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Politécnico da Guarda vai tornar a cereja mais sustentável e resistente às alterações climáticas

Através de uma abordagem inovadora que combina a tecnologia e a natureza, o projeto coordenado pelo Politécnico da Guarda vai promover novas capacidades para a especialização inteligente do setor da cereja. A implementação de um Observatório Ibérico da Cereja, o desenvolvimento de novos produtos e subprodutos a partir do fruto e a criação de novas iniciativas empresariais são outras iniciativas que pretendem inverter a perda da biodiversidade e a degradação dos ecossistemas.

O Instituto Politécnico da Guarda – IPG vai coordenar o “Iberian_Cherry”, um projeto luso-espanhol para proteger a biodiversidade e aumentar a resiliência dos pomares de cerejeira perante as alterações climáticas, valorizando economicamente a cereja ibérica. O “Iberian_Cherry” irá reunir 12 entidades do sistema científico, tecnológico e do setor público das principais regiões produtoras de cereja da Península Ibérica.

Através da implementação de soluções inovadoras e sustentáveis baseadas na natureza, e em Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), o projeto irá promover a produção de cereja com zero resíduos de fitofarmacêuticos. Os investigadores do IPG querem também influenciar o desenvolvimento de políticas públicas transfronteiriças que potenciem a valorização económica e produtos endógenos, como as cerejas de Resende e do Fundão, com Indicação Geográfica Protegida (IGP) e a cereja do Valle de Jerte, em Espanha, com Denominação de Origem Protegida (DOP).

A iniciativa será desenvolvida nas regiões transfronteiriças do Norte de Portugal, Trás-os-Montes e Alto Douro, e do Centro, região do Fundão. As comunidades espanholas são as de Castilla y León e da Estremadura. No conjunto, o projeto abrange territórios com forte tradição na produção de cereja, como os municípios de Fundão e Resende, em Portugal, e Piornal, no Valle de Jerte, na província espanhola de Cáceres. Tem a duração prevista de dois anos e conta com o financiamento de cerca de um milhão e duzentos mil euros, provenientes do FEDER.

Nos últimos anos, fenómenos como secas prolongadas e alterações nos padrões de precipitação têm afetado a produtividade dos pomares e a rentabilidade dos produtores, colocando em risco o desenvolvimento sustentável de territórios predominantemente rurais, com baixa densidade populacional e forte dependência da agricultura. A queda de produtividade dos pomares de cerejeira tem também comprometido o desenvolvimento sustentável dos territórios, assim como o seu rendimento per capita. As regiões abrangidas pelo projeto partilham condições semelhantes de solo de clima que influenciam o desenvolvimento, produtividade e saúde das plantas. Caracterizadas por terrenos montanhosos e clima mediterrânico, as zonas produtoras de cereja enfrentam desafios comuns provocados pelas alterações climáticas, como a degradação dos solos e a perda de biodiversidade.

“O projeto ‘Iberian_Cherry’ vai implementar uma abordagem inovadora que combina soluções baseadas na natureza e nas tecnologias para promover uma produção de cereja mais sustentável”, afirma Luís da Silva, investigador no Politécnico da Guarda e responsável pelo projeto. “Entre as medidas previstas estão a monitorização em tempo real das condições climáticas e dos pomares, a implementação de práticas agrícolas resilientes às alterações climáticas e a promoção de sistemas de produção com zero resíduos de produtos fitofarmacêuticos”.

O “Iberian_Cherry” vai disponibilizar novas capacidades para a especialização inteligente, transição industrial e empreendedorismo, ao demonstrar técnicas e práticas agrícolas inovadoras, novos produtos funcionais com conceitos de circularidade e “zero resíduos de fitofarmacêuticos” junto de pequenos produtores e stakeholders da fileira da cereja. O objetivo é tornar os pomares resilientes às mudanças climáticas, colocando as tecnologias digitais ao serviço da preservação da biodiversidade. Serão também dinamizadas sessões de sensibilização e capacitação de produtores, empreendedores e da comunidade local.

Observatório Ibérico da Cereja

Uma das iniciativas do projeto será a criação do Observatório Ibérico da Cereja, uma plataforma digital destinada à monitorização e partilha de informação sobre a produção de cereja nas regiões transfronteiriças. O projeto prevê a demonstração de soluções inovadoras em pomares piloto, o desenvolvimento de novos produtos funcionais à base de cereja e dos seus subprodutos. Será também criado um programa de ideação transfronteiriço para estimular novos modelos de negócio centrados na cereja e apoiar a criação de pelo menos dez novas empresas, promovendo a inovação no setor.

“Através da cooperação transfronteiriça, o ‘Iberian_Cherry’ vai promover a partilha de conhecimento, a transferência de tecnologia e o desenvolvimento de soluções conjuntas para desafios comuns, contribuindo para a sustentabilidade ambiental, a inovação no setor agrícola e o desenvolvimento económico das comunidades rurais”, afirma Luís Silva. “Os resultados do projeto serão amplamente divulgados através da publicação de livros/e-books, de artigos técnicos e científicos e de ações de divulgação dirigidas a produtores, empresas e outros atores da cadeia de valor da cereja. Um dos objetivos é que as soluções desenvolvidas no projeto possam ser replicadas em outras regiões produtoras da Península Ibérica e do Mundo.”

O projeto “Iberian_Cherry” é liderada pelo Politécnico da Guarda e conta com mais 11 entidades parceiras: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Universidad de Salamanca(Espanha), Universidad de Extremadura (Espanha), Município do Fundão, Município de Resende, Ayuntamiento de Piornal (Espanha), Junta de Extremadura (Espanha), Associação de Agricultores para Produção Integrada de Frutos de Montanha (AAPIM), Cerfundão, Cámara Oficial de Comercio, Industria y Servicios de Cáceres (Espanha) e Agrupación de Cooperativas Valle del Jerte (Espanha).

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