O circo Romero apresenta-se este fim-de-semana na Vila de Santa Marinha (Seia), com dois espetáculos, um no sábado, às 21 horas e outro no domingo à tarde, às 16 horas. O JSM esteve nas imediações do Polidesportivo de Santa Marinha e conversou com a Liliana e a Salete, duas das artistas deste circo. Entre o malabarismo e a magia, o destaque vai para o “Palhaço Salsicha”, o rosto que marca a identidade desta família circense.
Santa Marinha acolhe, este sábado e domingo, o Internacional Circo Romero. A companhia traz à vila um espetáculo que une gerações, desde os artistas veteranos até à mais pequena estreante, de apenas cinco anos.
O Circo Romero é o resultado de cinco gerações dedicadas às artes circenses. Embora a base logística seja em Aveiro, a família confessa que o seu verdadeiro lar é a estrada. “Somos de Portugal inteiro”, afirma Liliana, sublinhando que a vida “com a casa às costas” é a única que conhecem e amam.
Os desafios da itinerância
Apesar da paixão, a vida circense enfrenta obstáculos muito precisos. A falta de recintos preparados para receber as caravanas e a ausência de apoios estatais tornam a gestão do circo um exercício de equilíbrio tão difícil quanto os números apresentados no palco.
“O circo não é apoiado. Temos de pagar as nossas licenças e fazer os nossos descontos. Temos de guardar dos dias bons para os dias maus”, revela Liliana, destacando a importância da hospitalidade e recetividade das autarquias e juntas de freguesia, como aconteceu em Santa Marinha. “Tivemos aqui a ajuda do sr. Presidente desta localidade, Santa Marinha, que por acaso nos deu o local para nos instalarmos. Também, queríamos atuar noutras localidades do concelho de Seia, mas não conseguimos, porque nos disseram que não têm um local para nós.”
“Salsicha”: o fenómeno de apenas 12 anos
O espetáculo promete variedade: malabaristas, trapezistas, equilibristas, magia e a presença dos palhaços Salsicha e Parafuso. No entanto, é o Palhaço Salsicha quem rouba as atenções. Com apenas 12 anos, o jovem artista tornou-se a imagem de marca da companhia, ao ponto de a família ponderar a alteração do nome para “Circo do Salsicha”.
A educação destes jovens é feita com rigor, adaptando-se à vida nómada. Enquanto a criança mais nova vai frequentando o jardim-de-infância das localidades por onde o circo passa (de referir que nesta altura, a menina está no Jardim da Fundação Aurora Borges – Santa Marinha), o “Salsicha” (no 8.º ano) e o seu irmão Miguel (que termina agora o 12.º ano) recorrem ao ensino à distância, provando que o circo e os livros podem caminhar lado a lado.
Horários e convite à população
As sessões em Santa Marinha decorrem no sábado, às 21h00, e no domingo, às 16h00. Mais do que um espetáculo de entretenimento, as artistas reforçam que o circo é um ato de resistência cultural. “Virem divertir-se e ajudar a cultura” é o apelo final de uma família que, entre saltos e gargalhadas, continua a escrever a história do circo em Portugal.






















