Existem pessoas que sabem cuidar de toda a gente, mas não sabem o que fazer quando são elas a precisar de cuidado. Certamente conheces alguém assim…
Essa pessoa talvez responda rapidamente a mensagens e/ou chamadas, antecipa necessidades, ajuda, organiza, resolve, acolhe… Normalmente, são adultos emocionalmente exaustos. Adultos que têm dificuldade em pedir ajuda, que colocam os outros como prioridade, não descansam e ainda se culpam quando o fazem, que tendem a querer “parecer fortes”, mas que vivem permanentemente em estado de alerta. Serão estes os adultos funcionais?
No meio desta disponibilidade, o problema não é apenas o eventual cansaço, mas também a sua identidade. Estará a autoestima destas pessoas a ser alimentada pelo cuidado aos outros?
Cuidar dos outros é profundamente humano. Mas também é humano cuidar de nós próprios ou precisar de colo.
Há pessoas que passaram uma vida inteira a cuidar, mas já pensou que, quando gostamos de alguém, também desejamos que essa pessoa cuide de si? Não por obrigação, mas porque queremos a sua presença, a sua saúde e o seu bem-estar ao longo do tempo. Quando gostamos verdadeiramente de alguém, não queremos apenas cuidar dessa pessoa. Queremos também que ela se cuide.
Aprender a cuidar de si não começa com grandes mudanças. Começa com algo mais simples e, ao mesmo tempo, mais difícil: permitir que alguém cuide de nós sem culpa. No entanto, as pequenas escolhas do dia a dia também promovem esse cuidado. Neste verão, escolha aprender a dizer “não” sem justificar excessivamente; reconhecer sinais de cansaço antes da exaustão; permitir pausas sem culpa; pedir ajuda quando é necessário, em vez de tentar fazer tudo sozinho; escolher relações onde também há espaço para receber e não apenas para dar; respeitar limites físicos e emocionais.
No fundo, cuidar de nós próprios é também isto: sair do modo de sobrevivência e começar a incluir-nos na equação da nossa própria vida.



