Com o fim do verão à vista, nesta quinta chega o evento agrícola mais aguardado: a vindima.
A colheita das uvas não é apenas um trabalho, é um ritual comunitário ancestral que une gerações, celebra a terra e ajuda a economia de muitas terras e das suas gentes.
Ao percorrer os caminhos de terra por onde se erguem os vinhedos, o som das conversas, dos risos e do barulho das tesouras ecoam na tranquilidade do dia.
Ao longe, avistam-se pequenos grupos de trabalhadores, curvados sobre as videiras, cortando e colocando as uvas em baldes.








O ritual da colheita manual
”Este ano, as uvas estão com uma cor magnífica e um teor de açúcar muito elevado”, comenta, com satisfação, um dos trabalhadores desta quinta em Santa Marinha, concelho de Seia, enquanto observa o trabalho já feito e aquele que ainda falta.
O método manual, embora mais laborioso, continua a ser o preferido para garantir a seleção e integridade dos melhores cachos.
Com tesouras afiadas, cortam os cachos de uvas tintas densas e escuras e depositam-nos em baldes. Quando cheios, estes baldes pesados são carregados para o trator e, depois, esvaziados em contentores metálicos maiores.
Num dos momentos do dia, dois homens, levantam um balde cheio para despejar as uvas num reboque. A eficiência deste processo é crucial para que a uva chegue à adega o mais fresca possível.










Retemperar das energias
À medida que o sol sobe, os contentores enchem-se, para depois seguirem para a Adega. O cheiro doce do mosto começa a perfumar o ar da manhã.
É agora tempo de fazer uma paragem para uma merenda reforça a meio da manhã para reabastecer energias e fortalecer laços. Junto da casa desta quinta, estende-se uma longa mesa farta: bebidas, enchidos, pão, bolo, salgados, entre outras iguarias esperam pelos trabalhadores.
Este momento de partilha é essencial.









”Vindimar sem um boa comida de grupo não é vindima”, diz uma das trabalhadoras mais velhas. “É aqui que esquecemos o cansaço das costas e celebramos o estarmos juntos.”
Com a barriga cheia e o espírito renovado, o grupo regressa às fileiras de videiras.
Por volta das 13h30m, mais um momento de convívio, com um almoço como manda a lei: uma bela feijoada.
A tarde será longa, mas o sentimento de dever cumprido e a promessa de um novo vinho que, daqui a uns meses, será partilhado em novas mesas, alimentam o esforço.





