A encenadora Mónica Calle e cerca de 30 intérpretes do Coro das Mulheres da Fábrica estreiam, esta sexta-feira, dia 07 de agosto, às 21h30, “Descrição de uma Paisagem”, uma performance-percurso criada a convite do Festival Ocupar a Velga, em Valezim, no concelho de Seia, e que evoca uma reflexão sobre comunidade, memória, resistência e território.
Concebida como uma vigília e uma procissão contemporânea, a criação propõe um percurso pela aldeia, transformando a paisagem num elemento central da dramaturgia. A performance parte da pergunta “O que nos junta?” e procura criar um espaço de encontro e comunhão num tempo marcado pela divisão e pela desconfiança.
Segundo a artista, a ideia surgiu a partir do desafio lançado pela organização para desenvolver “uma performance que pudesse remeter para um misto de peregrinação/procissão, passando por vários pontos da aldeia”. “O que me pareceu mais interessante foi poder misturar esta dimensão sagrada com um lado mais profano pelo repertório musical”, reforça.
Para Mónica Calle, o espetáculo procura descrever “um lugar, um instante, um caminho feito em conjunto”, convocando “a memória individual e coletiva” e a celebração da vida.
A paisagem da aldeia de Valezim assume um papel determinante na criação, deixando de funcionar apenas como cenário para integrar a própria construção dramatúrgica. “A paisagem é parte essencial da performance, está intimamente ligada à própria conceção do trabalho. O grande desafio foi tirar o máximo partido de vários elementos da aldeia e da paisagem, construindo várias camadas de narrativas na ligação com o repertório escolhido”, afirma Mónica Calle.
O espetáculo é atravessado por uma reflexão sobre o abandono do interior do país, realidade que considera inevitavelmente presente na obra, bem como inclui “material textual que implica a ideia de resistência, da violência da repetição do trabalho manual e da preservação da dignidade e da memória”.
Em cena estarão cerca de 30 mulheres, desafiadas a explorar uma dimensão performativa marcada pela exigência física, pela palavra e pelo trabalho coletivo. Segundo Mónica Calle, um dos principais desafios passou por conciliar a força do coro enquanto coletivo com a singularidade de cada intérprete, num processo que incidiu também sobre a intimidade e a palavra falada.
Com “Descrição de uma Paisagem”, Mónica Calle pretende proporcionar ao público uma experiência coletiva capaz de permanecer para além do momento da apresentação.
O espetáculo estreia esta sexta-feira, dia 7 de agosto, às 21h30, em Valezim (Seia) e tem entrada gratuita.

5.ª edição Festival Ocupar a Velga
O Festival Ocupar a Velga iniciou a sua 5.ª edição esta segunda-feira, dia 3 de agosto. Promovido pela Produção d’Fusão, o festival apresenta, até dia 8 de agosto, uma programação multidisciplinar que reúne teatro, dança, performance, cinema, oficinas, leituras, conversas e momentos de convívio, envolvendo artistas, habitantes e visitantes numa experiência cultural de proximidade.
Na tradição oral, a Velga é o nome dado aos campos nas encostas da Serra da Estrela onde se cultivava batata, milho e centeio. Inspirado no próprio território e na vontade de o ocupar e de o aproximar das artes performativas, nasceu o festival Ocupar a Velga. Contrariando assim a ideia de que a oferta cultural de qualidade está reservada aos grandes centros urbanos e levando programação artística contemporânea a um contexto rural e ao espaço público, onde o encontro acontece de forma mais espontânea e acessível.
A 5.ª edição confirma que o projeto encontrou o seu lugar, a sua identidade e os princípios que regem a sua relação com o território. Até ao final do festival, é possível assistir aos espetáculos “Popular”, de Sara Inês Gigante, “Mulher Enciclopédica”, uma criação de Poliana Tuchia e Keli Freitas e “Também se matam cavalos”, de Francisco Thiago Cavalcanti & Um cavalo disse mamãe”. Paralelamente, serão ainda promovidas oficinas, uma sessão de leitura, uma sessão de cinema para os mais pequenos e famílias e conversas. O festival encerra em clima de festa no dia 08 de agosto com Mike El Nite, DJ, host e entertainer, num baile que transforma a música num espaço de encontro e celebração coletiva.
As datas e horários das atividades podem ser consultados no site da Produção d’Fusão.





