* Nas eleições autárquicas de 2025, a candidatura candidatura “Avançamos Juntos Por Ti, Por Nós, Por Todos” (PS) encabeçada por Rafael Abreu, venceu a freguesia de Santa Marinha.
Ao completar-se o primeiro ano de mandato, o JSM regressa à freguesia no âmbito da iniciativa «Dar voz às freguesias — Um ano depois», para ouvir o presidente sobre o trabalho desenvolvido e os desafios que se colocam à comunidade.
Nesta entrevista ao Jornal de Santa Marinha, o Presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha, Rafael Abreu, faz o balanço do primeiro ano do mandato. O autarca assinala as conquistas alcançadas no regresso à autonomia, aponta constrangimentos financeiros como o Fundo de Financiamento das Freguesias e detalha os projetos estruturantes no horizonte, como o Parque Multiusos do Cadaval e a segunda fase da Estrada Municipal que liga Santa Marinha a Pinhanços.
“Queremos uma freguesia onde as pessoas não sejam apenas destinatárias das iniciativas, mas participantes na construção das soluções.”
Rafael Abreu | Presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha
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Jornal de Santa Marinha (JSM): Das prioridades apresentadas na campanha, o que foi possível concretizar neste primeiro ano e o que está ainda por fazer?
Rafael Abreu (RA): Este primeiro ano foi, acima de tudo, um ano de reorganização, de proximidade e de lançamento das bases para aquilo que queremos construir ao longo do mandato. Assumimos uma freguesia que voltou a ter a sua autonomia e isso obrigou-nos também a reconstruir procedimentos, serviços e uma dinâmica própria da Junta de Freguesia.

Ainda assim, conseguimos concretizar várias das prioridades a que nos propusemos. Reforçámos a capacidade operacional da Junta, nomeadamente com a aquisição de uma viatura 4×4, avançámos com intervenções e recuperação de caminhos rurais, criámos novos serviços de proximidade à população e reforçámos o atendimento, incluindo o atendimento descentralizado no Eirô.
Desenvolvemos também vários projetos na área social, educativa, cultural, ambiental e comunitária. Implementámos medidas de apoio às famílias e aos estudantes, reforçámos as atividades dirigidas à população sénior e aos jovens, promovemos iniciativas intergeracionais, dinamizámos ações de voluntariado e criámos novas oportunidades de participação das comunidades. Conseguimos ainda que Santa Marinha fosse reconhecida com a Bandeira de Mérito Social e com uma Menção Honrosa no âmbito do programa DECO Freguesias.










Ao mesmo tempo, recuperámos uma dinâmica cultural e comunitária muito forte, através de iniciativas como a Vila Natal, Vila Carnaval e Páscoa, Vila Medieval, Marchas Populares, caminhadas, atividades intergeracionais, passeios convívios da Freguesia, projetos de ocupação e animação comunitária e muitas outras ações desenvolvidas em parceria com as associações e com a própria população.
Naturalmente, há muito por fazer. Temos projetos estruturantes que não se concretizam num único ano. O Parque Multiusos do Cadaval, a melhoria das acessibilidades, a recuperação da rede viária e dos caminhos rurais, a abertura do Espaço Cidadão, a melhoria das condições da própria sede da Junta e o reforço dos equipamentos e serviços de proximidade são exemplos de prioridades em que continuamos a trabalhar.
Em colaboração com a Câmara Municipal, está também quase concluída a primeira fase da obra da estrada municipal que liga Santa Marinha a Pinhanços. Queremos que, em 2027, a segunda fase avance imediatamente e que o concurso público reúna empresas interessadas em concorrer, permitindo dar continuidade a uma obra fundamental para a melhoria das acessibilidades e para o desenvolvimento da freguesia.
Não prometemos fazer tudo num ano. Comprometemo-nos, sim, a trabalhar todos os dias para cumprir aquilo que assumimos perante a população.







JSM: Quais têm sido as principais preocupações no trabalho desenvolvido e a desenvolver? Que apoios e dificuldades encontrou na concretização das prioridades?
RA: A nossa principal preocupação tem sido colocar as pessoas no centro das decisões. Uma freguesia não se constrói apenas com obras. Constrói-se com qualidade de vida, respostas sociais, apoio às famílias, valorização dos jovens e dos idosos, cultura, associativismo e capacidade de ouvir quem cá vive.

Outra preocupação fundamental tem sido garantir que Santa Marinha dispõe progressivamente dos serviços e das condições que uma freguesia autónoma deve ter. Isso exige capacidade financeira, recursos humanos, equipamentos e uma relação permanente com outras entidades.
Temos encontrado disponibilidade e colaboração por parte de várias instituições, associações, entidades públicas e, sobretudo, da própria comunidade. Muitas das iniciativas realizadas só foram possíveis porque existiram pessoas disponíveis para participar e colaborar.
As dificuldades existem. Uma Junta de Freguesia tem recursos financeiros e humanos limitados e existem procedimentos administrativos que tornam alguns processos demorados. Também ficámos prejudicados pelas opções e limitações do Orçamento do Estado, nomeadamente pela atribuição do Fundo de Financiamento das Freguesias, que não corresponde às necessidades reais de uma freguesia autónoma e condiciona a capacidade de concretizar projetos e investimentos. Esperamos que, em 2027, esta situação seja diferente e que as freguesias possam contar com um financiamento mais justo, adequado e proporcional às responsabilidades que assumem.


Acresce que acontecimentos imprevistos, como os danos provocados pelo mau tempo nos caminhos e infraestruturas, obrigam a alterar prioridades e a canalizar recursos para necessidades urgentes.
Mas as dificuldades não podem servir de desculpa para ficar parado. Procuramos candidaturas, estabelecemos parcerias, solicitamos apoios e tentamos encontrar soluções para que os projetos avancem.
JSM: Como tem sido a participação da população na vida e nas decisões da freguesia?
RA: Tem sido muito positiva e considero que esse é um dos aspetos mais importantes deste primeiro ano.
Desde o início procurámos aproximar a Junta das pessoas, criar momentos de participação e devolver alguma vivacidade comunitária à freguesia. E a resposta tem sido muito significativa.
Vemos isso na participação nas iniciativas culturais, nos projetos de voluntariado, nos grupos comunitários, nas atividades dirigidas aos seniores, nos eventos organizados pelas próprias ruas e vizinhos, nas caminhadas e também na forma como muitas pessoas nos procuram para apresentar problemas, sugestões e ideias.
Naturalmente, participar não significa concordar sempre. Uma comunidade saudável também se constrói com opiniões diferentes, críticas e sugestões. O importante é que exista respeito e disponibilidade para ouvir.
Quero uma Junta de Freguesia de porta aberta, onde qualquer pessoa possa entrar, falar com o Executivo e sentir que a sua opinião é considerada. Continuaremos a criar mecanismos e oportunidades para envolver ainda mais a população nas decisões sobre o futuro de Santa Marinha e do Eirô.
JSM: Que passo gostaria de ver dado na freguesia ao longo do próximo ano?
RA: Gostaria que o próximo ano fosse o ano em que começássemos a materializar alguns dos projetos estruturantes que estamos a preparar.
Um dos grandes objetivos é avançar com o Parque Multiusos do Cadaval, um projeto pensado para diferentes gerações e que queremos que venha a integrar espaços de desporto, lazer, atividade física, infância e convívio.
Quero também ver concretizada a abertura do Espaço Cidadão, aproximando serviços públicos da população, continuar a melhorar as acessibilidades e os caminhos da freguesia e criar melhores condições nos espaços e equipamentos públicos.
Em colaboração com a Câmara Municipal, queremos igualmente garantir que, em 2027, a segunda fase da estrada municipal que liga Santa Marinha a Pinhanços avance de imediato, com empresas interessadas em concorrer ao concurso público e com condições para que a obra prossiga sem atrasos.
Mas existe um passo que considero igualmente importante: consolidar esta nova dinâmica comunitária. Quero uma freguesia onde as pessoas não sejam apenas destinatárias das iniciativas da Junta, mas participantes na construção das soluções.
O desenvolvimento da Freguesia terá de ser feito com obras, naturalmente, mas também com pessoas, identidade, participação e visão de futuro.
JSM: Que iniciativas/atividades estão previstas para os próximos meses?
RA: Os próximos meses continuarão a ser bastante ativos.
Estamos já a preparar a segunda edição da Vila Natal de Santa Marinha 2026/2027, depois da experiência da primeira edição. Queremos voltar a envolver as ruas, os bairros, as associações, o comércio e toda a comunidade, reforçando a programação natalícia e o espírito de participação.
Continuaremos igualmente com as atividades regulares destinadas à população sénior, os projetos comunitários, o apoio às famílias e estudantes e as iniciativas dirigidas aos jovens.

Paralelamente, começaremos a preparar a programação de 2027, onde pretendemos dar continuidade às iniciativas que tiveram uma boa adesão e melhorar aquelas em que identificámos aspetos a corrigir. Está também já no nosso horizonte a segunda edição da Vila Medieval, prevista para maio de 2027, que queremos consolidar como um evento de referência e de promoção de Santa Marinha.
Mas a atividade da Junta não se resume aos eventos. Nos próximos meses haverá igualmente muito trabalho administrativo e de preparação de candidaturas, projetos e investimentos que esperamos concretizar ao longo de 2027.
JSM: Mensagem que gostaria de deixar a todos os fregueses.
A mensagem que quero deixar é, antes de tudo, de agradecimento.
Obrigado a todos aqueles que, ao longo deste primeiro ano, participaram, colaboraram, apresentaram ideias, fizeram críticas construtivas ou simplesmente estiveram presentes. Uma freguesia não é do Presidente da Junta nem do Executivo. A freguesia é de todos.
Temos consciência de que nem tudo está feito e de que existem problemas que ainda precisam de resposta. Um ano é apenas uma parte de um mandato e temos ainda um caminho significativo pela frente.
Continuarei a exercer esta responsabilidade com proximidade, disponibilidade e sentido de serviço público, procurando estar presente tanto nos bons momentos como quando surgem dificuldades.
Quero que sejamos capazes de preservar aquilo que nos identifica, mas também de ter coragem para inovar e preparar Santa Marinha e o Eirô para o futuro.
Continuemos juntos a construir uma freguesia mais próxima, participativa, solidária e dinâmica, onde ninguém fique para trás e onde todos possam sentir orgulho em dizer: esta é a nossa terra.
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* A ordem de publicação das entrevistas é definida pela data de receção de todos os elementos necessários à sua publicação.





