A vida é ritmada por ciclos e é precisamente nos momentos de maior exigência que a verdadeira conduta humana se revela. Ser simpático, gentil ou colaborante quando tudo corre bem é relativamente fácil. Quando as circunstâncias são favoráveis, o equilíbrio emocional parece natural e espontâneo. No entanto, é nos momentos de tensão, de conflito ou de incerteza que se percebe quem realmente somos.
Os desafios colocam-nos à prova quando o contexto se torna complexo e quando as variáveis exigem coragem, presença íntegra e capacidade de colocar o essencial acima do mundano, acima do mais fácil, do mais confortável ou do mais imediato. É precisamente nesses momentos que, não raras vezes, cedemos a atalhos pouco dignos. Chamemos-lhe, sem rodeios, uma forma de “cobardia”. A palavra pode parecer dura, mas descreve bem a consequência de atos pouco maduros, irrefletidos ou movidos por interesses circunstanciais.
A ética, a conduta e a moralidade não são meras expressões bonitas reservadas a códigos, estatutos ou regulamentos institucionais. São, ou deveriam ser, princípios vivos que orientam o pensamento, os atos e até as omissões de cada pessoa.
A relações humanas são uma das mais belas pontes que ligam indivíduos e comunidades, delas nasce progresso, crescimento coletivo e sabedoria partilhada. Contudo, quando essas relações são contaminadas pela ambição desmedida ou pelo desejo de vantagem pessoal a qualquer custo, podem transformar-se em fontes de desconfiança, conflito e desgaste humano. Convém, por isso, recordar algo simples, mas essencial: não vale tudo.
Liberdade, direitos e oportunidades não podem ser confundidos com oportunismo, deslealdade ou manipulação em benefício próprio. A integridade não é uma palavra abstrata é uma escolha diária. Cuidar das nossas ações e do modo como nos relacionamos com os outros é também cuidar do futuro que ajudamos a construir. Aquilo que espalhamos nas nossas atitudes acaba sempre por germinar na realidade que nos rodeia.
Somos, cada um de nós, pequenos grãos. Pequenos, sim, mas não insignificantes. Todos fazemos parte do mesmo solo onde plantamos e do mundo que dele nascerá.



