Apesar de nem sempre ser visível, a ciência avança a um ritmo extraordinário. Neste mês, alguns desses avanços vão desde a Inteligência Artificial e a matemática até à astronomia e à exploração espacial.
A ciência é, para alguns, uma área associada a laboratórios distantes, universidades e descobertas que parecem completamente desligadas do nosso dia a dia. No entanto, é exatamente o contrário.
Muitas das questões que os cientistas estudam hoje têm o potencial de transformar o nosso mundo amanhã. Desde a Inteligência Artificial, que começa a enfrentar alguns dos problemas mais difíceis da história, passando pelos novos telescópios que têm o potencial de mudar a maneira como pensamos e olhamos para o céu, até às espaçonaves que podem redefinir os limites da exploração humana, a ciência avança a um ritmo extraordinário.
É com esta ideia em mente que trazemos alguns dos desenvolvimentos mais interessantes da ciência para mais perto da nossa comunidade.
Começamos por uma questão: o que é que a Inteligência Artificial tem a ver com um problema matemático em aberto há mais de 200 anos?
Até há alguns anos, seria impensável imaginar que uma Inteligência Artificial pudesse contribuir para resolver alguns dos maiores problemas da matemática. No entanto, no dia 8 de setembro, a OpenAI anunciou que os seus modelos de IA tinham produzido uma solução para um deles: o problema de Navier-Stokes.
No ano 2000, o Clay Mathematics Institute estabeleceu sete problemas considerados como alguns dos maiores desafios da matemática moderna. Conhecidos como os Problemas do Milénio, são problemas que permanecem em aberto há décadas, ou até séculos, cuja resolução é recompensada com um prémio de um milhão de dólares e várias distinções na comunidade matemática.
Até ao dia 8 de setembro, apenas um dos sete tinha sido resolvido: a Conjetura de Poincaré, pelo matemático russo Grigori Perelman, que recusou o prémio.
A OpenAI anunciou então que os seus modelos tinham encontrado uma solução para o problema de Navier-Stokes, cuja importância se estende à forma como compreendemos o comportamento dos fluidos, como a água ou o ar. Se a solução for validada pela comunidade matemática, poderá representar um momento histórico para a Inteligência Artificial e para a própria matemática. A OpenAI afirmou, no entanto, que não pretende aceitar o prémio.
O anúncio trouxe também controvérsia, especialmente devido a questões relacionadas com alguns dos métodos utilizados e com a atribuição de ideias a investigadores humanos. Para além disso, a rivalidade entre as empresas de Inteligência Artificial, como a OpenAI e a Anthropic, tornou o caso ainda mais discutido.
Mas a Inteligência Artificial não é a única tecnologia a mudar a forma como fazemos ciência. Um exemplo disso é o telescópio espacial Nancy Grace Roman, lançado pela NASA no dia 30 de agosto, que promete mudar a maneira como observamos o Universo.
Este telescópio terá como um dos seus principais objetivos estudar a matéria escura e a energia escura, fenómenos que ainda não compreendemos completamente. Embora não possamos observar diretamente a matéria escura, sabemos que algo invisível parece contribuir para a massa das galáxias, através dos seus efeitos gravitacionais.
Roman irá observar enormes porções do céu de uma forma nunca antes feita, permitindo realizar em poucos meses registros que levariam anos com outros telescópios, representando assim uma verdadeira revolução na astronomia.
Uma de muitas que estão a acontecer na exploração espacial. Os avanços nesta área também se fazem sentir na corrida para regressar à Lua. A China tem avançado com os preparativos para levar seres humanos à superfície lunar até 2030, enquanto o programa Artemis, liderado pela NASA e desenvolvido com a colaboração de parceiros internacionais, pretende também levar astronautas de volta à Lua.
A China e os Estados Unidos planeiam, inclusive, desenvolver infra-estruturas permanentes na Lua, nomeadamente na região do polo sul lunar, onde se encontra a cratera Shackleton. Esta região é particularmente interessante devido à possível presença de gelo de água, um recurso essencial para futuras missões de longa duração.
Deixo então esta pergunta pertinente: Quem será o primeiro a regressar à Lua depois de mais de meio século?
Mais importante ainda, estes acontecimentos mostram que, seja através da matemática, da Inteligência Artificial, da Astronomia ou da Exploração Espacial, a ciência continua a expandir aquilo que somos capazes de compreender, observar e alcançar.



