Varsóvia, Cracóvia e Auschwitz: uma rota de emoções no coração da Polónia

O despertador tocou ainda de madrugada, mas a verdade é que quase não dormi. A ansiedade e a excitação eram tantas que acordei várias vezes durante a noite a pensar em tudo o que me esperava.

Cheguei ao Aeroporto do Porto. Enquanto esperava, observava os outros passageiros e imaginava quantas histórias diferentes estavam prestes a começar naquele mesmo momento. Quando finalmente embarquei rumo a Varsóvia, senti aquela sensação maravilhosa de estar a sair da rotina e a entrar numa nova aventura.

Aterrei em Varsóvia. O primeiro contacto com a Polónia foi exatamente como imaginava: organizada, moderna e surpreendentemente verde. Depois de um curto transfer até ao Crowne Plaza Warsaw, fiz o check-in e subi ao quarto. A vista da cidade deixou-me logo com vontade de sair à descoberta.

Sem perder tempo, comecei a explorar Varsóvia a pé. Rapidamente percebi que esta cidade foi feita para caminhar. As ruas são largas, limpas e os parques aparecem por todo o lado.

A primeira grande paragem foi o impressionante Palácio da Cultura e Ciência. É impossível não o ver. A sua dimensão domina completamente o horizonte. Saber que foi um presente de Estaline torna o edifício ainda mais intrigante. Há algo de fascinante na forma como os polacos convivem com este símbolo do passado soviético.

Subi ao famoso terraço do 30.º andar e fiquei completamente rendida. A vista sobre Varsóvia é simplesmente extraordinária. Conseguia ver quilómetros e quilómetros de cidade, arranha-céus modernos misturados com edifícios históricos e inúmeras áreas verdes. Fiquei ali largos minutos apenas a contemplar tudo.

Ao final da tarde segui em direção ao Castelo Real. Pelo caminho fui-me aproximando lentamente da Cidade Velha e senti uma mudança enorme no ambiente. As avenidas modernas deram lugar a ruas de pedra, fachadas coloridas e uma atmosfera cheia de história.

Chegar à Praça do Castelo foi um daqueles momentos em que sentimos que finalmente chegámos ao coração de uma cidade. A Coluna de Sigismundo destacava-se ao centro e o Castelo Real parecia saído de um livro de história.

Continuei até à Praça do Mercado da Cidade Velha. Fiquei encantada. As casas coloridas, os cafés espalhados pelas esplanadas e os artistas de rua criavam um cenário mágico. Tirei dezenas de fotografias e passei muito tempo apenas a caminhar sem destino.

Quando encontrei a famosa Sereia de Varsóvia, símbolo da cidade, senti que estava finalmente a conhecer a verdadeira alma da capital polaca.

No segundo dia, voltei à Cidade Velha para a explorar com mais calma.

Desta vez não tinha pressa. Queria perder-me pelas ruas, observar detalhes e imaginar como era a vida ali há séculos.

A Coluna de Sigismundo voltou a impressionar-me. Saber que foi um dos primeiros monumentos seculares do norte da Europa fez-me olhar para ela com outros olhos.

Percorri a Rua Piwna, uma das mais bonitas da cidade. As fachadas, os pequenos restaurantes e as igrejas criavam uma atmosfera muito especial. A Basílica de São João Batista impressionou-me pela imponência e pela sua importância histórica.

Continuei até à Muralha de Varsóvia. Foi impossível ficar indiferente ao Monumento ao Pequeno Insurgente. A estátua de uma criança vestida com uniforme militar é profundamente comovente. Fiquei alguns minutos em silêncio a pensar nas crianças que viveram os horrores da guerra.

O Barbakan, antiga fortificação medieval, fez-me sentir numa verdadeira cidade medieval. Percorrer aquelas muralhas foi quase uma viagem no tempo.

Mais tarde atravessei os tranquilos Jardins Krasinski. Que lugar bonito. O contraste entre a natureza e a cidade cria uma sensação de paz difícil de encontrar.

Mas o momento mais marcante do dia estava reservado para a visita ao Museu POLIN.

Nunca imaginei que um museu me pudesse emocionar tanto.

Ao entrar, a arquitetura impressiona imediatamente. As enormes paredes curvas parecem realmente representar as águas do Mar Vermelho a abrirem-se.

Passei várias horas a percorrer as galerias. Aprendi sobre mais de mil anos de história judaica na Polónia. Houve momentos inspiradores, outros profundamente emocionantes e alguns verdadeiramente difíceis de processar.

Ao sair senti-me mais rica culturalmente e mais consciente da importância da memória histórica.

Ao terceiro dia, despedi-me de Varsóvia.

Depois do pequeno-almoço fiz o check-out e segui para a estação Warszawa Centralna. Sempre gostei de viajar de comboio e esta viagem até Cracóvia prometia ser especial.

Durante as horas de viagem fui observando as paisagens polacas pela janela. Campos, pequenas aldeias, florestas e cidades iam surgindo ao longo do percurso.

Cheguei a Cracóvia ao início da tarde e imediatamente percebi porque tantas pessoas se apaixonam por esta cidade.

Fiquei hospedada no INX Design Hotel, e após o check-in aproveitei para descansar um pouco antes da visita guiada ao Bairro Judeu de Kazimierz.

O passeio começou junto à Antiga Sinagoga. O guia era excelente e rapidamente transportou-nos para séculos de história.

Kazimierz tem uma personalidade única. É impossível não sentir o peso da história presente em cada rua.

Visitei as antigas sinagogas, ouvi histórias fascinantes sobre a comunidade judaica e descobri os locais utilizados nas filmagens de “A Lista de Schindler”.

A Praça Nova estava cheia de vida. Experimentei uma zapiekanka e percebi imediatamente porque é tão famosa. Simples, mas deliciosa.

Quando o tour terminou, permaneci algum tempo a caminhar pelas ruas iluminadas do bairro. Regressei ao hotel completamente encantada com a cidade.

Quarto dia, estou nervosa, ansiosa e expectante. Hoje vai ser provavelmente o dia mais intenso de toda a viagem.

A visita a Auschwitz-Birkenau não é uma experiência turística comum. É algo muito mais profundo.

Desde o primeiro momento senti um enorme peso emocional.

Percorrer aqueles corredores, ver os objetos pessoais das vítimas, os testemunhos e os locais onde aconteceram atrocidades inimagináveis foi devastador.

Em Birkenau, a dimensão do campo impressiona ainda mais. Caminhar pelos carris que tantas vezes vimos em fotografias históricas foi um momento difícil de descrever.

Houve vários momentos de silêncio absoluto.

Saí de lá emocionalmente abalada, mas também profundamente grata por ter tido a oportunidade de visitar um lugar tão importante para a memória da humanidade.

O regresso a Cracóvia foi silencioso. Passei grande parte da viagem a refletir sobre tudo o que tinha visto.

Depois das emoções do dia anterior, hoje foi uma experiência completamente diferente.

A visita às Minas de Sal de Wieliczka superou todas as expectativas.

Descer centenas de degraus e entrar naquele mundo subterrâneo foi surreal.

Túneis intermináveis, esculturas, capelas, lagos subterrâneos… e tudo esculpido em sal.

A Catedral subterrânea deixou-me sem palavras. É difícil acreditar que foi construída por mineiros ao longo de séculos.

Cada sala parecia mais impressionante do que a anterior.

Durante horas explorei aquele autêntico labirinto subterrâneo e nunca deixei de me surpreender.

Quando finalmente regressámos à superfície, senti que tinha visitado um dos lugares mais extraordinários da minha vida.

Chegou o último dia.

O último dia na Polónia reservava-me uma experiência muito especial. Em vez de passar toda a manhã em Cracóvia, decidi visitar Wadowice, a pequena cidade onde nasceu Karol Wojtyła, o homem que viria a tornar-se João João Paulo II.

Ao chegar a Wadowice, fiquei surpreendida pela tranquilidade da cidade. É um lugar simples, acolhedor e muito bem cuidado. Nada ali parece grandioso ou monumental, mas talvez seja precisamente essa simplicidade que torna a visita tão autêntica.

O ponto alto foi, sem dúvida, a visita à Casa-Museu onde nasceu João Paulo II. Percorrer os quartos onde viveu a sua infância foi emocionante. O museu está extraordinariamente bem organizado e combina objetos pessoais, fotografias, documentos históricos e recursos multimédia que permitem acompanhar toda a sua vida, desde os tempos de estudante até ao pontificado.

Fiquei particularmente impressionado com a forma como o museu retrata os desafios que enfrentou durante a ocupação nazi e posteriormente durante o regime comunista. Compreendi melhor como essas experiências moldaram a sua personalidade, a sua fé e a sua visão do mundo.

Outro momento muito especial foi a visita à Basílica da Apresentação da Virgem Maria, a igreja onde Karol Wojtyła foi batizado. Entrar naquele espaço foi profundamente simbólico. Saber que foi ali que começou o percurso espiritual de um dos papas mais influentes da história moderna trouxe uma dimensão muito humana à figura que tantas vezes vemos apenas através dos grandes acontecimentos mundiais.

Antes de regressar a Cracóvia, ainda tive oportunidade de provar o famoso “kremówka”, um doce tradicional que João Paulo II tornou célebre ao recordar que o comia frequentemente na juventude. Sentada numa pastelaria local, enquanto saboreava aquela sobremesa, senti que estava a viver um pequeno pedaço da história pessoal do Papa.

Regressei a Cracóvia.

Segui para o centro histórico de Cracóvia.

A Colina de Wawel foi a primeira grande visita. O Castelo Real e a Catedral são absolutamente impressionantes. A importância histórica e simbólica daquele lugar sente-se em cada pedra.

Passei bastante tempo a explorar o complexo e a apreciar as vistas sobre o rio Vístula.

Depois caminhei até à Praça do Mercado, no coração da Cidade Velha.

Foi amor à primeira vista.

A Basílica de Santa Maria dominava a praça com as suas torres imponentes. O Sukiennice, antigo mercado renascentista, estava cheio de vida.

Passeei sem rumo pelas ruas históricas, entre cafés, músicos de rua, pequenas lojas e edifícios centenários.

Enquanto o transfer avançava pelas ruas de Cracóvia até ao Aeroporto, fui olhando pela janela e revivendo mentalmente todos os momentos desta aventura.

Varsóvia surpreendeu-me pela sua força e capacidade de renascer.

Cracóvia conquistou-me pela beleza e pela alma.

Auschwitz ensinou-me sobre memória e humanidade.

Wieliczka mostrou-me um mundo que nunca imaginei existir.

Wadowice emocionou-me pela simplicidade das suas origens e pela inspiração de caminhar nos passos de São João Paulo II.

Quando o avião levantou voo rumo ao Porto, levei comigo milhares de fotografias, dezenas de histórias e memórias que guardarei para sempre.

A Polónia entrou definitivamente na lista dos lugares que jamais esquecerei.

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