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CISE recebe exposição de fotografia de Miguel Serra sobre o Covão da Ametade nas quatro estações

O CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela acolhe, de 14 de fevereiro a 30 de abril, a exposição de fotografia “Covão da Ametade nas Quatro Estações”, da autoria de Miguel Serra. A mostra resulta de um projeto fotográfico desenvolvido ao longo de um ano, entre dezembro de 2023 e novembro de 2024, e retrata a transformação deste emblemático local da Serra da Estrela ao longo das diferentes estações.

Através de um olhar atento e de uma abordagem intimista, Miguel Serra captou as nuances da luz e da paisagem do Covão da Ametade, destacando três elementos naturais centrais: água, árvores e rochas. O curso do Rio Zêzere, com os seus reflexos, fluxos e pequenas quedas de água, assume especial protagonismo, tal como as bétulas que povoam a paisagem, plantadas para conter a erosão do solo. O enquadramento é completado pela imponência das formações graníticas que rodeiam o vale e conferem ao local um caráter único e intemporal.

A exposição reflete a experiência de visitar e revisitar um mesmo lugar ao longo do ano, observando as suas transformações e a forma como a luz e os elementos naturais moldam a paisagem. O projeto evidencia também a riqueza do Covão da Ametade, situado a cerca de 1.500 metros de altitude, no sopé do Cântaro Magro, onde o Rio Zêzere ganha forma antes de percorrer o Vale Glaciário. Este é um dos locais mais emblemáticos da Serra da Estrela, conhecido pela sua vegetação característica, pelos relvados naturais e pelo enquadramento singular proporcionado pelos Cântaros Magro, Gordo e Raso.

Natural de Manteigas, Miguel Serra nasceu a 13 de junho de 1973 e tem dedicado grande parte do seu percurso à valorização da Serra da Estrela. Licenciado em Comunicação e Relações Públicas e pós-graduado em Marketing Territorial, desempenha funções na Câmara Municipal de Manteigas e tem vindo a explorar, através da fotografia, a identidade e os detalhes únicos da paisagem serrana.

Pinhel. Detido por cultivo e produção de estupefacientes

O Comando Territorial da Guarda, através do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da Guarda, deteve, esta terça-feira, dia 28 de janeiro, deteve um homem de 46 anos por cultivo e produção de estupefacientes, no concelho de Pinhel.

Na sequência de uma denúncia sobre a existência de uma plantação de canábis no interior de uma residência, os militares da Guarda deslocaram-se ao local. No decorrer das diligências policiais, foi efetuada uma busca domiciliária, que permitiu confirmar a existência da plantação de canábis.

Da ação resultou a apreensão do seguinte material: 13 pés de canábis em fase de germinação e 75 doses de liamba.

O detido foi constituído arguido, e os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial de Pinhel.

Natal 2024 da Missão Continente. Mais de 1,5 milhões de euros angariados para várias instituições do país. Fundação Aurora Borges vai receber 298 euros

Mais de 1,5 milhões de euros foram angariados, durante o mês de dezembro, em todas as lojas Continente do país, que vão agora ser entregues às mais de 750 instituições envolvidas.

A Fundação Aurora Borges, de Santa Marinha (Seia) vai receber 298 euros, graças ao contributo de todos os clientes da loja Continente Bom Dia – Seia.

A entrega do cheque simbólico foi feita durante o início da tarde de ontem, na Loja Continente Bom Dia – Seia, pelas mãos da diretora da loja, Maria João Lopes. 

A Fundação Aurora Borges deixa aqui um enorme agradecimento a todos os que contribuiram e ajudaram nesta missão tão nobre e à Loja Continente Bom Dia – Seia, por todo o apoio, profissionalismo, simpatia e disponibilidade que demonstram sempre para com esta Instituição, ao longo dos já vários anos de parceria.

Muito obrigada a todos por toda a solidariedade demonstrada!

Joana Viveiro é a candidata independente pelo PS à presidência da Câmara Municipal de Gouveia. “…é fundamental que as cidadãs e cidadãos que residem neste nosso território, como eu, se envolvam ativamente na política, trazendo novas ideias, um novo dinamismo e uma forma diferente de pensar e agir.”

Joana Viveiro é a candidata independente pelo PS à presidência da Câmara Municipal de Gouveia. “…é fundamental que as cidadãs e cidadãos que residem neste nosso território, como eu, se envolvam ativamente na política, trazendo novas ideias, um novo dinamismo e uma forma diferente de pensar e agir.”

A Comissão Política Concelhia de Gouveia do Partido Socialista anunciou, durante esta manhã, o nome de Joana Viveiro como candidata independente à presidência da Câmara Municipal de Gouveia, “trazendo um novo dinamismo para o futuro do concelho”.

Em declarações ao JSM, a candidata referiu que aceitou o desafio, “porque considero que hoje, mais do que nunca, é fundamental que as cidadãs e cidadãos que residem neste nosso território, como eu, se envolvam ativamente na política, trazendo novas ideias, um novo dinamismo e uma forma diferente de pensar e agir. Só assim podemos contribuir para a construção de um futuro de oportunidades para um concelho do interior como Gouveia e, simultaneamente, inverter o paradigma de desenvolvimento do interior do país.”

Joana Viveiro tem 45 anos e é licenciada em Ciências Farmacêuticas pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, com pós-graduação em Gestão das Organizações pela AESE Business School.

Com sólidas raízes familiares em Gouveia, nomeadamente nas aldeias de São Paio e de Nespereira, Joana Viveiro regressou de Lisboa em 2020, residindo em São Paio desde então, e trabalhando com frequência a partir da Incubadora de Negócios e Cowork de Gouveia – ‘’The Rock’’.

É Diretora-Executiva da Plataforma Saúde em Diálogo, organização fundada pela Associação Nacional de Farmácias, cujo objetivo é defender os direitos e interesses dos cidadãos/ doentes junto dos órgãos de decisão, promovendo ainda a sua participação ativa no sistema de saúde. Lidera ainda uma equipa responsável pela implementação de projetos comunitários de inovação social na área da literacia em saúde e da qualidade de vida junto de populações idosas vulneráveis dos territórios de baixa densidade.

Conhecida pela sua energia e participação ativa na comunidade, Joana Viveiro diz-se uma ‘’mulher de causas’’, sempre disposta a ‘’arregaçar as mangas’’ pela sua região, o ‘’seu interior’’, tendo estado, desde sempre, envolvida na dinamização de projetos e de associações ligadas à defesa do património ambiental e ao desenvolvimento sociocultural da Serra da Estrela.

É atualmente coordenadora do “Movimento Estrela Viva” – Associação Cívica pelo Desenvolvimento Sustentável e Integrado da Serra da Estrela, associação que nasceu após os incêndios de 2017 e que tem como missão proteger e valorizar o território através de ações de preservação da natureza e de desenvolvimento do meio rural.  Integrou ainda a Direção da Casa do Concelho de Gouveia, é associada da ADRUSPA – Associação de Desenvolvimento Rural de São Paio, com quem colabora ativamente, e foi fundadora do núcleo de cinema – 7ª Sena, entre outras.

Para além da sua experiência como diretora-técnica da indústria farmacêutica, Joana Viveiro foi gestora no Departamento de Serviços Farmacêuticos da Associação Nacional de Farmácias e Assessora técnico-científica e responsável pelas Relações Institucionais e Internacionais da Direção Nacional da Ordem dos Farmacêuticos.

Foi ainda deputada da última edição do Health Parliament Portugal, integrando a Comissão de Equidade e Sustentabilidade da Saúde.

Joana Viveiro assume este desafio “com determinação e forte sentido de compromisso, oferecendo uma visão desempoeirada para enfrentar os problemas do concelho e construir um futuro de oportunidades para todas/os as/os gouveenses”.

Feira do Queijo de Seia com inscrições abertas

O Município de Seia realiza de 1 a 4 de março de 2025, por altura do Carnaval, a 48.ª edição da Feira do Queijo da Serra da Estrela. Este evento emblemático terá lugar no Mercado Municipal de Seia e na sua área envolvente, reafirmando o compromisso com a valorização do queijo e dos produtos endógenos da região.

O queijo Serra da Estrela, verdadeiro ícone do património gastronómico local, será a grande estrela da feira, representando o vasto setor produtivo que envolve pastores, queijarias tradicionais e unidades fabris. O evento será enriquecido com a presença de outros sabores regionais, como o pão artesanal, os vinhos do Dão – sub-região da Serra da Estrela, enchidos, azeite e mel. Também o artesanato e a lã Serra da Estrela marcarão presença, destacando a identidade cultural da região.

A programação da feira inclui quatro dias de animação cultural, com uma forte aposta na divulgação das tradições e musicalidades locais. Entre os destaques, estarão a recriação da Quinta do Pastor, a mostra do Cão Serra da Estrela e diversas demonstrações culinárias que prometem surpreender os visitantes.

As inscrições para participar na feira estão abertas até ao dia 30 de janeiro e devem ser realizadas através do site do Município de Seia (cm-seia.pt).

A organização da Feira do Queijo é promovida pelo Município de Seia, em colaboração com entidades parceiras como a Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela, a Liga dos Amigos e Criadores do Cão Serra da Estrela, a Estrelacoop, a Associação para o Desenvolvimento Integrado da Rede das Aldeias de Montanha e a Escola Superior de Turismo e Hotelaria – IPG.

Santa Marinha, São Martinho, Seia, São Romão e Lapa dos Dinheiros. As cinco novas freguesias do concelho de Seia

O parlamento aprovou esta sexta-feira a desagregação de 135 uniões de freguesias que vão dar lugar a 302 novas freguesias. 

A Iniciativa Liberal foi o único partido que votou contra, o Chega absteve-se e todos os outros votaram a favor.

No concelho de Seia vão ser extintas as Uniões de Freguesias de Santa Marinha e São Martinho, bem como de Seia, São Romão e Lapa dos Dinheiros que ficará com mais cinco freguesias face a 2013.

Em declarações ao JSM, o presidente da União de Freguesias de Santa Marinha e São Martinho, Rafael Abreu, referiu que “Santa Marinha e São Martinho continuam a ter luz verde para que se possam tornar Freguesias independentes nas próximas eleições autárquicas agendadas para o mês de setembro ou outubro de 2025.”

O atual presidente da União das Freguesias de Santa Marinha e São Martinho, tem acompanhado todo o processo em articulação com a Câmara Municipal de Seia, tendo, no dia de ontem, estado presentes na Assembleia da República para acompanhar a votação final.

Rafael Abreu, refere que se respeitou a opinião da maioria dos cidadãos desta União das Freguesias. “Cumpre agora aguardar pela homologação da lei e continuar a trabalhar até nova organização dos territórios”, frisou.

Segundo o projeto de lei, subscrito pelo PSD, PS, BE, PCP, Livre e PAN, nos próximos meses existirá um trabalho intenso para preparar a reposição das freguesias a tempo de serem incluídas nas próximas eleições autárquicas, previstas para setembro ou outubro deste ano.

 A proposta estabelece que serão criadas Comissões de Instalação das novas freguesias e ainda Comissões de Extinção das atuais Uniões de Freguesia.

Os executivos atualmente em exercício vão manter-se em funções até à realização das próximas eleições autárquicas. Caso seja aprovada pela Assembleia da República, a proposta tem de ser promulgada pelo Presidente da República e ser publicada até seis meses antes das autárquicas.

“Louça de Barro de Paranhos da Beira e Carvalhal da Louça” no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas

 O Rancho Folclórico de Paranhos da Beira apresentou junto do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP, I. P.) o pedido de registo da produção tradicional “Louça de Barro de Paranhos da Beira e Carvalhal da Louça” no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas, o qual mereceu o parecer positivo da Comissão Consultiva para a Certificação de Produções Artesanais Tradicionais.

O despacho, publicado no dia 14 de Janeiro, em Diário da República, refere que “é aprovada a inclusão da produção tradicional ‘Louça de Barro de Paranhos da Beira e Carvalhal da Louça’ no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas, sendo titular do registo, enquanto entidade promotora, o Rancho Folclórico de Paranhos da Beira”.

O mesmo despacho adianta que a entidade promotora deverá agora “proceder ao registo da denominação da produção, sob a forma de indicação geográfica, junto do Instituto Nacional da Propriedade Industrial”.

A olaria de Paranhos da Beira e Carvalhal da Louça distingue-se dos restantes centros oleiros nacionais, principalmente, a partir das tipologias de peças produzidas, de forma análoga, ao longo de, pelo menos, cem anos, conforme os exemplos expostos no Centro Museológico de Paranhos da Beira e que se encontram discriminados no caderno de especificações.

As primeiras evidências documentais relativas à existência de oleiros em Paranhos da Beira surgem nos registos paroquiais, datados da segunda metade do século XIX. O primeiro assento de batismo da paróquia de São Martinho de Paranhos, de dezembro 1859, diz respeito a “Joze d’Almeida Salgado, solteiro, oleiro, do logar do Hospital”. Considerando o conjunto de registos paroquiais de dezembro de 1859 a dezembro de 1864, verifica-se a existência de um número bastante significativo de oleiros: cerca de 65 para uma população total da freguesia de 2127 habitantes. Dos dados levantados, encontraram-se cerca de 25 oleiros em Carvalhal, 16 em Hospital, 2 em Paranhos de Baixo e 22 em Paranhos de Cima, constituindo, como tal, a olaria uma das atividades económicas mais praticadas de acordo com a documentação consultada.

A Sociedade Musical Estrela da Beira (SMEB), de Santa Marinha, vai realizar as já tradicionais Migas dos Reis

O evento está agendado para domingo, dia 26 de janeiro, a partir das 12h30m, em formato misto (almoço na antiga padaria, junto à sede da banda, ou take-away) e tem um valor de 13€.

Inscrições através do número 962 073 818.

Crianças do distrito da Guarda mais saudáveis. “Heróis da Fruta” aumentam consumo diário de frutas e hortícolas em 40% nas escolas

Na amostra do distrito da Guarda, foram analisados dados de 108 crianças entre os 3-11 anos de idade de 4 estabelecimentos de ensino, nomeadamente dos municípios de Fornos de Algodres (88 crianças) e Seia (20).

Aumentar o consumo diário de fruta e hortícolas nas crianças em idade pré-escolar e de 1º ciclo do ensino básico é o principal objetivo do desafio “Heróis da Fruta” promovido pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) que conta com o apoio principal da ALDI e dos parceiros Blédina e Maçã de Alcobaça.  A monitorização desta iniciativa é feita anualmente pelo Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (ISAMB-FMUL).

Na avaliação da última edição dos ‘Heróis da Fruta’, verificou-se um aumento de 40,0% no consumo diário de frutas e hortícolas entre as crianças do distrito da Guarda que participaram na iniciativa. Esta é uma das conclusões do relatório da 13.ª edição da iniciativa ‘Heróis da Fruta’ e os dados apresentados são baseados no autorrelato dos professores responsáveis pela implementação do desafio nas escolas. Na amostra do distrito da Guarda, foram analisados dados de 108 crianças entre os 3-11 anos de idade de 4 estabelecimentos de ensino, nomeadamente dos municípios de Fornos de Algodres (88 crianças) e Seia (20).

Segundo Raquel Martins, nutricionista e investigadora no ISAMB-FMUL, “estes resultados apontam para a importância de intervenções de promoção do consumo de frutas e hortícolas dirigidas a crianças (e às suas famílias), além da disponibilização gratuita destes alimentos como estratégia promotora do consumo. A oferta, por si só, não é suficiente para garantir o aumento do consumo. A promoção de hábitos alimentares promotores de saúde deve ser feita  através de intervenções de fácil implementação em contexto escolar – como é o caso dos ‘Heróis da Fruta’. Os dados analisados mostram que esta intervenção cria um ambiente favorável para promover comportamentos de saúde, quer pela oportunidade de os educadores influenciarem positivamente os alunos, facilitando a construção de hábitos alimentares saudáveis, quer pela capacidade de alcançar toda a comunidade escolar, incluindo os encarregados de educação”.

Consumo diário de frutas e hortícolas nas escolas da Guarda

Em média 41,7% das crianças do distrito da Guarda que participaram na 13.ª edição do desafio escolar ‘Heróis da Fruta’ experimentaram pela primeira vez alguma fruta ou hortícola.

Para além da fruta: lancheiras escolares cada vez mais saudáveis

No distrito da Guarda, no final da intervenção “Heróis da Fruta” no passado ano letivo, em média 79,3% das crianças levavam diariamente alimentos mais nutritivos na lancheira para comer na escola.

Mário Silva, presidente da APCOI, afirma que “Estes resultados reafirmam, mais uma vez, os efeitos muito positivos do método Heróis da Fruta que desde 2011 tem dado contributos significativos para a melhoria do estado nutricional das crianças em Portugal e para a prevenção de doenças crónicas como a diabetes e a obesidade. Um sucesso que só é possível alcançar graças ao envolvimento de todos os parceiros que apoiam esta iniciativa. A nova edição do desafio escolar Heróis da Fruta que arrancou esta semanana oficialmente em 1.481 estabelecimentos de ensino de todas as regiões e distritos do país e volta a contar com o apoio principal da ALDI e a parceria da Blédina e da Maçã de Alcobaça.”

Centro Interpretativo da Ovelha Serra da Estrela, em Santa Marinha. Um espaço com alma, onde pastores e ovelhas Serra da Estrela recebem uma justa homenagem

Inaugurado há um ano, o Centro Interpretativo da Ovelha Serra da Estrela (CIOSE), situado na vila de Santa Marinha (Seia), tem como missão preservar, divulgar e valorizar a raça autóctone Ovelha Serra da Estrela e, ao mesmo tempo, homenagear os pastores da região serrana. Um espaço grandioso que disponibiliza um acervo muito interessante. Entre as várias peças aqui expostas, destaque para duas: uma Ovelha Serra da Estrela à escala real, elaborada em filigrana portuguesa e um Cálice em talha dourada de escala considerável, com a inscrição no interior dos nomes de 241 pastores. “Todas estas peças são originais e foram idealizadas pela equipa do Grupo O Valor do Tempo, com um espírito de total empenho, dedicação e muita crença”, refere, em entrevista, Luís Ferreira, diretor geral do CIOSE.

Jornal de Santa Marinha (JSM): Há um ano, mais precisamente a 8 de dezembro de 2023, foi inaugurado, na vila de Santa Marinha, o Centro Interpretativo da Ovelha Serra da Estrela (CIOSE). Como e por que razão surgiu a ideia de um Centro desta natureza em Santa Marinha? Luís Ferreira (LF): Considero ser importante efetuar, primeiro, um enquadramento mais abrangente referindo que o Centro Interpretativo da Ovelha Serra da Estrela é mais um dos projetos desenvolvidos pelo Grupo “O Valor do Tempo”, que detém mais outros espaços, como o Museu Nacional do Pão, A Brasileira do Chiado, a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau, O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa e a Joalharia do Carmo, entre outros. Apesar de conceitos e espaços diferentes entre si têm uma forte ligação subjacente à matriz identitária do Grupo e que podemos reconhecer em três eixos: primeiro a paixão por Portugal e a obsessão de valorizar o Património Cultural Português, convertendo preciosidades históricas em experiências icónicas, em espaços plenos de História e Magia; depois a implementação de um novo modelo de economia social focada no respeito pela condição humana e com a missão de democratizar o acesso à cultura, dando primazia às pessoas e à história, conjugando com a economia em beneficio mútuo e, por último, a coragem em conseguir materializar esta nossa crença na defesa e valorização da origem e autenticidade da nossa História. Nesse sentido, o lançamento do Centro Interpretativo acaba por ser uma consequência natural do que o Grupo tem feito nas últimas décadas na região, com a criação do Museu Nacional do Pão, em 2002, da Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau com Queijo Serra da Estrela DOP, em 2015, e outras tantas iniciativas. Identificada a importância que o Pastor e esta raça autóctone tem na etnografia da nossa região, decidimos instalar o Centro Interpretativo com a missão de preservar, divulgar e valorizar esta raça, a sua importância económica, histórica e cultural nesta região. Desta forma, o Centro procura que esta atividade e tradição, que é o elemento mais forte que a região tem, perdure eternamente. O espaço acaba, assim, por homenagear os pastores onde aqui podem encontrar a sua casa, onde se reveem e se identificam com o seu dia-a-dia e onde as ovelhas são uma extensão de si mesmo. O local, Santa Marinha, surge naturalmente, por ser uma das freguesias que, historicamente, sempre teve e tem mais rebanhos, rota económica importante da agricultura, pastorícia e da lã desde o tempo dos romanos, e parte integrante do Concelho de Seia, que nos viu nascer há mais de 25 anos.

JSM: O Centro está situado num edifício icónico, com história…

LF: É verdade, foi uma coincidência feliz termos conseguido adquirir este edifício, que data do Séc. XVIII, que já foi Casa da Câmara e Cadeia e, ainda, Tribunal, inserido na Praça do Pelourinho de Santa Marinha, praça que é classificada como imóvel de interesse público. Entendia-se que, para instalar o Centro Interpretativo, tínhamos de encontrar um imóvel e local que fizesse também justiça à nobreza do projeto e a todo o pensamento que está vamos a desenvolver para o efeito, nomeadamente, muito respeito pelos pastores e, nesse sentido, fomos felizes.

JSM: Ao falarmos no CIOSE, temos de, inevitavelmente, falar do Museu de Pão de Seia, um Museu que anualmente recebe milhares de visitantes. Quem visita o Museu, visita o CIOSE?

LF: Naturalmente que sim. Foi no Museu Nacional do Pão que tudo começou, pensado desde 1998 e aberto ao público em setembro de 2002. É o nosso conforto emocional, onde regressamos, sucessivamente, para nos inspirarmos e reforçarmos a certeza de acreditar que tudo é possível. O Museu Nacional do Pão já recebeu, aproximadamente, dois milhões de visitantes, feito notável, sendo uma das maiores referências museológicas de Portugal e o maior complexo dedicado ao tema em todo o mundo. Atendendo à experiência adquirida pela equipa museológica foi fácil perceber que tínhamos aqui a oportunidade de coincidir as duas realidades e que o Museu do Pão, nesta fase inicial, poderia ser um apontamento importante para direcionarmos visitantes para Santa Marinha, trabalho que tem vindo a ser efetuado. Notar, também, que os dois temas, a atividade de pastoreio e o pão, são muito impactantes na nossa região e que se ligam por estarem na base da atividade agrícola. Assim, muitas das visitas ao Centro Interpretativo têm origem no Museu do Pão, atendendo que quem visita este tem, também, acesso livre ao Centro da Ovelha Serra da Estrela.

JSM: Após um ano de existência, quantas visitas já recebeu o CIOSE?

LF: É com muito orgulho que afirmamos que, neste primeiro ano de existência, já ultrapassámos, há algum tempo, os dois milhares de visitantes, de onde se destacam, maioritariamente, os portugueses, e que mais de 90% das visitas são efetuadas em contexto familiar atravessando, por vezes, três gerações. Esta caracterização dos visitantes que recebemos é muito importante para o Centro Interpretativo, porque é uma oportunidade de passarmos aos mais novos a importância deste património cultural que, por vezes, é reforçado oralmente por um familiar mais velho que já foi pastor, criando, dessa forma, memórias futuras nas gerações mais novas.

JSM: O que é que os visitantes podem encontrar neste espaço?

LF: O Centro Interpretativo da Ovelha Serra da Estrela está dividido em três salas expositivas: no piso de entrada, o tema desenvolvido está centrado na Ovelha Serra da Estrela; o piso intermémédio está dedicado ao ciclo da lã e, por último, temos uma sala dedicada ao Pastor e à sua atividade. Diria que o Centro Interpretativo disponibiliza um acervo muito interessante e um conjunto de momentos de experiências sensoriais que estimulam os sentidos e nos aproximam ao tema do pastoreio, acompanhados de informação técnico-científica para que os nossos visitantes obtenham conteúdo que lhes permita compreender a importância desta atividade para a região e para o país. De entre todas as peças que temos presente no Centro Interpretativo, eu destacaria, então, três: à entrada uma obra de arte personalizada numa Ovelha Serra da Estrela à escala real, elaborada em filigrana portuguesa certificada, com 110 cm, 15kg de prata dourada, trabalhada com fio torcido, com mais de sessenta mil soldaduras que simulam a lã. Um trabalho colaborativo que envolveu 17 artesãos, entre mestres filigraneiros, ourives e enchedeiras e que levou mais de três mil e quinhentas horas para concluir; depois, um Cálice em talha dourada de escala considerável, com a inscrição no interior dos nomes dos 241 pastores que estão registados no Livro Genealógico da raça ovina Serra da Estrela. E, por último, temos, ao longo das três salas, um conjunto de Tapetes de Arraiolos, originais, que simbolizam o ciclo económico da Ovelha Serra da Estrela e que foram trabalhados com a lã Serra da Estrela. A intenção de apresentar a Lã em forma de Tapete de Arraiolos é o resultado do compromisso assumido pelo Grupo “O Valor do Tempo” que, desde 2021, compra a totalidade da Lã de Ovelha Serra da Estrela. Todas estas peças são originais e foram idealizadas pela equipa do Grupo “O Valor do Tempo”, com um espírito de total empenho, dedicação e muita crença.

Uma das observações mais recorrentes deixada pelos nossos visitantes é que “O Centro Interpretativo tem alma, apetece ficar…” e esse facto é um orgulho enorme para todos.

Portanto, pode constatar-se que tudo o que fazemos tem como propósito dignificar e valorizar a nossa História e as respetivas pessoas que a constroem, todos os dias. E foi por isso que, desde 2020, decidimos valorizar o leite de Ovelha Serra da Estrela e a Lã Serra da Estrela em mais de 100%, e que, para o primeiro trimestre de 2025, na rua das Flores, Porto, vamos proceder à abertura de um espaço de Artes e Ofícios dedicado à Lã Serra da Estrela com um atelier de tapetes de arraiolos onde vai ser possível, aos nossos visitantes, conhecer a história, comprar e observar as bordadeiras a elaborar estas peças de arte. Para terem mais informação sobre o Centro, desde conteúdos a horários, aconselho a visitarem o website em www.ovelhaserra daestrela.pt