Liberdade Interior: território nem sempre conquistado

Vivemos num país onde a liberdade é celebrada, evocada e, felizmente, garantida. Em Portugal, a democracia permite-nos o direito de escolha, de expressão, de construção de percursos diversos. Contudo, há uma forma de liberdade que, muitas vezes, é difícil de conquistar, refiro-me à liberdade interior.

Habituámo-nos a um sistema livre e sem pressões externas, no sentido de poder dizer o que pensamos, escolher percursos futuros, exercer um papel ativo na comunidade em diferentes domínios. No entanto, quem não sente um qualquer tipo de pressão, bloqueio, resistência limitadora que condiciona de “dentro para fora”. Pode apresentar-se com uma expressão ligeira e com pouca interferência na dinâmica pessoal de vida, mas também pode ser profundamente opressora. Esta forma de “opressão interna” pode limitar planos, experiências e até permanências indesejadas em contextos específicos de violência, abuso, bullying.

Nestes sistemas mais fragilizados não se trata, de ausência de liberdade externa, mas incapacidade de usufruir e ser contingente na liberdade interna. De um ponto de vista clínico e patologizante podemos até falar de quadros que chegam a configurar perturbações mentais (depressão, ansiedade, obsessivo-compulsivos entre outras).

Este modelo sabotador, com padrões, por vezes, rígidos assentes em profundo enraizamento sociocultural, em crenças e narrativas internas limitadoras deve-se à forma como o cérebro molda hábitos e comportamentos.

Podemos refletir, brevemente, sobre a dificuldade em mantermos hábitos. Frequentemente, iniciamos algo com imenso entusiasmo que resvala com alguma facilidade. Por vezes, essa desistência é consciente, em outras circunstâncias acontece de forma quase impercetível, até chegarmos ao ponto de partida. Conseguir ir além desse momento de desistência é, talvez, um dos passos mais importantes em qualquer processo de mudança. É quando o desconforto aumenta, quando a motivação diminui e quando o antigo padrão parece mais apelativo, que surge a oportunidade de crescimento. Aqui destaco dois conceitos essenciais, a motivação e a disciplina, ambos essenciais, mas cabe explorar as particularidades. A motivação pode ser volátil, porém a disciplina ajuda a suportar e empoderar a continuidade do processo. A disciplina é algo mais sólido, é a capacidade de continuar mesmo quando a motivação escasseia. É escolher, de forma consciente, manter um comportamento alinhado com o valorizado, mesmo nos maiores desafios.

A verdadeira liberdade interior surge quando deixamos de ser reféns do impulso imediato e escolhemos agir de acordo com um propósito mais profundo.

Este caminho não é simples, exige consciência, persistência e, muitas vezes, apoio. No entanto é também um dos mais transformadores porque, ao contrário da liberdade externa, que pode depender de contextos, a liberdade interior é um espaço que podemos construir dentro de nós, independentemente das circunstâncias.

Num tempo em que celebramos a liberdade como valor coletivo, talvez seja igualmente importante olhar para dentro e perguntar: até que ponto somos verdadeiramente livres interiorMente?

A resposta a essa pergunta pode ser o início de uma mudança profunda e de uma vida mais autêntica.

» Onde comprar o Jornal de Santa Marinha «

ARTIGOS DE OPINIÃO

A Seleção não é Cristiano Ronaldo. E Cristiano Ronaldo não é a Seleção

Pela memória. Pela gratidão. E pelo respeito que todos...

180 anos de tradição e juventude. A Festa da Banda Musical de Santa Marinha

Assistimos durante a tarde de ontem, dia 27 de...

Uma reflexão para nos fazer pensar

:::: por Santiago Borges Ferreira – 15 anos :::: ...

A ciência de setembro, ao nosso redor

:::: por Gabriel Martins – 18 anos :::: Apesar de nem sempre...

O PSD cor-de-rosa — Quando o laranja começa a desbotar

Há coisas que custam a escrever. Esta é uma delas. Durante...

Enquanto o país está de férias a SMEB dá música

O mês de agosto traz consigo aquele perfume inconfundível...

Carta aberta aos políticos, deputados e chefes dos partidos

Decidimos dirigir esta carta aberta aos políticos, deputados e...

“HOUSTON, TEMOS UM PROBLEMA”

A frase ficou célebre e teve origem na missão...