Incêndios de 2017. O combate, as causas dos incêndios e a sua prevenção.
Discurso de João Tilly, deputado do CHEGA na Assembleia da República e deputado na Assembleia Municipal de Seia.
Audição, ao abrigo do n.º 1 do artigo 16.º do Regime Jurídico dos Inquéritos Parlamentares, do Professor Doutor Joaquim Sande Silva, na qualidade de professor da Escola Superior Agrária de Coimbra, de anterior membro do Observatório Técnico Independente e de anterior membro das Comissões Técnicas Independentes para análise dos factos relativos aos incêndios que ocorreram em 2017 em Portugal Continental
Na Ordem de Trabalhos (OT) de hoje, temos o sr Professor Doutor Joaquim Sande Silva, para responder a esta comissão numa análise dos factos relativos aos incêndios que ocorreram em 2017 em Portugal Continental
Comecemos pela OT incêndios de 2017. O combate.
A seguir abordarei as causas dos incêndios e no final a sua prevenção.
1 – Falou em Seia e eu vou dar-lhe um Exemplo da total falha no combate aos incêndios da Serra da Estrela de 2017 – os maiores da História.
No dia 15 de Outubro de 2017 a principal notícia foi a Ausência física tanto do Comandante dos BV como do Director da Prot Civil Municipal num dia de alerta vermelho e na hora do deflagração deste incêndio, cerca das 9 da manhã no Sabugueiro. Foi notícia do “sexta à 9” da RTP.
Os 2 canadairs estacionados em Seia não lançaram uma gota de água nos incêndios da Serra da Estrela – onde estavam estacionados – por absoluta falta de comando no combate aéreo ao incêndio. Ninguém mandou lançar água em Seia. Não estava lá ninguém para o fazer.
Morreram 16 pessoas em Seia e Oliveira do Hospital. Repito: Com total ausência de comando no ataque aéreo aos incêndios .
O que lhes aconteceu a este comandante e a este director da Prot Civil Municipal?? Nada!
Portanto, os Canadairs na Serra da Estrela, estacionados em Seia, na Serra da Estrela, foram absolutamente inúteis para a Serra da Estrela.
Gostava de saber se tem conhecimento deste episódio que poderia ter mudado tudo na região e poderia ter salvo a vida a 16 pessoas. E o seu comentário sobre isto.
O que se aprendeu? Alguma coisa, porque em 2022 novo Fogo em Seia mobilizou 9 meios aéreos. Mas já não os tínhamos em Seia. Enquanto os tivemos ali não nos serviram para nada.
E depois o ano passado 600 operacionais combateram novamente em Seia um mega-incêndio que teve um suspeito detido por fogo posto.
Mas tenhamos a coragem de ir ao FUNDO da QUESTÃO do que PROVOCA REALMENTE a esmagadora Maioria dos incêndios! E como os EVITAR – não é APENAS COMBATÊ-LOS!
2 – Comecemos pelos Incêndios deflagrados de noite e de madrugada: São fogos postos. TODOS!
A 100%. E são um terço deles.
Por ex: Ontem o site fogos.pt registou
66 incêndios entre as 8h da manhã e as 16h.
E mais 55 entre as 16h e as 24h. Num total de 121 incêndios ontem. Ninguém fala disto.
Na noite anterior houve mais 15.
Esta noite, a chover, houve mais 3.
Ninguém faz queimadas nem roça o mato de madrugada e a chover.
Com este tempo isto é a prova cabal do incendiarismo.
Há um mês o país estava alagado em água. Terrenos saturados, cheias por todo o lado, barragens a abarrotar. Vem o sol e nessa MESMA semana já há incêndios!
Não são teorias da conspiração. Não é autoignição do eucalipto.
Eram precisas temperaturas ambiente da ordem dos 350 º para o eucalipto se incendiar. Essas temperaturas não existem neste planeta. Talvez em Vénus. Mas não na Terra.
O eucalipto não tem culpa do fogo que lhe ateiam de madrugada.
Temos que de uma vez por todas COMEÇAR a falar a Verdade ao povo. Verdade que o Povo está farto de conhecer. O povo sabe que a esmagadora maioria do fogo é posto. Ninguém percebe porque é que se continua a tentar branquear esta evidência.
Portanto: a forma de evitar – E NÃO APENAS COMBATER – a esmagadora maioria dos incêndios é vigiar as matas. Como se fez na Serra da Estrela nos anos 80 e 90 com o exército. Não houve UM incêndio nas regiões em que o exército esteve estacionado e enquanto o exército esteve estacionado.
Enquanto não mudarmos de paradigma na análise dos incêndios continuamos a tentar apagar fogos em vez de os evitar.
Há que vigiar as matas com brigadas Humanas, Proteção Civil, Forças Armadas, Voluntários e mais de metade dos incêndios – e todos os nocturnos – simplesmente terminam.
Com auxílio a drones auto activados e imagiologia por satélite que hoje em dia custa cêntimos por hora.
Gostava de ouvir o seu comentário sobre este tema da vigilância das matas. E se acha ou não que este é o caminho mais lógico.
Só que, sem incêndios, deixará de haver MIL MILHÕES por ano para distribuir por muita gente e por muitas empresas…
e eu acho que esses muitos agentes e essas muitas empresas fornecedoras de meios e material de combate aos incêndios não vão gostar disso….



