EU É QUE TENHOAS PISTOLAS

  • Olha que eu vou queixar-me ao meu pai e ele é o presidente.
  • O teu pai é o presidente, mas o meu pai é quem tem as pistolas. Portanto, ainda levas outra tapa.

Este texto reproduz, o tão fiel quanto possível, o diálogo entre dois jovens, um rapaz e uma rapariga, e foi-me contado por quem o presenciou, amigo comum dos dialogantes, filhos, um, do presidente da república e, o outro, do ministro de estado e chefe da guarda presidencial, portanto, chefe da casa militar da presidência da república de um determinado país.

Estamos em 2014, os três jovens estudam num colégio num país estrangeiro, frequentado por elites e, no meio de uma daquelas discussões, por vezes sem sentido, de jovens adolescentes, o rapaz dá uma bofetada na rapariga, ao que se segue o diálogo acima.
Recordei este episódio por entender haver alguma semelhança com os tempos que vivemos atualmente.

Os principais protagonistas dos últimos acontecimentos e os principais líderes mundiais parecem adolescentes que gerem os seus países e a geopolítica com atitudes infantis, cada um com a sua birra e a colocar-se em bicos de pés, a tentar ganhar protagonismo relativamente aos restantes.

Trump, que preside a um país que sempre teve uma tentação para se meter em guerras em outros países, apesar das suas gaffes, narcisismo, imprevisibilidade e ignorância, é quem domina a cena política e as notícias e quem tem mais influência nas nossas vidas. Isto apenas acontece porque não existe um único líder, com carisma, visão e aglutinador, em quem possamos encontrar uma esperança, incluindo na União Europeia, em declínio económico, competitivo e a perder relevância.

Chega a meter dó a maneira como a Europa é tratada, assim como algumas das declarações, ridículas e aparentemente frontais e duras, mas completamente inócuas, de alguns dos seus líderes. Não há um único líder que se salve, no meio destes miúdos crescidos a brincar à política e a jogar com as nossas vidas.

Enquanto isto, Xi Jinping, que lidera o segundo país mais populoso do mundo o que, por si, já é merecedor de apreciação, vai assistindo, com a tradicional “paciência de chinês” e a visão de um mundo com o qual evita entrar em guerras e que, ao mesmo tempo, se movimenta e esforça em ampliar as suas relações políticas e económicas e, assim, a sua influência.
Sem líderes e com um protagonista principal que é, simultaneamente, presidente de uma superpotência e que tem as pistolas, o que é que se pode esperar ?

EU É QUE TENHO AS PISTOLAS

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