A nível mundial o Turismo representa atualmente cerca de 10% da economia e do emprego (em Portugal representa cerca de 20%), sendo um setor com um enorme potencial para contribuir para o Desenvolvimento Sustentável dos Países.
Importa, contudo, garantir que o Turismo é uma atividade económica Sustentável e que, tendo em conta os interesse dos visitantes, assegura também o bem estar das comunidades locais e garante a preservação do ambiente no presente e no futuro.
Um turismo sustentável deve, portanto, fazer um uso adequado do território e dos diversos tipos de recursos naturais (fauna, flora, paisagem, rios, oceanos, montanhas, etc), respeitar a autenticidade sociocultural das comunidades e assegurar que as atividades económicas sejam viáveis a longo prazo.
O Turismo está normalmente associado a deslocações em viagem devendo os turistas “sustentáveis” ter sempre a preocupação de conservar a vida selvagem, preservando os animais, os habitats naturais e o ambiente, utilizando, sempre que possível, quer hotéis, quer restaurantes sustentáveis, ou seja estabelecimentos em que exista preocupação deliberada com a origem e a otimização da quantidade dos recursos utilizados e o tratamento adequado dos resíduos.
Sempre que possível os turistas deveriam optar por empreendimentos em que tivessem sido utilizados materiais sustentáveis na sua construção, que adotem práticas de redução da utilização de plástico e de eficiência na utilização da água e que incentivem à economia circular.
Portugal desenvolveu uma visão Estratégica para o Turismo assente na afirmação do setor como um hub para o desenvolvimento económico, social e ambiental em todo o território assente em vários objetivos nomeadamente no aumento da procura turística no País e nas suas várias regiões, no crescimento mais acelerado das receitas do que das dormidas, no alargamento da atividade turística ao ano inteiro e no aumento das qualificações da população empregada no Turismo.
A região da Serra da Estrela, e o nosso concelho de Seia em particular, têm todo o interesse e vantagem em garantir que o seu modelo de desenvolvimento turístico seja Sustentável, em perfeita harmonia com a Natureza que é a nossa grande vantagem competitiva, evitando erros cometidos em outras regiões quer em Portugal, quer no estrangeiro.
Importa, portanto, dar a devida atenção a alguns alertas, como por exemplo o facto de em Maio/2026 a Grécia ter decidido limitar número de camas em zonas turísticas mais sobrelotadas.
Em Junho/2026, o autarca de Porto Santo, na Madeira, veio afirmar que vai refrear a construção de novos hotéis e apostar que a sua ilha seja um destino “refúgio de sentidos” e não para turismo de massas.
Também nos Açores, face à massificação de turistas em determinados locais, foram adotadas medidas de preservação da Natureza, nomeadamente na Lagoa do Fogo, um dos postais mais icónicos da ilha de São Miguel, que já não é possível de visitar de carro para quem é turista na ilha, existindo em alternativa autocarros que se apanham uns quilómetros antes da cratera do vulcão.
Também alguns ambientes tradicionais e pitorescos que atraem os turistas necessitam ser preservados para não serem vítimas do seu sucesso, como por exemplo aconteceu em Alfama, um dos bairros mais populares de Lisboa, que perdeu uma grande parte dos seus residentes forçados a sair pela subida das rendas ou pelo não renovar de contratos, face à maior rentabilidade do Alojamento Local, pelo que a freguesia a que pertence Alfama, perdeu 22% da população entre 2011 e 2021.
Por outro lado, muitos dos residentes que se mantém queixam-se do excesso de turistas que causam mais lixo, barulho e preços exorbitantes em restaurantes e cafés, existindo ruas inteiras só quase de Alojamento Local, onde já não vive praticamente ninguém e quase se fala só em inglês
Em Sintra também tem havido indignação contra o turismo excessivo, com os moradores a colocar faixas no centro histórico com frases como “Queremos Sintra viva e habitada, não ao turismo de massas!”, protestando contra a transformação da vila num “parque de diversões” e queixando-se que a zona histórica está a perder os seus habitantes, com muitos a abandonarem o centro devido à falta de condições e ao aumento dos custos, transformando a área numa zona focada apenas no visitante
Em síntese, o Turismo constitui um poderoso acelerador do desenvolvimento económico, nomeadamente para o concelho de Seia, sendo necessário que o seu crescimento seja devidamente compatibilizado com a preservação quer do Ambiente, quer da Natureza, assim como com o aumento do bem estar das populações locais.



