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A jornada de Francisco e Olga: de Seia para New Jersey

“A nossa vida está aqui e, se Deus quiser, será aqui que ela terminará. Só se acontecer algo realmente inesperado é que poderemos considerar deixar os Estados Unidos. Rezo para que isso nunca aconteça.”

Francisco Ambrósio, natural de Seia, e a sua esposa Olga, com raízes em África e criada nos Estados Unidos, conheceram-se no liceu de Seia. De referir que Olga veio para Paranhos da Beira com 12 anos, após o regresso dos seus pais, também eles emigrantes, dos EUA.

O plano de emigrar para os Estados Unidos foi sugerido por Olga, e este passo marcou um ponto de viragem nas suas vidas. Casaram-se em Paranhos da Beira em agosto de 1982 e partiram para os Estados Unidos em dezembro de 1984.

Em New Jersey (Nova Jérsia), Olga rapidamente conseguiu trabalho num banco em Nova Iorque, num dos edifícios que viriam a ser destruídos no 11 de setembro. Após um tempo, decidiram formar família, e Olga dedicou-se à criação das duas filhas, nascidas nos EUA. Francisco continuou a trabalhar numa empresa onde os seus esforços foram reconhecidos, permitindo-lhe crescer profissionalmente e pessoalmente durante trinta e três anos, até ao fecho da empresa devido ao falecimento do proprietário.

Atualmente, Francisco trabalha como consultor, ajudando os seus clientes que atuam no setor do fabrico de produtos de joalharia, a expandir os seus mercados, e Olga está reformada. As suas filhas casaram e já têm os seus próprios filhos, consolidando a família que Francisco e Olga construíram nos Estados Unidos. Apesar de guardarem boas recordações de Seia, da sua cultura e gastronomia, o casal não planeia regressar a Portugal, pois o afastamento da família que construiu seria demasiado difícil. “Não digo que nunca o farei, mas voltar significaria deixar para trás, mais uma vez, a família que eu e a minha esposa construímos com muito empenho. Esse afastamento seria demasiado difícil para nós”, salienta Francisco.

A história de Francisco e Olga é um testemunho de uma vida feliz e realizada nos Estados Unidos, construída com empenho e amor familiar.


ENTREVISTA

Francisco Ambrósio (FA): Num artigo anterior deste jornal, o conterrâneo emigrante António João Ferrão usou uma expressão que achei interessante: ele considera-se um “senense de gema”.

No meu caso, considero-me cem por cento senense, embora tenha nascido em Gouveia. Diria que sou um senense — não de gema — mas, sem dúvida, senense. Os meus pais, já falecidos, eram naturais do concelho de Gouveia, e foram pessoas de quem me orgulho imensamente. O meu pai, o senhor Manuel Ambrósio — também conhecido por “senhor Manuel dos Seguros”, por vender seguros em part-time — foi, além de um excelente pai, um funcionário dedicado da Hidroelétrica de Seia, que mais tarde veio a ser a EDP. A minha mãe, Emília Ambrósio, foi igualmente um pilar na nossa vida. Juntos tiveram dois filhos: eu e o meu irmão mais velho, o engenheiro Eduardo Ambrósio — esse sim, um senense de gema.

Francisco, em baixo, à direita.

Um dos laços que mantenho com Seia é a minha dedicação ao hóquei em patins, através da União Desportiva de Seia, que me deixou muitas boas recordações. Outro elo importante foi o facto de ter conhecido aí aquela que viria a ser a minha esposa, Olga Mendes, na altura residente em Paranhos da Beira. Sem a Olga, possivelmente eu hoje não teria história para contar enquanto emigrante.

FA: Muito simplesmente: a Olga, na altura ainda minha namorada.

Durante a juventude, a minha ideia de emigração resumia-se a trocar Portugal por outro país, com o objetivo de ganhar muito dinheiro, num determinado número de anos e, depois, regressar para viver uma “vida de rei” — como se dizia na altura. No entanto, essa perspetiva nunca me atraiu. Não que não desejasse algum conforto financeiro, mas a verdade é que nunca encontrei grande valor no sacrifício necessário para o alcançar. A ideia de abandonar o país, por esse motive, parecia-me vazia de sentido, sobretudo do ponto de vista patriótico. Emigração não fazia parte dos meus planos.

Foi por volta dos meus 17 anos que a Olga mudou a minha forma de pensar — e, consequentemente, o rumo da minha vida. Nascida em África e criada nos Estados Unidos, ela veio para Paranhos da Beira por volta dos 12 anos, quando os pais — emigrantes nos EUA — regressaram a Portugal, depois de o pai ter sido diagnosticado com uma doença terminal. Conhecemo-nos no liceu de Seia e, depois de algum tempo de namoro, fez-me uma pergunta que me deixou perplexo: “Quais são os teus planos para o futuro?”

Planos? Nem sabia bem o que isso queria dizer. Provavelmente até fui procurar no dicionário…

Um pouco envergonhado, respondi-lhe que não tinha grandes planos e a Olga sugeriu que considerássemos construir uma vida nos Estados Unidos. Segundo ela, o país oferecia oportunidades para ambos e, especialmente, para mim, pois achava que a minha personalidade se encaixava num ambiente de oportunidades — caso estas me fossem apresentadas. Mais tarde vim a reconhecer que ela tinha razão, sobretudo na parte do “caso me fossem apresentadas”.

Curiosamente, a Olga nunca me falou em ser “rico” nem em ganhar “muito dinheiro”. Falava, apenas, em “oportunidades”. O dinheiro, para nós, surgiu como consequência — nunca como objetivo principal.

Francisco e Olga com os pais da Olga

Francisco e Olga, com os pais de Francisco

Essa conversa foi, sem dúvida, um ponto de viragem na minha vida, ou melhor, na nossa vida. Decidimos casar — o casamento teve lugar em Paranhos da Beira, em agosto de 1982 — e, a partir daí, as nossas visões individuais fundiram-se numa visão conjunta.

Francisco, Olga, irmão de Francisco, o Eng. Eduardo Ambrósio, e sua esposa, Arlete, de Paranhos da Beira

Passámos, então, a sonhar livremente com esse futuro comum, sem limitações, num período que foi, sem dúvida, dos mais entusiasmantes das nossas vidas. O que se passou entre essa fase e a chegada aos Estados Unidos daria outra história, mas, resumindo, acabámos por emigrar em dezembro de 1984.

FA: Da minha parte, não conhecia ninguém nos Estados Unidos. Não tinha lá familiares nem amigos. A minha esposa, sim — já tinha dois irmãos no país e algumas amizades de longa data da família.

Foram eles que nos deram as primeiras orientações e nos ajudaram a dar os passos iniciais. O acolhimento foi caloroso e o apoio essencial, sobretudo nos primeiros tempos. Ajudaram-nos com conselhos práticos e até na procura de trabalho. Se não fosse essa rede de apoio, a adaptação teria sido muito mais difícil.

FA: Apesar de me ter deparado logo com uma grande diferença cultural, nunca senti verdadeiras dificuldades de adaptação. Creio que isso se deve, em grande parte, à companhia e ao apoio da minha esposa, que sempre me transmitiu segurança e afastou o receio do desconhecido. Aquilo que para muitos poderia ser um motivo de ansiedade, para mim tornou-se antes uma fonte de curiosidade.

Recordo com nitidez uma experiência marcante: no segundo dia após a nossa chegada aos Estados Unidos, o irmão da minha esposa levou-nos a um centro comercial. Fiquei impressionado com a diversidade que encontrei — diferentes raças, línguas, gastronomias, costumes — tudo coexistia num ambiente de aparente harmonia. Isso fez-me pensar que só um país verdadeiramente especial conseguiria acolher tamanha diversidade de forma tão natural.

Com o passar do tempo, apercebi-me de que essa convivência harmoniosa pode, infelizmente, ser distorcida por interesses políticos. Há quem procure explorar tensões ou criar divisões, por vezes levantando acusações infundadas de racismo quando, na verdade, o que se vive no dia-a-dia é, muitas vezes, o oposto — um convívio pacífico entre pessoas de diferentes origens. Essa manipulação é profundamente infeliz, pois perturba, intencionalmente, uma ordem natural de respeito e convivência, com o objetivo de atingir fins políticos à custa do bem-estar de comunidades que, sem essas interferências, viveriam em plena harmonia.

FA: O que mais me custou foi confrontar-me com a realidade de que estava a entrar numa nova fase da vida — uma transição em que percebi, com clareza, que chegara o momento de agir. Não se tratou propriamente de dor, mas antes de uma tomada de consciência: era tempo de assumir responsabilidades, de me afastar, em certo sentido, de um passado em que nunca tinha sentido verdadeiramente esse peso.

Senti que, se Deus me estava a conduzir por aquele caminho, o mais sensato seria acolher essa oportunidade com gratidão e sentido de compromisso.

Foi também nesse momento que compreendi que esta mudança trazia consigo um custo: o afastamento físico da família que deixámos em Portugal — especialmente dos meus pais. Essa separação, ainda que necessária, teve um peso emocional significativo.

FA: É neste ponto que o emigrante tem de fazer escolhas — decidir o que deixa para trás e o que leva consigo. E é também nesse processo que nos apercebemos, com maior clareza, do que realmente nos faz falta.

No meu caso, deixei para trás o contacto direto com a família, os amigos, a terra onde cresci… essa presença física que marca e que, de certa forma, molda quem somos.

Mas o que guardei — e continuo a guardar — são os valores essenciais: a família e a fé.

A fé, em particular, tem um papel enorme nestas alturas. Felizmente, os meus pais, sobretudo a minha mãe, transmitiram-me muito sobre o valor da fé. E, para meu consolo, a fé sempre foi, e continua a ser, também uma grande qualidade da minha esposa. Diz-se que, onde há fé, nada falta — e posso dizer, com sinceridade, que nunca senti, nem sinto, a falta de nada essencial.

FA: Para a minha esposa, a língua nunca representou qualquer dificuldade — falava e escrevia inglês fluentemente. No meu caso, foi um verdadeiro obstáculo. Apesar de ter aprendido o básico de inglês na escola, não conseguia comunicar de forma eficaz: nem compreender o que me diziam, nem expressar-me de forma útil.

Contudo, como nos instalámos numa comunidade portuguesa, raramente sentia necessidade de falar inglês. Isso teve vantagens, claro, mas também um lado negativo — atrasou bastante o meu processo de aprendizagem da língua.

Foi apenas quando comecei a trabalhar num ambiente onde quase ninguém falava português que fui, finalmente, forçado a aprender. Nessa fase, o inglês que tinha aprendido na escola revelou-se uma ajuda preciosa.

FA: Sempre residimos no estado de Nova Jérsia (New Jersey).

FA: Existe uma grande comunidade portuguesa no estado. A diferença face ao tempo em que chegámos é que, atualmente, a comunidade está mais dispersa. As novas gerações, por frequentarem escolas americanas, deixaram de depender tanto da língua portuguesa, o que lhes permitiu mudar-se para outras localidades em busca de novas oportunidades.

Quando chegámos, a maior parte dos portugueses estava concentrada na área da construção civil. Hoje, encontram-se portugueses em todos os níveis da sociedade nos Estados Unidos. A comunidade portuguesa é muito bem vista e respeitada no país.

FA: Não, mas isso não significa, de forma alguma, que deixaram de o ser.
Infelizmente, a disponibilidade de oportunidades atraiu a atenção de políticos de esquerda, que encaram os benefícios dessas oportunidades como uma grande vantagem da ideologia capitalista. Como consequência, o país ficou dividido.
O que quero dizer é que o espírito de oportunidade continua profundamente enraizado na cultura americana, o que está em causa é se essas oportunidades voltam a florescer.
Assim, se eu estiver certo, se as condições políticas mudarem de repente, é muito provável que as oportunidades voltem a surgir.

JSM: Com a eleição do novo presidente Trump, nota que o país e as pessoas estão a adaptar-se às inúmeras medidas que têm vindo a ser impostas?

FA: O que eu vejo é que a vitória do Donald Trump trouxe um grande alívio ao país. Antes, havia muita desordem, falta de respeito pela sociedade, desrespeito pelas leis e uma grande incompetência e falsidade por parte dos políticos Democratas.
Há pessoas que confiam plenamente no Trump, outras que o veem só como alguém que combate o absurdo, e há quem o odeie, mesmo que seja só por gostar de odiar alguém.
Ainda não se sabe se Trump vai ser bem-sucedido ou não como presidente. Mas, por agora, parece ser a melhor esperança para evitar que o país caia numa situação ainda pior.

FA: O que referi anteriormente, sobre o clima político, aplica-se também a esta questão. A política que antes assentava em acordos entre os partidos, onde as decisões favoreciam o partido maioritário, deu lugar a uma política de oposição permanente, em que o que um partido faz, o outro procura desfazer. Por isso, acredito que o país está num impasse, que se reflete na economia em geral.

Contudo, enquanto nação, mantém-se o desejo de progresso, paz e estabilidade, apenas faltando a liderança adequada para o concretizar.

Por isso, a economia, o emprego, a saúde, a educação e o mercado de trabalho estão muito aquém do potencial que este país tem.

FA: Antes de chegar, os amigos disseram-me que, provavelmente, iria trabalhar na construção civil, pois a maioria dos empregos disponíveis era nessa área. Apesar de estar preparado para isso, acabei por conseguir dois trabalhos: um como ajudante de soldador e outro, em part-time, na demolição de edifícios em Manhattan, Nova Iorque.

Entretanto, a minha esposa coseguiu um emprego, por intermédio de uma amiga da família, num escritório de uma fábrica de joalharia.

Quanto à nossa formação académica, ambos tínhamos concluído o 12.º ano em Portugal. Além disso, eu frequentei, quase na totalidade, à noite, um curso de eletromecânica e, com o incentivo da minha esposa, fiz, também, um curso rápido de desenho arquitetónico. Embora um deles não tenha sido terminado e o outro fosse básico, estes cursos foram importantes para o início da minha carreira nos Estados Unidos. O curso de desenho arquitetónico permitiu-me ainda trabalhar, em Portugal, na empresa Manuel Rodrigues Gouveia, onde tive o prazer de conhecer o engenheiro Gouveia e o seu pai — uma experiência que guardo com muito apreço. Este trabalho terminou quando obtivemos o visto para emigrar.

A formação académica não teve influência direta na procura dos primeiros empregos, porque a prioridade era aceitar o que estivesse disponível para garantir estabilidade financeira. Depois de conseguirmos isso, fazíamos ajustes tendo em conta a nossa formação, caso esta não estivesse a ser aproveitada. Ou seja, a formação servia como um valor acrescentado para evoluir, mais do que para iniciar a carreira — e isso acabou por acontecer naturalmente, tal como as oportunidades surgiam.

Entretanto, nos EUA, o patrão da minha esposa perguntou-lhe o que eu fazia em Portugal. Quando soube, mostrou interesse, chamou-me para uma entrevista e acabou por me contratar como mecânico ferramenteiro (tool-maker).

Foi cerca de um ano após a nossa chegada que tudo começou a tomar um rumo mais previsível. A minha esposa conseguiu trabalho num banco em Nova Iorque, curiosamente num dos edifícios que, mais tarde, foram destruídos no atentado de 11 de setembro. Depois disso, decidimos começar uma família. Ela interrompeu a sua promissora carreira para criar as nossas duas filhas, nascidas conforme os nossos planos. Eu continuei a trabalhar noutra empresa, onde os responsáveis reconheceram em mim uma vontade de crescer, tanto a nível pessoal como para a empresa. Com o apoio deles, continuei a minha formação e trabalhei lá durante trinta e três anos, até ao falecimento do dono, quando a empresa fechou.

Esta história confirma o que a minha esposa tinha previsto anos antes: alguém nos Estados Unidos iria reconhecer algo em mim e dar-me oportunidades — uma “profecia” que se concretizou, sem dúvida.

Durante essas três décadas, adquiri muita experiência técnica em engenharia mecânica, incluindo conhecimentos em CAD/CAM, automação e robótica. Após o encerramento da empresa, passei a trabalhar como consultor, tendo clientes nos EUA e também fora do país, hoje maioritariamente fora dos EUA. A minha esposa está reformada, depois de ter regressado ao trabalho por mais doze anos, desta vez como codificadora de faturação médica.

FA: Na verdade, não mudei de profissão, mas comecei a exercer a minha profissão de uma forma diferente — deixei de ser empregado e passei a consultor.

Por questões de confidencialidade acordadas com os meus clientes no estrangeiro, não posso revelar muitos detalhes. No entanto, de forma simples, o meu trabalho consiste em ajudar os meus clientes, que atuam no setor do fabrico de produtos de joalharia, a expandir os seus mercados em áreas onde tenho experiência e eles não. A consultoria que faço abrange tanto aspetos técnicos como administrativos.

FA: Deixei de ir a Portugal desde que os meus pais faleceram, há cerca de cinco anos. Não foi por falta de vontade de visitar, mas sim por falta de tempo e porque a vida familiar nos EUA é bastante ocupada — com as nossas filhas, genros, netos e a nossa própria vida pessoal.

Uma família feliz. Os gatos e um cão não quiseram ficar na foto

FA: Consigo acompanhar com alguma regularidade, sobretudo através da comunicação que mantenho com o meu irmão. Ele, como já referi, é um verdadeiro Senense e preocupa-se em manter-me informado sobre o que se passa por lá. Prova disso é que me ofereceu uma assinatura deste jornal, um gesto que considero muito simpático e que revela o seu enorme interesse em divulgar as notícias da nossa terra natal.

FA: O concelho de Seia destaca-se pela beleza da Serra da Estrela e pela sua rica gastronomia, entre outras qualidades. Mas, para além de tudo isso, o concelho representa as minhas raízes.

Tenho muito orgulho de ser Senense e isso permite-me contar às nossas filhas e netos as histórias da minha terra natal e da nossa família. Quando vou a um supermercado daqui, compro sempre, com muito orgulho, um queijinho de Seia e umas chouriças da Serra.

FA: Não está nos meus planos regressar a Portugal, pelo menos para já. Não digo que nunca o farei, mas voltar significaria deixar para trás, mais uma vez, a família que eu e a minha esposa construímos com muito empenho. Esse afastamento seria demasiado difícil para nós.

A nossa vida está aqui, e se Deus quiser, será aqui que ela terminará. Só se acontecer algo realmente inesperado é que poderemos considerar deixar os Estados Unidos. Rezo para que isso nunca aconteça.

FA: Geralmente, os emigrantes partem com o objetivo de conquistar certas vantagens para si próprios. Emigrar para alcançar uma estabilidade financeira confortável e, depois, regressar à terra natal é um exemplo disso.

Adeus, um abraço para todos os emigrantes e Senenses

No entanto, parece que muitos emigrantes esquecem a influência cultural e económica que exercem nos países que os acolhem, sobretudo no que toca à adaptação e assimilação.

O que quero dizer, usando os Estados Unidos como exemplo, é o seguinte: os EUA são um país que se desenvolveu com base num sistema político capitalista. Ao mesmo tempo, a maioria dos emigrantes que chegam vem de países com tendências governamentais socialistas. É fácil observar que muitos emigrantes usufruem com gosto dos benefícios do capitalismo, mas votam nos EUA como se estivessem nos seus países de origem — países esses que tiveram de abandonar precisamente porque não acolhiam o sistema capitalista.

Comparo isto a visitar um belo jardim de rosas, cortar as flores para apreciar o seu perfume e levá-las para casa, mas deixar o jardim depenado para quem vier depois.

Não quero dizer que os emigrantes devam votar contra os seus princípios apenas por gratidão ao país que os acolheu, mas querer tudo para si sem dar algo em troca é um pouco egoísta. Acredito que os emigrantes poderiam fazer mais para influenciar positivamente o ambiente que deixam para as gerações futuras.

A minha mensagem para todos os emigrantes é: tenham consciência de que as vossas ações no país que vos acolhe têm um grande impacto no legado que deixam para os que vêm depois.

Olhando para trás, posso concluir que a minha vida tem sido bastante agradável e emocionante, e atribuo isso, em grande parte, ao facto de ter emigrado. Não sei o que teria sido se não tivesse emigrado, mas isso já pouco importa, pois a vida segue o seu curso e é como é. De uma forma ou de outra, vivo uma vida feliz com a minha esposa e a nossa família.

Vivemos perto da água, o que nos dá muitas oportunidades para passarmos tempo juntos como família, a apreciar o nascer e o pôr do sol vistos do nosso barco. Todos levamos uma vida ocupada, mas feliz. É comum ouvir emigrantes dizerem que vivem uma “vida de emigrante”.

Tenho agora 65 anos, trabalho muito, mas adoro cada minuto do meu trabalho, o que é uma sorte, pois a flexibilidade que ele me oferece permite alternar facilmente entre uma vida profissional ativa e um estilo de vida mais tranquilo, próprio de reformado, no qual tenho o prazer de desfrutar momentos agradáveis com a minha esposa e o resto da família.

Para concluir, tenho muitíssimas graças a dar a Deus pela posição em que me encontro, e o mais interessante é que tudo isto começou num lugar tão característico e lindo — Seia.

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