…Enquanto ficares à espera, Ninguém te pode ajudar (Jorge Palma). Os portugueses parecem ficar sempre acomodados, à espera que algo, como foi o ouro do Brasil, algum milagre, como o de Fátima, ou alguém, como um Presidente da República, os venha ajudar a resolver os seus problemas.
Talvez também por isso Portugal seja frequentemente descrito como o país dos absurdos, expressão que reflete as situações paradoxais do comportamento dos portugueses.
É um absurdo que um país com dez milhões de habitantes no território nacional e onze milhões de potenciais eleitores, contando a diáspora, mas em que apenas metade vota, tenha onze candidatos a PR, qualquer um pior que o antecessor.
É um absurdo que um país que criou uma lei da paridade, porque considerava que não havia representação equilibrada de géneros nas listas eleitorais de alguns orgãos, incluindo a Assembleia da República, se confronte com um desequilíbrio extremo de géneros, numa eleição cujos candidatos partem de uma decisão pessoal, e não imposta por leis ou partidos.
É absurdo que um pseudo-candidato que vem de um partido com uma representação parlamentar de seis deputados, seis, incluindo ele próprio, seja humilhantemente ultrapassado por um candidato surrealista que, como o próprio afirma, se candidata para expor o “absurdo da política”. Isto é rebaixar o papel das eleições e do lugar de Presidente da República.
Está em final de mandato, após 10 anos de presidência, um PR que, em 2019 tinha assumido o objetivo de erradicar o fenómeno dos sem-abrigo em Portugal até 2023. O mesmo PR que, em 2022, e com a justificação da pandemia, sempre a pandemia, voltou a fazer a mesma promessa, já não até 2023, mas “num prazo razoável”.
Todos sabemos o resultado, mas preferimos ignorar, porque todos temos responsabilidades nisso, quer direta ou indiretamente,e é mais cómodo ficar à espera que o problema se resolva por si ou alguém o resolva.
Tivemos onze candidatos, agora reduzidos a dois, que prometeram e prometem, resolver os problemas do SNS, da habitação, do desenvolvimento da economia, do êxodo dos jovens qualificados e tudo mais.
Mesmo não estando no âmbito dos seus poderes e com o exemplo apresentado acima sobre a erradicação dos sem-abrigo, e outros poderiam ser apresentados, os candidatos têm o descaramento de garantir que são a solução desses problemas, e os portugueses a ingenuidade de acreditar que eles são a salvação de Portugal. Bem podem ficar à espera.





