A interrupção da Linha da Beira Baixa, causada pelas recentes tempestades, reduziu a oferta ferroviária em mais de 50% em alguns troços. A associação apela à tutela pela reposição imediata de serviços Intercidades através de automotoras e autocarros de substituição.
A Associação Move Beiras manifestou publicamente a sua “grande preocupação” face à interrupção prolongada da Linha da Beira Baixa. Em causa está o impacto severo na mobilidade de uma região que, segundo a organização sem fins lucrativos, já enfrenta carências históricas de transporte público e uma exclusão preocupante do Plano Ferroviário Nacional.
Desde o corte da linha provocado pelas intempéries, a ligação entre Castelo Branco e a Guarda ficou limitada ao serviço regional, apesar do troço estar operacional. O cenário é particularmente crítico no eixo Covilhã – Guarda, onde a oferta desmoronou de 10 comboios diários para apenas quatro, inviabilizando que pessoas desse troço se possam deslocar, por exemplo, à Covilhã para consultas médicas pela manhã e regressar à tarde.
A braços com esta “provável interrupção a médio prazo”, a Move Beiras apela à tutela que “avance com medidas mitigatórias, através da reposição parcial dos Intercidades no troço Castelo Branco – Guarda, mesmo que seja através das automotoras que asseguram o serviço regional, avaliando também que essas medidas possam ser estendidas ao troço entre Castelo Branco e Vila Velha de Ródão, atualmente sem qualquer serviço, assegurando o restante trajeto até Abrantes, com serviço rodoviário de substituição.” A Associação pretende,
também, a reposição do prolongamento do Intercidades da Linha da Beira Alta até à Covilhã, suprimida em 2022.
A Move Beiras relembra que a Linha da Beira Baixa ficou fora dos investimentos do Plano Ferroviário Nacional. “Sabendo que a reparação da via junto ao Tejo, devido à complexidade do local, poderá demorar várias semanas, não é aceitável que esta população se veja privada de oferta de serviços, num território que já é altamente carente de transportes públicos. Trata-se de uma questão de coesão territorial, numa região onde a mobilidade é um direito básico ainda por garantir plenamente e a manutenção dos serviços ferroviários desempenha um papel importante no combate às assimetrias regionais”, afirma a Move em comunicado enviado ao JSM.
Para a Move Beiras, a manutenção dos serviços ferroviários é a ferramenta principal para combater o isolamento da Beira Interior, exigindo que o Governo e as operadoras não abandonem os passageiros durante este período crítico de interrupção da via.
Foto: Câmara Municipal da Covilhã





