Voluntariado em Saúde decorreu no Hospital de Seia

“Ser voluntário na saúde é um compromisso duradouro. É uma disponibilidade total para conviver com a dor e a solidão.”

O Hospital Nossa Senhora da Assunção, em Seia, recebeu ontem, dia 30 de março, uma sessão de formação dedicada ao espírito do voluntariado, promovida pela Liga dos Amigos deste Hospital (LAHNSAS). Sob o mote “Ser Voluntário é…”, o evento reuniu novos rostos da causa solidária, contando com a presença da vereadora Célia Barbosa e de diversos elementos da comunidade de voluntários.

Carlos Ribeiro, Presidente da Federação Nacional de Voluntariado de Saúde, foi o orador da sessão e lamentou o facto de o voluntariado ainda não ter atingido “o valor real que tem para as entidades nacionais. Falta-nos esse reconhecimento formal pelas autoridades.”

A Liga dos Amigos do Hospital Nossa Senhora da Assunção de Seia (LAHNSAS) promoveu, durante a tarde do dia de ontem, uma sessão de formação intensiva dedicada ao papel do voluntariado em contexto hospitalar. O evento serviu para dar as boas-vindas a cinco novas voluntárias e promover o intercâmbio com um grupo de novos elementos vindos do Hospital da Guarda. Este crescimento de voluntários motivou a vinda a Seia do Presidente da Federação Nacional de Voluntariado de Saúde (FNVS), Carlos Ribeiro, antigo médico cirurgião e que abraçou o voluntariado de uma forma apaixonante há já longos anos.

Durante a sua intervenção, o Presidente Nacional abordou a evolução histórica do setor, lembrando que o voluntariado em Portugal remonta ao século XVI, com as Misericórdias. Carlos Ribeiro destacou, ainda, que o voluntariado nesta área não é um ato esporádico ou de curto prazo, como acontece em eventos desportivos ou culturais. “Ser voluntário na saúde é um compromisso duradouro. É uma disponibilidade total para conviver com a dor e a solidão. Não basta querer; é preciso ter perfil e entender que a nossa presença deve melhorar a qualidade da pessoa”, afirmou.

O papel do voluntário na humanização

Carlos Ribeiro foi crítico em relação ao sistema de saúde atual, notando que médicos e enfermeiros, muitas vezes, não têm tempo para humanizar o atendimento devido à pressão do sistema. É aqui que o voluntário se torna essencial: “O voluntário torna as instituições mais bonitas, menos agressivas e mais habitáveis”, sublinhou, exemplificando com o apoio dado aos idosos que chegam cedo para consultas e não sabem lidar com máquinas de senhas ou burocracias.

Durante a sessão, foram apontadas as diretrizes fundamentais para a conduta do voluntário. Neste sentido, salientou que o voluntário nunca deve “olhar de cima” para o doente. Se o paciente está sentado ou acamado, o voluntário deve baixar-se ou procurar uma cadeira para falar ao mesmo nível. Também, deve ser assertivo, falar pouco, num tom de voz baixo e terno, priorizando a escuta ativa. Ainda ter paciência, que é descrita como “uma das virtudes mais missionárias que existe”. Ao mesmo tempo, deve ser uma pessoa correta e educada fora do hospital, para que o exemplo pessoal valide a “bata amarela” que envergam.

Os benefícios em ser voluntário

Para além do impacto social, a formação destacou os benefícios diretos para quem ajuda. Citando estudos científicos, o orador sublinhou que a prática do voluntariado diminui o stress e aumenta os níveis de felicidade. “Ganhamos sentido na vida e vivemos, em média, mais quatro anos”, afirmou, acrescentando que voluntários tendem a recuperar melhor de doenças e a registar menos patologias graves.

A luta pelo reconhecimento

Apesar da importância social e humanitária, o presidente da FNVS lamentou o facto de o voluntariado ainda não ter o reconhecimento real por parte das autoridades nacionais de saúde e governamentais. “O voluntariado ainda não atingiu o valor real que tem para as entidades nacionais; falta-nos esse reconhecimento formal pelas autoridades.” Referiu, a título de exemplo, as dificuldades de agenda para envolver altos cargos do Estado nos encontros nacionais, reiterando que o maior agradecimento continua a vir do “sorriso indescritível” de quem é ajudado.

O apelo final foi direcionado aos jovens, sublinhando-se a necessidade premente de atrair “gente nova” para garantir a continuidade desta missão humanista e fraterna.

Este evento reforça o compromisso da Liga dos Amigos do Hospital Nossa Senhora da Assunção (LAHNSAS) em promover um serviço de proximidade que, como dizia uma das projeções da tarde, “faz bem à alma”.

O evento culminou com um lanche de confraternização entre os voluntários veteranos e os recém-chegados

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