
































O Centro de Saúde de Seia foi oficialmente inaugurado após uma profunda obra de requalificação orçada em mais de 2,7 milhões de euros, garantindo 100% de cobertura de médico de família e instalações modernizadas para a população concelhia. Embora o espaço já estivesse em funcionamento há alguns meses, a cerimónia oficial realizou-se no dia de ontem, assinalando também o arranque das comemorações dos 18 anos da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda.
A intervenção representou um investimento global de 2.757.597,31 euros (com IVA), financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). As obras, iniciadas em junho de 2023, modernizaram a totalidade da infraestrutura, que passou a acolher as Unidades de Saúde Familiar (USF) “Nova Estrela” e “A Serrana”, a Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC), a Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados (URAP) e a Unidade de Cuidados de Saúde Partilhados. Durante a empreitada, os serviços funcionaram provisoriamente em estruturas modulares na Rua dos Lanifícios e no antigo centro de vacinação da Rua da Liberdade.
Fim de “condições deploráveis” e fixação de profissionais
Na sessão de inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, recordou o longo caminho até à concretização da requalificação e denunciou o estado de degradação em que a infraestrutura se encontrava:
”A seu tempo até chegar aqui, as casas de banho estavam fechadas há mais de 12 anos. Simplesmente as torneiras não funcionavam. Portanto, isso é algo que não nos podia, nem podia orgulhar a ninguém que estivesse na gestão dos cuidados de saúde.”
O autarca relatou também os bastidores do processo político e os esforços junto do Ministério da Saúde para assegurar as verbas do PRR, frisando contudo que o maior ganho da obra foi a capacidade de atração de recursos humanos:
”O passo maior que conseguimos dar nos últimos tempos foi que hoje temos profissionais. Temos 12 equipas dedicadas aos cuidados de saúde primários em Seia, à população, com algo que para nós é fundamental, que é o edifício poder estar em ótimas condições de cativar profissionais e de manter as pessoas motivadas.”
”Inauguramos um resultado, não apenas uma obra”
A presidente do Conselho de Administração da ULS da Guarda, Rita Teimão Figueiredo, sublinhou a importância estratégica do projeto, garantindo que o concelho passa a ter cobertura total de cuidados primários:
”Permitam-me dizer que hoje não inauguramos apenas uma obra, inauguramos um resultado. E fazemo-lo apenas hoje porque o nosso objetivo não são inaugurações. O nosso objetivo é a verdadeira concretização de projetos que vão ao encontro daquilo que são as reais necessidades dos nossos utentes.”
A responsável destacou a necessidade de ultrapassar constrangimentos financeiros para concluir a obra, que exigiu mais de um milhão de euros adicionais face ao valor inicialmente previsto. Lembrou ainda a importância do fator humano no ecossistema de saúde:
”Uma obra por si só não garante cuidados de saúde. Um edifício não consulta um doente, um edifício não acompanha uma grávida, uma criança, um idoso ou um doente crónico. Um edifício não garante um médico de família. São as pessoas, as equipas e a organização que transformam uma infraestrutura em cuidados de saúde.”
Rita Figueiredo enquadrou esta intervenção num plano de investimento global da ULS da Guarda entre 2025 e 2026, que soma 32 projetos financiados pelo PRR (mais de 25 milhões de euros) dentro de um pacote total na área da saúde superior a 35 milhões de euros no território. No plano hospitalar local, destacou a retoma das cirurgias de ortopedia em ambulatório no Hospital Nossa Senhora da Assunção — interrompidas há 12 anos e que somam quase 200 intervenções este ano —, além da contratação de novos clínicos, incluindo uma médica internista.
O pilar do Serviço Nacional de Saúde
A cerimónia contou, ainda, com a presença do Diretor Executivo do SNS, Álvaro Santos Almeida, que definiu os cuidados de proximidade como a essência do sistema público de saúde:
”Independentemente da importância que as unidades hospitalares têm, para nós, Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, são estas unidades de cuidados primários que são a essência, a base e o pilar fundamental deste nosso SNS. Aqui não somos um episódio de urgência, não somos uma consulta de especialidade, somos uma pessoa que tem várias dimensões.”
O responsável pela gestão do SNS fez questão de agradecer aos trabalhadores da unidade pelo período em que prestaram serviço em instalações provisórias:
”Queria falar para vos agradecer, primeiro, a resiliência de terem trabalhado até há pouco tempo em condições que não eram as adequadas e mesmo assim não terem desistido. É importante que o tenham feito e agradecemos; o Serviço Nacional de Saúde está agradecido ao vosso esforço.”
Álvaro Santos Almeida assegurou ainda que a Direção Executiva está a desenhar mecanismos de valorização e diferenciação para fixar e reconhecer o trabalho dos profissionais que operam em territórios do interior e nas extensões de saúde descentralizadas.
A ULS da Guarda assegura atualmente a gestão dos hospitais da Guarda e de Seia, 13 centros de saúde e sete USF distribuídos por 14 concelhos, prestando assistência a cerca de 140 mil habitantes.





