A frase ficou célebre e teve origem na missão Apollo 13, quando, no dia 13 de abril de 1970, um tanque de oxigénio da nave explodiu, a mais de 300.000 quilómetros da terra. O objetivo principal, a alunagem, foi abortado e o foco principal foi transferido de modo garantir o regresso dos astronautas à terra, tarefa que muitos consideravam impossível. Foram mobilizados todos os recursos humanos experientes e capazes, que responderam “sim” à chamada e contribuíram para trazer a tripulação de volta à terra, com vida, após a grave explosão. O episódio, várias vezes apresentado como o maior “fracasso de sucesso” da história, foi vertido para o cinema com o filme Apollo 13 (1995), protagonizado por Tom Hanks.
Lembrei-me deste FILME à medida que fui acompanhando o “filme” da polémica da avaliação dos exames de acesso ao ensino superior. O ministro da educação já tinha deixado boa impressão na sua passagem pelo governo anterior, apesar da curta duração, impressão que passou a certeza no exercício da função durante este governo, mostrando competência, ser conhecedor do sistema educativo e dos dossiers, serenidade e uma vontade reformista. Até ao dia de hoje (22), dia em que o ministro concedeu uma entrevista ao canal público, Fernando Alexandre mostrou que é o homem certo no lugar certo. Aliás, se não o fosse, partidos da oposição e a FENPROF não se teriam apressado a pedir a sua demissão. Alguém que, na sua opinião, acha que o comboio vai desgovernado e sem controle, sugere, como solução, mandar o maquinista fora, é alguém que não quer participar na solução, mas sim livrar-se de responsabilidades e ainda tirar proveito próprio da situação, mesmo que isso signifique lançar o comboio e os passageiros no abismo.
Enquanto uns assumiram a sua responsabilidade, de esclarecer, de avaliar as provas, de manter as escolas abertas, de manter serenidade e confiança no processo, outros, tirando os que adoeceram, ocuparam o tempo a criar petições, plataformas e a enviar mensagens aos pais e encarregados de educação, incitando-os a “protestar”, “reclamar” e “não aceitar”, ignorando as palavras “colaborar”, “esclarecer” e “cooperar”. Temos um problema, pelo que, a estes, recomendo ver e aprender com o FILME.
O Presidente da República também entrou a meio do filme, com uma intervenção curta, “os alunos e os encarregados de educação não podem ser prejudicados”. Que sorte a de Portugal em ter um PR que, com a sua superior clarividência e mergulhado no seu discreto exercício do poder, nos tranquiliza e incentiva desta forma. Se para alterar ou corrigir o sistema de ensino, ou outro, for preciso parar ou interromper, mesmo prejudicando os alunos e pais, não há que hesitar. Não seria a primeira vez que acontecia no nosso país.
A coincidência em ambos os acontecimentos, foi o comportamento da comunicação social. Ignorou inicialmente a missão por a considerar banal e sem novidade, não transmitiu a primeira comunicação da tripulação para terra, posição que alterou, radicalmente, a partir do momento em que lhe cheirou a dramatismo e a desgraça.
“HOUSTON, TEMOS UM PROBLEMA”




