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Três Tentos” – O novo disco dos NINGUE NINGUE

Os músicos César Prata (Guarda) e Maria Isabel Mendonça (Seia) editaram, em 2018, o seu primeiro videoclipe da composição original “Fio”, de César Prata, concebida para o espetáculo “Labirinto” (2018) – uma criação coletiva com encenação de Graeme Pulleyn. O videoclipe foi lançado em nome do projeto Ningue Ningue.

Contudo, o primeiro disco – “Ningue Ningue” – só viria a ser editado em julho de 2020, na sequência de um período de reflexão e experimentação em torno de músicas e letras da música de raiz. Além de “Fio”, as restantes composições evidenciam um trabalho de “desconstrução” do repertório de tradição oral, “procurando o ponto de encontro entre o som tradicional e a sua contemporaneidade” (Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 1304, 2020). “Ningue Ningue” teve uma edição de autor, com uma tiragem de 300 exemplares. O desenho do disco foi concebido pelos próprios, preconizando uma abordagem ambientalista e culturalista transparecida na estética das fotografias e dos desenhos da aldeia de Maceira (Fornos de Algodres) registados por Maria Isabel Mendonça. O disco de estreia foi acolhido e apresentado ao vivo no histórico programa “Viva a Música”, de Armando Carvalhêda, na Antena 1.

O segundo projeto discográfico de Ningue Ningue conciliou, de forma livre, o repertório da tradição oral e a música antiga em línguas romance. A sua conceção foi precedida por um trabalho de pesquisa e seleção musical que visou sustentar a afinidade, uma contaminação recíproca, entre as práticas musicais populares e as formas de composição musical erudita anteriores ao século XVIII. O disco, intitulado “No paço e no terreiro”, editado em dezembro de 2022, reuniu, assim, música de compositores anónimos dos séculos XVI e XVII, de César Prata, Maria Isabel Mendonça e tradicional e letras de anónimos dos séculos XIII, XVI e XVII, de Afonso X, Pêro Garcia e D. Dinis. O desenho do objeto discográfico foi desenvolvido pelos próprios autores. O produto final foi, novamente, lançado em edição própria que recebeu a chancela da Antena 2.

Foi acolhido com relevo pela crítica, destacando-se, em particular, o programa de rádio “Os Cantos da Casa”, de Octávio Fonseca e Pedro Ramajal, onde “No paço e no terreiro” foi distinguido como um dos discos mais importantes de 2022, pela capacidade de “explorar os temas tendo por base a matriz sonora [de Ningue Ningue], sem se afastar do espírito original” da música antiga.

Mais recentemente, Ningue Ningue desenvolveu um projeto designado “De boca em boca”, apoiado pelo programa Arte e Coesão Territorial, da Direção Geral das Artes. O programa proposto desenrolou-se ao longo de um ano e meio e teve como objetivo a valorização do legado oral, associado à vertente musical, através do seu estudo, integração na criação musical e divulgação junto das populações dos concelhos de Seia, Trancoso, Fornos de Algodres, Sernancelhe e Alfândega da Fé. O projeto visou, por fim, dar voz e palco às estruturas artísticas e comunidades da região em causa.

Ano após ano, durante a quadra natalícia, o projeto Ningue Ningue tem apresentado repertório com arranjos originais de cantares tradicionais do “ciclo dos doze dias”, dedicado ao Menino, à Virgem Maria, ao Natal, Janeiras e Reis. Em dezembro de 2025, os concertos de Natal de Ningue Ningue nas freguesias rurais do concelho da Guarda, gravados ao vivo, tiveram destaque no programa “Rostos e Rumos”, da TSF, de Manuel Vilas Boas.

“Três Tentos”

Os temas do disco foram recolhidos nos concelhos de Gouveia e Seia: Cativelos, Folgosinhos, Aldeias, Nabais, Sazes, Valezim. Alicerça-se numa estreita ligação ao território e inscreve-se numa lógica de pertença e de afirmação de uma identidade cultural regional.

2O novo disco, “Três Tentos”, foi buscar o seu nome ao tema que abre o disco, uma dança recolhida em Cativelos pelo Padre António Morais. Aliás, todos os temas resultam, segundo os autores, “de recolhas daquele estudioso e musicólogo, que gentilmente nos cedeu acesso ao seu acervo musical e aos seus registos.”

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