A empresa de fabrico de calçado ara Shoes Portuguesa, Unipessoal, Lda. iniciou um novo processo de despedimento coletivo que abrange cerca de 63 trabalhadores. Tal como tem vindo a ser justificado em outras alturas, a comunicação oficial, com data de 13 de agosto, invoca novamente razões tecnológicas e estruturais decorrentes da crise macroeconómica que afeta os seus principais mercados europeus de exportação.
Para tentar conter o impacto financeiro e contornar o sobredimensionamento da estrutura, a administração anunciou ajustes diretos no processo produtivo em Seia, nomeadamente, o fim do turno da noite num setor e a redução da operação de injeção, passando a operar com apenas duas máquinas em vez de três.
A ara Shoes diz assegurar o pagamento da compensação legal mínima e manifesta a intenção de propor, em fase de negociação, o pagamento integral das indemnizações previstas na lei. A primeira reunião da fase de negociações está agendada para o dia 1 de setembro de 2026, às 10h00, nas instalações da fábrica em Seia.
O histórico recente de despedimentos
O novo corte de 63 postos de trabalho não é um episódio isolado, mas sim o capítulo mais recente de um desmantelamento sucessivo da capacidade produtiva da fábrica de Seia, que no seu período de maior fulgor chegou a empregar cerca de 800 pessoas.
O primeiro grande golpe, em março de 2024, resultou do encerramento forçado do mercado russo devido à guerra na Ucrânia, somado aos primeiros sinais de arrefecimento do consumo na Zona Euro. Foram 130 os trabalhadores que saíram.
Apenas quatro meses depois, em julho a empresa desferiu o maior corte da sua história recente, com o despedimento de 180 trabalhadores, justificando-o com o agravamento da crise económica nos seus três principais mercados de destino: Alemanha, França e Áustria.
Em fevereiro deste ano, foram 39 os trabalhadores que entraram em lay-off. A justificação: uma quebra superior a 20% nas encomendas para a coleção primavera/verão por “motivos de natureza tecnológica e estrutural”.
No passado dia 13 mais seis dezenas de colaboradores (66) foram convocados para uma reunião que culminará em mais um despedimento coletivo.
Em pouco mais de dois anos, a unidade fabril de Seia acumula a perda de mais de 415 postos de trabalho, uma redução drástica que ilustra a fragilidade da fábrica perante a sua total dependência da casa-mãe (ara Shoes GmbH, na Alemanha) e do mercado da Europa Central.





