O fecho dos Polos de Saúde de Loriga e Vide durante o período de férias dos seus três profissionais afetos à USF Nova Estrela motivou preocupação destas populações .
Residentes denunciam falhas no atendimento telefónico e escassez de vagas de consulta que aconteceu durante o dia de hoje, quando ligaram para a sede desta Unidade.
O encerramento provisório de duas extensões de saúde no concelho de Seia — designadamente em Loriga e Vide — devido ao período de férias dos seus profissionais, com efeito a partir de hoje e até 18 de setembro, levantou fortes receios na população local sobre um eventual encerramento definitivo do serviço de proximidade.

Tanto a coordenação da Unidade de Saúde Familiar (USF) Nova Estrela como a Câmara Municipal de Seia afastam categoricamente essa possibilidade, assegurando tratar-se de uma reorganização de rotina devido a férias dos seus profissionais, tal como tem vindo a acontecer em outras extensões de saúde do concelho.
A apreensão dos residentes e das Juntas de Freguesia deve-se, em grande parte, ao facto de as instalações ficarem totalmente fechadas durante este período — ao contrário do que sucedia no passado, em que os espaços permaneciam abertos para prestar apoio administrativo.
O presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, tranquiliza os munícipes, garantindo perentoriamente que “em caso algum está em causa o encerramento definitivo destes polos após as férias” e reforça o compromisso de manter o médico afeto a estas comunidades do concelho.
Em declarações prestadas esta segunda-feira, ao JSM, a médica e coordenadora da USF Nova Estrela, Sara Campos, também quis tranquilizar a população, sublinhando que a rotação e a substituição em período laboral são práticas comuns aplicadas a toda a estrutura, sem exceções geográficas.
“A USF tem 11 000 utentes e o acesso é igual para todos. Acontece o mesmo quando fecha o polo de Tourais, de Pinhanços, ou quando eu ou outro colega da sede estamos de férias. A consulta de intersubstituição é para todos”, afirmou Sara Campos.
A responsável garantiu que a USF Nova Estrela se encontra operacional e sem carência de médicos ou enfermeiros nos seus quadros, desmentindo qualquer perspetiva de encerramento definitivo dos polos de atendimento local. “É habitual em períodos de férias e não tem nada de extraordinário”, lamentando qualquer tentativa de alarmismo.
A responsável explicou que as populações e os órgãos locais foram informados previamente por avisos afixados e que os utentes com tratamentos regulares viram os seus cuidados reagendados com antecedência.
Sara Campos fez ainda questão de destacar e agradecer publicamente o apoio das autarquias locais: “Temos também tido a fundamental colaboração das Juntas de Freguesia nos cuidados de limpeza das extensões que têm falta de assistentes operacionais, nomeadamente Vide e Loriga, a qual muito agradecemos”.
Dificuldades no acesso e falta de vagas
Para mitigar os impactos da deslocação à sede do concelho, a Junta de Freguesia de Loriga disponibilizou apoio no agendamento e transporte de munícipes. De referir que Loriga recebe utentes de Cabeça, Alvoco da Serra, Sazes da Beira e, ainda, de Valezim.
Apesar das garantias institucionais de que a assistência médica permanece assegurada através da sede da USF Nova Estrela — disponível cinco dias por semana para casos agudos não urgentes —, a realidade vivenciada no terreno por quem precisa de cuidados revela constrangimentos operacionais. Relatos recolhidos junto de residentes e autarca de Loriga, Luís Costa, apontam para uma forte frustração no contacto com o Centro de Saúde de Seia. Num dos casos comunicados esta segunda-feira, relatam ter tentado contactar a unidade de saúde por telefone durante uma parte da manhã. Quando os serviços finalmente devolveram a chamada, a resposta foi de que já não restavam vagas para consultas no próprio dia e que teriam de tentar durante o dia de amanhã.
Garantias de serviço
Ao JSM, a coordenadora detalhou a forma como o atendimento está estruturado e o estado atual dos recursos humanos da unidade. Refere que a USF Nova Estrela dispõe da totalidade dos quadros necessários para a população inscrita nas áreas da medicina, enfermagem e administrativa. Apenas a Unidade Local de Saúde (ULS) regista alguns constrangimentos ao nível do pessoal operacional, estando os mesmos em processo de resolução através de novos concursos e colocações.
Sara Campos assegura que “nunca existiu nem foi equacionada qualquer intenção de fechar de forma definitiva qualquer extensão”. Caso se verificasse uma ausência prolongada ou definitiva de um profissional, a USF ativaria de imediato uma escala de substituição nas próprias instalações locais.
Para dar resposta às necessidades durante a ausência temporária dos clínicos afetos às extensões, a sede em Seia assegura as consultas de intersubstituição para situações agudas que não possam aguardar pelo regresso do médico ou enfermeiro de família. Os casos de urgência ou emergência continuam a ser canalizados para o serviço de urgência hospitalar ou através da linha 112.
Ao lamentar “qualquer constrangimento pontual que possa ser sentido individualmente”, a direção da USF Nova Estrela reitera que as alterações de horários e locais de consulta refletem unicamente “ajustes associados a períodos de férias”, apelando à tranquilidade de todos os seus utentes.”
O certo é que amanhã, logo pelas 8 horas, a Junta de Freguesia disse ao JSM que irá tentar novamente entrar em contacto com a USF Nova Estrela de modo a conseguir algumas vagas para consultas.

Polo de Saúde de Loriga





