Aprovado pela A3ES, o programa doutoral pretende responder a desafios societais como o envelhecimento ativo, a promoção de estilos de vida saudáveis, a inclusão através do desporto adaptado, a sustentabilidade ambiental, as políticas públicas desportivas e a prescrição de exercício clínico. “Esta dupla orientação – tecnológica e social – reflete a vocação aplicada do ensino politécnico e a ambição de produzir investigação com relevância para as comunidades e o tecido socioeconómico do país”, afirma Joaquim Brigas, presidente do IPG
O Instituto Politécnico da Guarda – IPG integra o consórcio de seis politécnicos que viram esta sexta-feira acreditado pela A3ES, a agência de avaliação e acreditação do ensino superior em Portugal, um novo doutoramento em Ciências do Desporto. Depois da acreditação do doutoramento em Ciências Biomédicas e Biotecnológicas em dezembro de 2025, este será o segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Doutor com atividades curriculares no IPG.
O programa doutoral em Ciências do Desporto resulta da articulação entre o Instituto Politécnico de Santarém (Escola Superior de Desporto de Rio Maior), o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (Escola Superior de Desporto e Lazer de Melgaço), o Instituto Politécnico de Castelo Branco (Escola Superior de Educação), o Instituto Politécnico de Coimbra (Escola Superior de Educação), o Instituto Politécnico de Beja (Escola Superior de Educação) e o Instituto Politécnico da Guarda (Escola Superior de Educação, Comunicação e Desporto).
Na nota de acreditação do doutoramento, a A3ES destacou a coerência global do plano de estudos que os seis politécnicos apresentaram, a orientação clara para a produção de investigação original, a capacitação de investigadores com competências avançadas e o potencial para a geração de conhecimento com impacto científico e social. O curso propõe-se a contribuir para o fortalecimento do ecossistema de investigação em ciências do desporto, promovendo a qualificação de profissionais do desporto e académicos, em domínios importantes para a sociedade portuguesa e para a comunidade científica internacional.
“A participação do Politécnico da Guarda neste doutoramento inédito é mais um resultado da estratégia definida para a investigação científica nos últimos anos, com foco na construção de unidades de Investigação & Desenvolvimento (I&D) próprias e em associação com outras instituições de ensino superior”, afirma Joaquim Brigas, presidente do Politécnico da Guarda. “Em 2025 quatro unidades de I&D em que o IPG participa obtiveram a classificação de “Muito Bom” pela Fundação para a Ciência e Tecnologia – FCT, nomeadamente a unidade de I&D em biotecnologia, criada de raiz na Guarda e formada exclusivamente por quadros científicos do IPG. A sucessão de doutoramentos que começam, agora, a ser acreditados na sequência dessas classificações, são o resultado natural do trabalho que Politécnico da Guarda tem vindo a realizar desde 2019”.
As atividades curriculares do primeiro ano do doutoramento em Ciências do Desporto vão estar distribuídas pelas diferentes instituições do consórcio, permitindo aos doutorandos beneficiar da especificidade de cada escola e das respetivas unidades de I&D. Está definido um plano de gestão de instalações e equipamentos que assegura acesso equitativo, transparente e eficiente a todos os recursos dos politécnicos que participam no consórcio.
O modelo em consórcio constitui, aliás, um dos traços distintivos deste programa de doutoramento, permitindo a partilha de recursos humanos e materiais entre as seis escolas superiores e dois centros de investigação, nomeadamente laboratórios, instalações desportivas, equipamentos e parcerias. Também o corpo docente, altamente qualificado, irá coordenar o seu trabalho nas diferentes escolas, garantindo complementaridade de competências e massa crítica científica ao longo do ciclo de estudos.
O Instituto Politécnico da Guarda participa nesta estrutura através de duas dezenas de investigadores envolvidos no centro de I&D SPRINT, os quais trabalham em duas áreas científicas: “Comportamento Humano e Desempenho Desportivo” e “Atividade Física e Comunidades Sustentáveis”. Segundo Pedro Tiago Esteves, docente e investigador do IPG e membro da direção do SPRINT, “o trabalho que está a ser desenvolvido no Politécnico da Guarda nestas áreas distingue-se pela forma como alia investigação de ponta com inovação tecnológica, ao mesmo tempo que produz impacto comunitário e projetos com diferentes populações-alvo”.
Uma marca distintiva do novo programa doutoral em Ciências do Desporto será a possibilidade de seleção das áreas estratégicas de desenvolvimento de cada estudante com impacto real e significativo no contexto do desporto em que estiver inserido. O programa doutoral irá apostar na inovação metodológica e tecnológica, integrando módulos de formação em inteligência artificial, “machine learning”, tecnologias portáteis e “wearables”, realidade virtual e aumentada, e análise avançada de dados aplicada aos diferentes contextos desportivos.
O objetivo é responder a desafios societais como o envelhecimento ativo, a promoção de estilos de vida saudáveis, a inclusão através do desporto adaptado, a sustentabilidade ambiental, as políticas públicas desportivas e a prescrição de exercício clínico. “Esta dupla orientação — tecnológica e social — reflete a vocação aplicada do ensino politécnico e a ambição de produzir investigação com relevância concreta para as comunidades e o tecido socioeconómico do país”, afirma Joaquim Brigas, presidente do IPG
A abertura de candidaturas está prevista para o próximo ano letivo 2026-2027, dirigindo-se a titulares de mestrado ou licenciatura nas áreas das Ciências do Desporto, Educação Física, Motricidade Humana, Ciências da Saúde e áreas afins, bem como a profissionais com currículo científico ou profissional de reconhecida relevância. O programa terá 20 vagas e um plano curricular que alia formação avançada, mobilidade científica nacional e internacional e integração em projetos de investigação das unidades de I&D do consórcio.





