A Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH) de Seia está a receber, desde esta segunda-feira e até hoje, dia 30 de setembro, a visita do aclamado chef mexicano José Luis Alcocer Rodríguez, amplamente conhecido no meio gastronómico como “El Príncipe Maya”. Embaixador internacional da culinária de Yucatán (um estado no México), o chef está nesta Escola para dinamizar uma MasterClass dedicada à “Cocina Maya Pre-hispánica” e partilhar com alunos e docentes as milenares tradições da sua região.





A tradição sagrada da Cochinita Pibil
O ponto alto da iniciativa esteve centrado na confeção da tradicional Cochinita Pibil, uma das iguarias mais emblemáticas da gastronomia Maia e Iucateca. Trata-se de carne de porco marinada com achiote, sumo de citrinos e especiarias, embrulhada em folhas de bananeira e colocada num forno subterrâneo, neste caso, debaixo de terra durante 24 horas.
A palavra pibil deriva do termo maia pib, que designa um forno escavado na terra e forrado com lenha e pedras quentes. A carne permaneceu a cozinhar lentamente debaixo da terra desde ontem, tendo sido destapada no dia de hoje perante a expetativa de todos.
Na cultura ancestral Maia, o pib vai muito além do método de cozedura: é considerado um ritual sagrado e uma oferenda à Mãe Terra (Lu’um) e aos deuses do submundo (Xibalbá). Tradicionalmente ligado ao Hanal Pixán (“Comida das Almas”) — a celebração Maia do Dia dos Mortos —, o sucesso do cozimento é visto como um presságio espiritual. Uma carne tenra e bem cozinhada sinaliza bênção, saúde e proteção para a comunidade; por outro lado, falhas no processo são interpretadas como sinal de desrespeito ou rejeição ritual. Por essa razão, a preparação exige silêncio, respeito e um estado de espírito harmonioso por parte do pibero (o cozinheiro ritual).




.
Após cerca de 10 horas debaixo de terra, com o calor das pedras da Ribeira de Alvoco que garantiram um cozimento perfeito, a Cochinita Pibil, estava finalmente pronta. A carne incrivelmente tenra foi preparada com toda a paciência e dedicação.











.
A Cochinita Pibil está perfeitamente confecionada, quando a os ossos se desprendem da carne








.
No final, a tão ansiada prova. A carne foi toda ela desfiada e dada a provar no pão, com alguns molhos. Uma verdadeira delícia!












O Jornal de Santa Marinha provou esta carne imensamente suculenta e tenra
A convite do diretor da ESTH, Ricardo Guerra, o Jornal de Santa Marinha esteve presente no evento e teve a oportunidade de provar esta especialidade histórica. O resultado não deixou dúvidas: a carne revelou-se extremamente suculenta, tenra e deliciosa, constituindo uma verdadeira maravilha gastronómica.
Em conversa com a nossa redação, o chef José Luis Rodríguez abordou o propósito da sua presença durante a semana em Seia, onde tem partilhado técnicas e saberes ancestrais. Por sua vez, o diretor Ricardo Guerra destacou a importância das parcerias institucionais e da intercâmbio cultural promovido com a delegação de turismo de Yucatán (FEDETUR).
Esta ligação internacional traduz-se também no acolhimento de alunos: a ESTH conta este ano com três estudantes mexicanos a frequentar os seus cursos de licenciatura, reforçando a integração e a troca de experiências entre Portugal e o México.
Para acompanhar de perto o trabalho de preservação da cultura e gastronomia Maia promovido pelo chef, o seu percurso pode ser seguido através das redes sociais no Instagram do Chef Príncipe Maya.





