Hoje comemora-se o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos e o JSM foi ao encontro da equipa de profissionais do Hospital de Seia que cuida, diariamente, de quem mais precisa.
No Hospital Nossa Senhora da Assunção, em Seia, os Cuidados Paliativos não são sinónimo de fim de vida, mas sim de dignidade, apoio e esperança adaptada a cada dia. Composta por profissionais dedicados que enfrentam diariamente o sofrimento extremo com humanidade e empatia, a equipa multidisciplinar desmistifica o estigma associado a este acompanhamento.
Liderada pela médica internista e paliativista Luciana Frade, a unidade acolhe doentes com diversas patologias graves e complexas. “Os cuidados paliativos destinam-se a todos os doentes que tenham um diagnóstico ameaçador da vida. Esse diagnóstico não precisa de ser na sua fase terminal, pode ser precocemente no diagnóstico. As disfunções de órgão crónico, como insuficiências cardíacas e renais, ou síndromes demenciais, cumprem critérios para serem referenciados”, destaca Luciana Frade. A médica reforça ainda que o foco vai além da patologia: “O seu sofrimento global é aquilo que realmente nos importa e daí sermos uma equipa multidisciplinar que apoia todas as dimensões: psicológica, social e clínica.”
Integrada na Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, a estrutura atua em três valências — internamento, equipa comunitária e equipa intra-hospitalar.
O polo de Seia dispõe de 11 quartos individuais que garantem a privacidade necessária para acolher os doentes e as suas famílias. “Os doentes nunca vêm sós, não sofrem sozinhos”, afirma a enfermeira Alexandra Almeida. “Esta possibilidade de ter um quarto privado permite a presença das famílias de uma forma muito mais próxima. Inclusivamente, permite que um cuidador possa permanecer as 24 horas com o doente, se entender que isso é um benefício.”
Para além do apoio na unidade, o acompanhamento no domicílio desempenha um papel essencial na qualidade de vida dos doentes e no combate a preconceitos. O enfermeiro responsável pela equipa, João Coelho, salienta que “a maior parte de nós vai morrer e isso é certo, mas enquanto cá andamos temos que ter algum sentido. Nós falamos muito em vida, procuramos falar pouco em morte.” João Coelho faz questão de desconstruir o mito do internamento sem regresso: “Nós temos doentes que admitimos e damos alta. O doente pode precisar de cuidados paliativos numa determinada fase da sua trajetória e depois deixar de ter essa necessidade.”
Lidar constantemente com situações de elevada carga emotiva exige uma forte coesão entre todos os elementos. Perante o desgaste do dia a dia, a equipa encontra na entreajuda e na própria sensibilidade a força para continuar.
Apesar dos desafios diários e da escassez de recursos humanos, a equipa dos Cuidados Paliativos de Seia mantém-se firme na missão de proporcionar um acompanhamento de proximidade, ajustando a esperança e garantindo conforto e dignidade a quem mais precisa.
“Não falamos de morte, cuidamos da vida”, afirma o enfermeiro João Coelho.








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