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Comemoração do Dia Mundial do Turismo na ESTH/IPG

A Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia do Instituto Politécnico da Guarda (ESTH/IPG) promoveu, durante a manhã de ontem, uma atividade visando a comemoração do Dia Mundial do Turismo, que se celebra, anualmente, a 27 de setembro.

A sessão comemorativa do Dia Mundial do Turismo, que decorreu no auditório da Escola Superior de Turismo e Hotelaria (ESTH/IPG) em Seia, focou-se no tema “Turismo e Transformação Sustentável” e contou com as presenças de Gonçalo Poeta Fernandes (Docente ESTH), Carlos Henriques (Chef no Restaurante Nolla, Finlândia) e de Fernando Lemos (Docente ESTH). A moderação esteve a cargo de Alexandre Martins (subdiretor da Escola) e a abertura esteve a cargo do diretor, Ricardo Guerra.

Turismo como Motor de Regeneração

A intervenção de Gonçalo Poeta Fernandes sobre o tema central da sustentabilidade no turismo, “Turismo e Transformação Sustentável”, enfatizou a visão do turismo como uma força poderosa para a mudança positiva, indo além do mero crescimento económico, destacando, ainda, o importante papel do turismo como “motor para a regeneração de comunidades”.

A necessidade de uma transformação responsável, também foi destacada na sessão pelo docente, como “um apelo para um turismo que seja inclusivo, equitativo e que cuide da casa comum, alinhando com a visão de um futuro onde o turismo seja sustentável por natureza.”

Ainda segundo Gonçalo Fernandes, para que o setor possa cumprir o seu papel, é necessário que se torne dinâmico, ativo e empreendedor, capaz de atrair gente cada vez mais qualificada.

Para garantir que o turismo seja sustentável e qualificado, o orador identificou alguns fatores essenciais, salientando o aperfeiçoamento das competências profissionais. Refere que as escolas, como a ESTH, têm a competência de promover essa qualificação.

Destacou que as comunidades devem estar envolvidas nas atividades de turismo desenvolvidas no território. “As comunidades locais assumem um papel central, contribuindo para uma oferta turística autêntica e sustentável, baseada no respeito pela cultura, tradições e património natural. A participação ativa das populações não só dinamiza a economia local, como também fortalece o sentimento de pertença e combate aos fenómenos de despovoamento e desertificação.”

Transição digital e sustentabilidade no turismo

Salientou, também a importância dos suportes digitais. Para o docente, “a digitalização desempenha um papel fundamental na preservação de sítios e bens culturais, na promoção de práticas sustentáveis e na melhoria das experiências dos viajantes, o que, por sua vez, cria novas oportunidades para o setor.”

Turismo como força unificadora

Ressaltou o turismo como propulsor de desenvolvimento e gerador de ações ativas de valorização de recursos territórios e comunidades. “O turismo, como nenhuma outra atividade, tem a capacidade única de promover a harmonia e de construir pontes entre culturas, povos e nações. Num mundo em que as tensões aumentam e as diferenças são exploradas para criar divisões, o turismo destaca-se como uma força unificadora, um agente de desenvolvimento que transcende as fronteiras e aproxima as pessoas.  

Valorização do Interior de Portugal

O orador deu, também, particular atenção às regiões mais interiores do país. Na sua opinião, estas regiões não sofrem com um “turismo em excesso”, sendo territórios com enorme potencial de crescimento, se forem valorizados. A capacidade inovadora, aliada aos diferentes produtos turísticos, pode gerar atração e desenvolvimento nestes territórios, procurando cada vez mais a sua sustentabilidade.

Carlos Henriques, ex-aluno da ESTH, um Chef português por terras Finlandesas

O evento proporcionou, ainda, uma reflexão sobre a sustentabilidade e a inovação no setor, destacando a experiência internacional de um antigo estudante da ESTH: o Chef Carlos Henriques.

Emigrante na Finlândia há 15 anos, Carlos Henriques, partilhou o seu testemunho inspirador e o seu percurso pessoal e profissional, dando como exemplo o seu restaurante “zero-waste”, o “Nolla”, situado em Helsínquia, Finlândia. Carlos Henriques explicou como foi importante ter formação numa escola como é a de Seia e como aplicou os seus conhecimentos para obter sucesso.

O Nolla (que significa “zero” em finlandês) é baseado na filosofia pioneira “zero-waste” (zero desperdício). A cozinha zero-waste procura a máxima utilização do produto na confeção para evitar o desperdício alimentar. Trabalha exclusivamente com produtores locais que operam “em harmonia com a natureza” e evitam o uso de embalagens. O leite é entregue em leiteiras, o óleo é comprado a granel, é reciclado e pode ser transformado, posteriormente, em sabão, e usam vasilhames próprios. Os copos são feitos a partir de garrafas de vidro cortadas.

O desperdício orgânico é compostado num compostor próprio e o composto é devolvido àqueles produtores que fornecem alimentos ao restaurante, para ser usado como adubo. As roupas da equipa são feitas com materiais reciclados, como restos de lençóis de hospital ou algodão 100% reciclado.

Por ter este enorme compromisso com a sustentabilidade, o Nolla foi reconhecido pelo Guia Michelin com a Estrela Verde, uma distinção que premeia os restaurantes com um forte compromisso com práticas sustentáveis e com o Bib Gourmand Michelin que é atribuído pela sua boa relação qualidade/preço.

O restaurante pratica uma cozinha mediterrânea, adaptada aos produtos que efetivamente “crescem” na Finlândia. Carlos Henriques refere que este é um desafio, dada a ausência de produtos típicos do Sul, como limões e azeite, especialmente durante o inverno.

O sucesso e a filosofia da equipa do Nolla levaram à abertura de outros projetos em Helsínquia: o Elm, um restaurante onde os sabores portugueses estão mais presentes e o Nolita, uma padaria que também serve comida “baseada no pão e massas”.

“Como ser perfeito”

Ainda durante esta sessão, Carlos Henriques explanou o tema “Como ser Perfeito”. Confessou que, durante anos, procurou a perfeição na cozinha, mas chegou a um ponto de inquietação: “Cheguei a um ponto em que percebi que a comida que cozinhava já não era a que eu queria comer… tinha deixado de cozinhar para mim. A restauração que praticava já não refletia quem eu era.” Foi dessa insatisfação com a busca pela “perfeição” tradicional que nasceu o projeto Nolla, onde o sabor e a sustentabilidade se tornaram os pilares principais.

Em suma, a intervenção “Como ser perfeito” defende que, na restauração e na vida, a verdadeira perfeição reside na busca contínua pela responsabilidade, ética e melhoria sustentável, e não em um ideal inatingível de excelência técnica.

O evento terminou com um quiz interativo sobre sustentabilidade, dinamizado pelo docente Fernando de Lemos, e a colocação de uma tarja alusiva ao tema no hall de entrada da ESTH/IPG.

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