SÍMBOLOS NACIONAIS, CAUSAS E BANDEIRAS

Sou daqueles que defendem que os símbolos nacionais devem ser respeitados e não misturados com outros quaisquer.
Naturalmente, refiro-me aos símbolos definidos, como tal, na Constituição, a Bandeira e o Hino Nacionais, e não a símbolos de cadernetas de cromos. Considerar que Ronaldo deve ser convocado porque “é amplamente reconhecido como um símbolo de Portugal” e porque “Portugal lhe deve muito” é ridículo e ofensivo e leva à banalização e diminuição daquilo que é verdadeiramente importante.
São a Bandeira e o Hino (artigo 11° da Constituição), juntamente com a língua, que nos unem, que alicerçam a nossa unidade, identidade e soberania e nos distinguem das outras nações.
O Presidente da República vetou o decreto legislativo que proibia o hasteamento de bandeiras de natureza “ideológica, partidária ou associativa” em edifícios públicos, que fica marcado como o primeiro veto político do atual PR.
Seguro fundamentou o seu veto mas deixou entender que não deverá haver impedimento ao hasteamento de bandeiras associadas a grupos minoritários e a causas, desde que em contexto adequado.
Não há, em meu entender, contextos adequados que justifiquem misturar bandeiras de causas, grupos e comunidades à Bandeira Nacional.
Seguro tem receio de desagradar grupos ideológicos e defensores de causas, que devem ter direito ao seu espaço e expressão próprios, e que o ajudaram a alcançar o lugar de Presidente da República, que não é um símbolo nacional.
Se é por uma questão de representatividade desses grupos, porque não passar a hastear a bandeira do Benfica em edifícios públicos? Ao que parece, o Benfica tem cerca de 440.000 sócios registados, o que lhe confere o estatuto de um dos clubes do mundo com mais sócios. Trata-se de uma comunidade associativa que abrange todo o território nacional e a diáspora espalhada pelo mundo, democrática, plural, sem distinção de sexo, religião ou idade.
Será difícil encontrar uma comunidade tão representativa e abrangente como esta, portanto merecedora de ver a sua bandeira hasteada em edifícios públicos, em contexto adequado.
Uma sondagem indica que este clube terá mais de 4,5 milhões de adeptos em território nacional, um número bastante superior ao de eleitores que elegeram Seguro.
O que acharia Seguro se fosse acompanhado pelo presidente do Benfica, em certas cerimónias oficiais, em contexto adequado?
E quando é que neste país e neste parlamento se começa a discutir aquilo que verdadeiramente interessa a Portugal e preocupa os portugueses?

SÍMBOLOS NACIONAIS, CAUSAS E BANDEIRAS

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