O Cineteatro da Casa Municipal da Cultura de Seia foi palco, no passado sábado, da cerimónia de encerramento de mais uma edição do CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela. O encerramento oficial foi assinalado com a apresentação de “Entre Terra e Corpo”, uma criação artística multidisciplinar de 45 minutos que integrou música, voz, dança, teatro físico e imagem, dedicada à natureza, à memória e às comunidades locais.































A coprodução, dinamizada por Alexandra Silva, Hélder Abreu e António Tilly em conjunto com a Orquestra Ligeira de Gouveia e diversas estruturas do concelho, encerrou dez dias de intensa programação focada nas questões ambientais e sociais do mundo contemporâneo
Durante os discursos de encerramento, os promotores e organizadores do Festival destacaram o papel transformador e agregador do festival no território. Daniel Oliveira, sublinhou o caráter humano e coletivo do evento: “O CineEco, para além de ser um festival sobre meio ambiente e ecologia, é um festival sobre comunidade. É um festival sobre a importância da comunidade neste momento que vivemos no mundo.”
O programador fez questão de estender o agradecimento a todos os intervenientes que tornam o festival possível, desde a equipa técnica e executiva — “quatro pessoas que fazem trabalhos de vinte e que fazem pequenos milagres” —, até ao júri, aos realizadores, aos fotógrafos e aos estabelecimentos comerciais de Seia que acolhem participantes e visitantes.
A equipa de programação frisou ainda que, apesar das preocupações patentes nos filmes exibidos, o balanço é marcado por um sentimento positivo: “Saímos daqui com muitas ideias sobre as quais pensar, com algumas preocupações, mas também com esperança. Há muitos movimentos e reação por parte do público, das pessoas e dos movimentos civis.”
No plano do público, foi reafirmado o objetivo de prosseguir o caminho para recuperar as marcas pré-pandemia de 2019, quando o festival atingiu a fasquia dos 6 mil espectadores.
Os desafios futuros
O Presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, enalteceu o empenho coletivo e destacou a mensagem do filme vencedor do Grande Prémio CineEco, Derek vs. Derek, relacionando-a com os dilemas atuais da sociedade: “A história que o filme nos traz é precisamente um pouco daquilo que vivemos enquanto sociedade. São visões opostas num espaço rural, onde um quer alimentar o mundo e o outro quer salvar a natureza. Teremos de continuar a alimentar o mundo, mas também de contribuir para que a natureza se possa salvaguardar.”

Luciano Ribeiro dirigiu agradecimentos expressos aos media partners, aos patrocinadores, ao júri, aos padrinhos das sessões e a toda a equipa executiva do festival e da Casa da Cultura. O autarca reforçou ainda a convergência política e social em torno do evento: “Seja que partido for, o CineEco é algo que une toda a gente. É um evento relevante e uma marca de Seia durante o ano todo. A Câmara Municipal continuará empenhada para que o CineEco possa prosseguir.”
Sobre o espetáculo de encerramento “Entre Terra e Corpo”, o edil destacou a ligação profunda à identidade local: “Toca naquilo que é a essência de quem se presta ao serviço público. Traz o espírito da Serra da Estrela e a relação com as suas comunidades, de onde saiu muito sangue e suor para a construir ao longo de séculos e milénios.”
Com a sala cheia de público e a promessa de dar continuidade ao trabalho de consolidação do festival, Seia despediu-se assim de mais uma grande celebração do cinema, do ambiente e da cultura participativa.





