O CineEco exige uma apreciação séria e não meramente protocolar

O Festival continua a ser um ativo cultural de enorme valor para Seia e para a Serra da Estrela, mas a sua comunicação, tal como tem sido conduzida, já não tem a pujança nem a capacidade mobilizadora que em outros tempos lhe permitiam ocupar, de forma natural, o centro da vida do Concelho e ganhar projeção nacional.

Durante anos, o CineEco afirmou-se pela força da sua identidade: um festival único em Portugal, com vocação ambiental, enraizado no território e reconhecido além-fronteiras.

Mas a força de uma marca não vive apenas do seu passado. Vive da capacidade de se renovar, de se afirmar na agenda pública e de manter uma ligação viva com a Comunidade que lhe dá casa. E é precisamente aqui que se sente hoje uma evidente perda de intensidade. O Festival continua a existir, sim, mas nem sempre continua a ser sentido com a mesma presença, a mesma energia e a mesma centralidade.

Isto não é um detalhe menor. Quando um evento desta dimensão deixa de ser assunto do Concelho com a naturalidade de outrora, quando a sua presença no espaço público se torna mais institucional do que popular, quando a sua visibilidade nacional parece depender mais da inércia da marca do que de uma estratégia realmente agressiva e contemporânea, então é legítimo perguntar se não estaremos perante um enfraquecimento da sua capacidade de afirmação.

E um festival que perde presença no território perde também parte do seu poder de influência para lá dele.

Importa dizer com frontalidade que o Concelho de Seia não pode tratar o CineEco como um ritual anual, encerrado num cartaz, numa cerimónia e em alguns momentos de visibilidade episódica.

Um festival como este tem de viver no Concelho durante todo o ano, na escola, no comércio, nas associações, nas ruas, na comunicação social local e regional, e também na projeção nacional que se exige a um projeto com esta história e este prestígio.

Se essa ligação enfraquece, então a responsabilidade não é do público por se afastar; é de quem deixou esmorecer a capacidade de convocação do próprio evento.

Pior do que a perda de visibilidade é a resignação perante ela. Não basta celebrar o legado do CineEco nem repetir que ele é importante. É preciso perguntar por que razão a sua força de mobilização local parece hoje menos evidente, por que motivo o seu eco nacional se tornou mais discreto e por que razão o Concelho já não o sente com a intensidade que justificaria a sua dimensão simbólica e estratégica.
Um festival ambiental de referência não pode ser apenas uma boa memória nem uma marca respeitável; tem de ser uma presença viva, poderosa e incontornável.

Se Seia quer continuar a afirmar-se através do CineEco, então tem de exigir mais do que manutenção. Tem de exigir ambição, comunicação forte, envolvimento real da Comunidade e uma estratégia de projeção que devolva ao Festival o lugar que merece: o de um grande acontecimento cultural, ambiental e territorial, capaz de unir o Concelho e de projetar a sua imagem no País com a mesma força com que um dia o fez.

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