DEPOIS DA PANDEMIA, DA TEMPESTADE E DA GUERRA VEM A BONANÇA?

Um antigo provérbio popular pretende dizer-nos que os períodos de crise e de sofrimentos são passageiros e, habitualmente, seguidos de momentos de tranquilidade e prosperidade, mas os provérbios populares já não são o que eram.
Da mesma forma que depois da pandemia nem tudo voltou ao normal, também depois da tempestade e da guerra, a bonança não chegará a todos. Todos conhecemos exemplos, mas poucos foram aqueles que aproveitaram o período da pandemia para fazer novas criações, para reinventar o seu negócio e para renovar ou, simplesmente, para pensar numa forma diferente de enfrentar os imprevistos e as incertezas e salvaguardar um futuro mais tranquilo.
Somos uma sociedade pouco securitária, onde pessoas e instituições apenas recorrem a seguros e coberturas de risco em situações extremas ou porque são obrigadas, uma sociedade onde muita gente vive acima das suas possibilidades e necessidades, privilegiando a visibilidade, numa vida de aparência, de pequenos esquemas e de fugas ou contornos aos seus deveres, na ilusão de benefícios pessoais permanentes, tentando transmitir uma imagem de tranquilidade e prosperidade, que muitas vezes não existem. Não criam redes nem almofadas para amparar qualquer imprevisto e passam a vida a lamentar-se dos pequenos infortúnios e a apontar o dedo às falhas dos outros.
Por outro lado, também uma boa parte das empresas e instituições vive em permanente sobressalto, a viver o dia-a-dia sem preparar o futuro, sem estudar o mercado, sem se comparar com a melhor concorrência, sem potenciar e valorizar os seus colaboradores, sem manter uma relação forte e séria com os seus clientes, sem criar reservas, mas sempre a pensar no lucro fácil e rápido e a procurar o próximo subsídio.
Subvenções ou subsídios, tanto para pessoas como para empresas e instituições, é coisa que não falta neste país, nem sempre acompanhados da devida fiscalização e vigilância, procurando garantir que os beneficiários ou as atividades sejam sustentáveis.
Para aqueles para quem já não havia bonança antes desta sucessão, que não vai parar, de adversidades, também não a vão adquirir depois de passar a tempestade. Espera-se, ao menos, que aprendam com os erros do passado e adotem medidas mais preventivas.
Para as empresas e instituições, a tempestade e a guerra vão proceder a uma seleção natural, a uma purga das mais fracas ou que já estavam convalescentes e, por outro lado, à sobrevivência das mais fortes e melhor preparadas, aproveitando algumas para renovar e reinventar, fortalecendo-se ainda mais.

DEPOIS DA PANDEMIA, DA TEMPESTADE E DA GUERRA, VEM A BONANÇA?

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