II Jornadas do Hospital de Seia – Rita Teimão, Presidente do Conselho de Administração da ULS da Guarda, enaltece humanismo e resiliência no SNS

“Já vi muitos corredores cheios de macas. Já vi muitos doentes a gemer e muitas pessoas a sofrer. Mas dentro do Serviço Nacional de Saúde nunca vi nenhum deles morrer sozinho. O que se passa muitas vezes em casa.”

Num discurso marcado pela emoção e pelo reconhecimento do mérito clínico, a Presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, Rita Teimão Figueiredo, falou nas II Jornadas do Hospital de Nossa Senhora da Assunção, em Seia, sublinhando a vitalidade da instituição e o papel central dos seus profissionais no sistema de saúde da região.

Tal como o JSM já havia anunciado, Rita Teimão salientou, também, o anúncio da retoma de valências históricas. Rita Figueiredo destacou que, 10 anos depois, o Hospital de Seia voltou a realizar cirurgia ortopédica.

A administradora reforçou que “o hospital não é um satélite isolado, mas sim um polo de competência que projeta liderança para todo o distrito”. “Faz-se cá tudo o que se quiser, porque existem pessoas que fazem acontecer”. Salientou, também, o facto de a diretora de serviço de nutrição ser de Seia. “Portanto, é Seia que comanda todas as nutricionistas do distrito”.

“Os profissionais de saúde são a força e o pilar do SNS”

A par do balanço técnico, Rita Figueiredo aproveitou as Jornadas para lançar um apelo à sociedade civil e aos órgãos de comunicação, lamentando o foco excessivo nas críticas ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A presidente recordou o sacrifício pessoal dos profissionais que abdicam de feriados e do tempo em família, como o Natal e a Passagem de Ano, para manter as “portas abertas”.

Contrapondo a imagem de “caos” muitas vezes transmitida, a administradora afirmou que, apesar das dificuldades logísticas e dos corredores por vezes lotados, dentro do SNS diz nunca ter visto “nenhum doente morrer sozinho”. Acrescentou que “os profissionais de saúde são a força e o pilar do SNS” e apelou para que a comunidade retribua o carinho que os mesmos dão aos doentes.

“Quando ligamos as televisões, a única coisa que muitas vezes vemos e ouvimos são as críticas ao Serviço Nacional de Saúde e ataques aos profissionais de saúde. Acho que também é a altura de as pessoas valorizarem os profissionais de saúde. Todos nós gostamos de estar com a nossa família, de passar tempo com os nossos. Mas há pessoas que não passaram o Natal com a família. Há pessoas que não passaram a passagem de ano com a família. Há pessoas que não têm feriados. Há pessoas que não têm pontes, porque elas próprias são uma ponte. Há pessoas que fazem o Serviço Nacional de Saúde andar. Há pessoas que mantêm as portas abertas. E há pessoas que, no meio daquele caos, cuidam da vida humana. E essas pessoas têm de ser encaminhadas e têm de ser reconhecidas. Não há cuidado de saúde sem essas pessoas. E, portanto, acho que o carinho de fora também tem de vir para dentro. Os profissionais de saúde são a força e o pilar do SNS. É triste aquilo que passa para fora. Já vi muitos corredores cheios de macas. Já vi muitos doentes a gemer e muitas pessoas a sofrer. Mas dentro do Serviço Nacional de Saúde nunca vi nenhum deles morrer sozinho. O que se passa muitas vezes em casa.”

A “gestão com amor”

Num tom mais pessoal, a presidente agradeceu publicamente à sua equipa direta, nomeadamente ao enfermeiro José Fonseca, classificando-o como uma “pessoa extraordinária” e uma fonte de apoio diário na gestão da instituição. “Este profissional está sempre disponível para tudo. Muitas vezes vai à Guarda e, muitas vezes, faz estas pontes que nós precisamos.”

Referiu, também, o grande humanismo da médica Helena Figueiredo, diretora do serviço de Medicina Interna do Hospital de Seia. “Se nós precisarmos de uma doutora Helena, eu acho que, mesmo com o corredor cheio de macas, ela ainda vai à Guarda dar-nos uma ajuda.” Citando, ainda, a médica Helena Figueiredo, Rita Teimão concluiu que a excelência na saúde não se faz apenas com máquinas: “Isto vai lá é com o amor”.

As II Jornadas do Hospital de Seia reafirmam, assim, a posição desta unidade como um centro de cuidados diferenciados e humanizados, essencial para a coesão da assistência hospitalar no distrito da Guarda.

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