Quando o céu faz barulho: A trovoada, o inimigo dos animais

Como todos sabemos, as trovoadas são um fenómeno natural e transitório, e mesmo assim, muitas vezes assustamo-nos com esses trovões. Agora imaginem sentir isto infinitamente amplificado: o som súbito dos trovões são só a ponta do iceberg! Cães e gatos (à semelhança de muitos outros do reino animal) conseguem sentir as vibrações particulares que antecedem o trovão, as mudanças na pressão atmosférica antes, durante e depois da tempestade, o som amplificado do trovão e o flash do relâmpago inesperado.

É uma experiência sensorial tão avassaladora, que muitos deles desenvolvem algum grau de fobia a estas tempestades difíceis de compreender por eles. Ao contrário dos humanos, cães e gatos têm uma audição ultra apurada: tão sensível que um trovão muito distante facilmente é percebido como próximo, ameaçador e muito mais potente do que para nós. Para além disso, a incapacidade de perceber a origem de tal som e por ser tão imprevisível, criam uma bola de neve de ansiedade por antecipação: não sabem o que é, não sabem a origem, nem quando vai voltar a rebentar outro trovão! Muitos escondem-se e isolam-se, ou tentam fugir; ladram, uivam, ou podem mesmo ter comportamentos autodestrutivos (morderem-se ou lamberem-se excessivamente ao ponto de se magoarem).

Mas se cães e gatos têm esta experiência tão violenta multissensorial, porque é que só alguns têm estes comportamentos mais evidentes durante as tempestades de trovões? Porque tal como nos humanos a sensibilidade individual varia, de acordo com as experiências e aprendizagens anteriores, falta de habituação, predisposição genética, doenças pré-existentes, etc. Felizmente, existem algumas estratégias para minimizar este desconforto e medo. Algumas estratégias simples que podem implementar são:

– criar um espaço seguro dentro de casa. Um local de fácil acesso, com janelas e persianas fechadas (minimizar o som e luz dos relâmpagos), de preferência com música ou TV em volume baixo (minimizar o foco do animal no ruído exterior).

Este local pode ser debaixo da cama, do sofá, numa caixa transportadora tapada por uma mantinha com o vosso cheiro, etc. O mais importante é ser um sítio seguro e de fácil acesso, onde ninguém vai “chatear” o animal, nem força-lo a entrar ou a sair de lá. Queremos que seja visto como um local seguro, a que ele pode aceder sempre que necessário e com conotação emocional positiva.

– manter a calma, pois se a família humana estiver stressada, este vai ser um sinal muito claro para o animal: é uma situação de risco! O que queremos é o oposto, uma família calma a agir de forma natural, a transmitir ao animal que ele está seguro.

– Atenção: forçar interações ou repreender comportamentos de medo podem ter o efeito contrário do que o humano pretende, pois vai gerar maior ansiedade e insegurança no animal! O tempo instável chegou para ficar, por isso o melhor é compreender o estado emocional do seu animal, e dar-lhe ferramentas para ele lidar da melhor forma possível com este medo que é tão natural, como a própria trovoada….

» Onde comprar o Jornal de Santa Marinha «

ARTIGOS DE OPINIÃO

Desporto escolar: portas que se fecham

Num tempo em que tanto se debate o impacto...

Os Hobbies e a Sustentabilidade

A sustentabilidade é um tema de extrema importância e...

Qualquer pessoa cria vídeos. Poucas criam impacto

Durante anos, produzir vídeo foi sinónimo de conhecimento técnico,...

Ser livre

A liberdade não é apenas um direito político. Apesar...

Os Novos Tiranos e outros temas

Os portugueses acabam de comemorar 52 anos da “revolução”...

Liberdade Interior: território nem sempre conquistado

Vivemos num país onde a liberdade é celebrada, evocada...

2026: O Mês da Mãe e o sopro de vida da nossa Banda

Maio chega a Santa Marinha com a suavidade das...