Aprovação da candidatura reforça a projeção internacional do território da Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela e consolida o compromisso com a sustentabilidade, a conservação da natureza e o desenvolvimento das comunidades locais.


A candidatura da Serra da Estrela a Reserva da Biosfera da UNESCO foi aprovada esta sexta-feira, dia 5 de junho, durante a 38.ª Sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa “Man and the Biosphere” (MaB) da UNESCO, que decorreu em Hernandarias, no Paraguai. A distinção foi recebida por Flávio Massano, presidente da Câmara Municipal de Manteigas e vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela.
A decisão representa um marco histórico para a Serra da Estrela, para os seis municípios que integram este território (Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda, Manteigas e Seia) e para toda a Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE), que vê reconhecido, à escala mundial, o valor ambiental, científico, cultural e humano de uma das paisagens mais emblemáticas de Portugal.
A coincidência da aprovação da candidatura ocorreu, precisamente, no Dia Mundial do Ambiente, conferindo um simbolismo acrescido a esta distinção internacional, que reconhece décadas de trabalho na preservação dos ecossistemas de montanha, na valorização dos recursos naturais e na promoção de modelos de desenvolvimento assentes na sustentabilidade.
Com esta classificação, a Serra da Estrela passa a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO, uma das mais prestigiadas distinções atribuídas a territórios que conseguem conciliar a conservação da natureza com o desenvolvimento humano sustentável. Existem, à data, 800 Reservas da Biosfera em todo Mundo, que ocupam cerca de 5% da superfície terreste. Em Portugal, a Serra da Estrela é a 14ª Reserva da Biosfera classificada. A designação reconhece a capacidade do território para afirmar uma relação equilibrada entre as comunidades locais e o património natural, promovendo simultaneamente a proteção da biodiversidade, a educação ambiental, a investigação científica e a inovação territorial.
A nova Reserva da Biosfera da Estrela abrange uma área total de 2.372,99 quilómetros quadrados, distribuída pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela. O território encontra-se organizado em três zonas complementares: uma Zona Núcleo, onde se concentram os valores naturais mais relevantes; uma Zona Tampão, destinada à mediação ecológica; e uma Zona de Transição, onde se desenvolvem as atividades humanas compatíveis com os princípios da sustentabilidade.
Este território de montanha alberga 30 habitats identificados na Diretiva Habitats da União Europeia, e integra uma notável diversidade biológica, geológica e paisagística. A riqueza dos ecossistemas, a presença de espécies endémicas e a forte ligação entre as comunidades e a natureza fazem da Serra da Estrela um exemplo de convivência harmoniosa entre património natural e atividade humana.
A candidatura foi promovida pela Associação Geopark Estrela (AGE), no âmbito do processo de cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela, iniciado em 2021 e consolidado com a aprovação do Plano de Cogestão em novembro de 2024. Este processo envolveu um amplo trabalho participativo, desde autarquias, instituições, comunidade educativa, organizações ambientais, agentes económicos e sociedade civil em torno de uma visão comum para o futuro do território.
A aprovação agora alcançada reforça o posicionamento da Serra da Estrela como um território de referência na adaptação e mitigação das alterações climáticas, que se assume como um verdadeiro laboratório vivo de conhecimento, aprendizagem e inovação. A classificação reconhece igualmente o papel das comunidades locais na preservação dos saberes tradicionais, das práticas agro-pastoris e dos modos de vida que, ao longo de séculos, moldaram a identidade da montanha.
Para a Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela, esta distinção constitui mais um importante instrumento de valorização territorial, e potencia novas oportunidades de cooperação internacional, investigação científica, educação ambiental, turismo sustentável e captação de investimento associado à conservação da natureza e ao desenvolvimento sustentável.
A aprovação da candidatura representa também um reforço do contributo de Portugal para a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO e para os objetivos globais de conservação da biodiversidade, assumidos no âmbito dos compromissos internacionais para a proteção do planeta.
Com esta nova classificação, a Serra da Estrela passa a reunir duas distinções UNESCO no mesmo território: – o estatuto de Geopark Mundial da UNESCO, atribuído em julho de 2020, – e agora a designação de Reserva da Biosfera da UNESCO.
Duas chancelas de excelência internacional que confirmam a singularidade deste território e o importante papel enquanto referência nacional e internacional na promoção da sustentabilidade. Reforça-se o orgulho das comunidades e consolida-se uma visão de futuro assente na valorização dos recursos naturais, na proteção do património e na construção de um território mais resiliente, sustentável e competitivo.

Ministra do Ambiente e Energia felicita a Serra da Estrela
A Ministra do Ambiente e Energia vê neste reconhecimento “uma oportunidade para reforçar a sustentabilidade da Serra da Estrela, colocando a inovação e a educação ambiental ao serviço das comunidades e das gerações futuras”.
Maria da Graça Carvalho destaca “o forte envolvimento dos autarcas e da sociedade civil”, que tanto contribuíram para o sucesso do projeto, o papel da Associação Geopark Estrela, que promoveu a candidatura, e da Professora Helena Freitas, que assegurou a sua coordenação científica.



