“Cada peça leva um toque de mim”
Depois de 18 anos de emigração entre a Inglaterra e a França, Ângela Barata natural do Aguincho (Seia) regressou às origens para apostar num negócio próprio. O espaço “Um toque de mim”, inaugurado no passado dia 1 de maio, diferencia-se pela exclusividade de cada peça e por uma política de preços acessíveis.


Há quem diga que quem corre por gosto não cansa, e a história de Ângela Barata é a prova viva disso. Natural do Aguincho (Seia), terra conhecida pelas famosas trutas do rio Alvoco, Ângela traçou um longo percurso além-fronteiras antes de concretizar o sonho de uma vida: abrir a sua própria loja no coração da sua terra natal.


O caminho fez-se com malas na mão e espírito de sacrifício. Em 1998, emigrou para a Inglaterra, e um ano depois, em 1999, mudou-se para Lyon, em França, cidade onde viveu e trabalhou durante 18 anos. Contudo, o apelo das raízes falou mais alto e, há cerca de dois anos, decidiu que era tempo de regressar a Portugal.
A marca “Um toque de mim” não nasceu ontem. Começou a ganhar forma em 2008, através de vendas online e da participação em pequenas feiras sempre que Ângela em França e quando vinha a Portugal passar férias. De referir que era, também convidada a decorar vitrinas e casas. No passado dia 1 de maio, o projeto ganhou finalmente uma morada física.









O grande diferencial do espaço é a exclusividade. Sem qualquer formação técnica na área, Ângela confia no seu instinto e na paixão pelo artesanato. “É um toque de mim, porque tudo o que eu faço é com amor. Entrego-me às peças de corpo e alma e cada uma leva parte de mim”, partilha Ângela, assegurando que não faz duas peças iguais, mesmo que lhe peçam.
Quem visita a loja encontra muito mais do que vestuário. O espaço funciona como um conceito de personalização total: o cliente pode pedir alterações num vestido, encomendar porta-chaves com nomes, velas artesanais, lembranças ou acessórios como carteiras, fios e relógios adaptados ao seu gosto pessoal.
Adaptação ao mercado e praticar preços justos
Atenta às necessidades dos clientes em Seia, Ângela Barata já estuda novas apostas para o negócio. Apesar do receio financeiro que envolve o investimento em peças mais caras, a empresária pondera introduzir mais vestidos de cerimónia para responder à procura na época de casamentos, batizados ou bailes de finalistas, além de planear uma maior variedade de tamanhos, ou peças para as pessoas “fofinhas”, como carinhosamente lhes chama.
Numa conjuntura económica que reconhece estar difícil para as famílias, a estratégia de negócio passa pela proximidade e pela moderação nas margens de lucro. “Prefiro ganhar menos e vender mais, do que estar a ganhar mais e vender menos. Quero que as pessoas tenham real possibilidade de comprar”, explica.
Apesar de confessar, entre risos, alguma timidez e a falta de “jeito” para o papel de vendedora tradicional, o talento de Ângela Barato está espelhado em cada canto da nova loja.
O comércio nesta artéria da cidade começa a ganhar uma maior vitalidade e um novo vigor, graças aos empreendedores que vão dando corpo a novos projetos e apostando na modernização do tecido empresarial local. Este novo espaço, na Rua Dr. Simões Pereira, não é apenas mais uma porta que se abre, mas sim um sinal claro de confiança no potencial económico de Seia.
















