Jornadas “Construímos Pontes”. Num discurso pautado por uma profunda sensibilidade, a especialista sublinhou a necessidade de resgatar o humanismo como o “centro de todas as pontes” que se pretendem edificar no setor da saúde.
Para Helena Figueiredo, a cooperação verdadeira entre estruturas de saúde — sejam elas próximas ou mais afastadas — deve basear-se num espírito colaborativo, livre de arrogância ou individualismo. “Que se possam criar pontes de verdadeiro cooperativismo: aquele que cede, que dá, que partilha”, afirmou, destacando que a cultura do humanismo é vital para a sobrevivência do próprio sistema.
Segundo a médica, o amor é a “maior força aglutinadora” e o segredo para uma prática clínica de excelência. Colocar quem sofre no centro de tudo, retirando o doente do anonimato, é, nas suas palavras, um privilégio e uma necessidade essencial da nossa humanidade.
Pessoas a tratar de pessoas
Um dos momentos mais marcantes da intervenção foi o apelo à humildade. Embora reconheça a elevada qualificação técnica dos profissionais de saúde, Helena Figueiredo lembrou que, no final do dia, “somos apenas pessoas, profissionais qualificados, a tratar de outras pessoas”.
A especialista enfatizou que o legado de um médico não reside naquilo que se quer mostrar, mas no que verdadeiramente se faz pelo próximo, com bondade e compaixão.
“A humildade de sermos pequenos, muitas vezes a fazer coisas extraordinárias numa luta desigual entre a vida e a morte, é o que nos define.”
Citando o astrofísico Carl Sagan, Helena Figueiredo recordou a nossa pequenez perante a imensidão do cosmos — somos “pó das estrelas” — mas ressalvou que é precisamente nessa consciência que a nossa capacidade de criar pontes se torna divina.
Ao encerrar a sua participação, a médica deixou um voto de esperança para que estas jornadas sirvam de berço para novas conexões, sempre focadas no bem-estar comum e na dignidade da pessoa humana.







