Início Site Página 38

Da areia ao império: uma viagem pela rota da seda no coração da China

Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza de espírito.” — escreveu Mark Twain em The Innocents Abroad (Os Inocentes no Estrangeiro).

Há lugares onde essa ideia ganha uma dimensão quase física. A província de Gansu, no interior da China, é um deles — não pela evidência com que se apresenta ao mundo, mas pelo peso histórico que carrega e pela forma discreta como moldou, ao longo de séculos, a ligação entre civilizações.

Para muitos, não passa de uma extensão remota no interior da China, longe dos grandes centros urbanos e dos circuitos turísticos mais óbvios. Mas para quem olha com alguma profundidade, Gansu revela-se como um dos eixos estruturantes da antiga Rota da Seda — um corredor estratégico que, durante séculos, ligou civilizações e moldou o mundo como o conhecemos.

Mais do que uma simples rota comercial, a Rota da Seda foi uma verdadeira ponte entre Oriente e Ocidente. Por aqui circularam seda, especiarias e metais preciosos, mas também ideias, religiões, tecnologias e culturas. Mercadores, exércitos, monges e exploradores atravessaram estes caminhos, deixando marcas profundas num território que se tornou ponto de encontro entre mundos distintos.

Importa perceber que a chamada Rota da Seda nunca foi uma estrada única. Tratava-se de uma vasta rede de rotas que começou a ganhar forma por volta do século II a.C., durante a Dinastia Han, e que permaneceu ativa durante mais de mil anos. No seu auge, ligava a antiga capital chinesa Chang’an (atual Xi’an) ao Mediterrâneo, atravessando desertos, cadeias montanhosas e impérios inteiros — da Ásia Central ao Médio Oriente e à Europa.

Neste sistema, Gansu assumia um papel absolutamente crítico. Funcionava como um verdadeiro funil geográfico entre o deserto de Gobi e o planalto tibetano — um ponto de passagem obrigatório onde o controlo do território significava controlo sobre o comércio… e, muitas vezes, sobre o equilíbrio de poder entre impérios.

Foi precisamente esse legado que nos trouxe até aqui.

Deixámos Macau já noite dentro, numa daquelas partidas silenciosas em que a cidade ainda dorme e a viagem começa antes de o corpo perceber bem para onde vai. Seguimos por estrada até Zhuhai, onde apanhámos o primeiro voo rumo a Lanzhou. Mas Lanzhou, apesar de ser o ponto de regresso, não seria o verdadeiro início da nossa jornada. Ainda na mesma madrugada — sem tempo para grandes pausas — voltámos a embarcar, desta vez em direção a Dunhuang, onde começaria, de facto, o nosso percurso ao longo da antiga Rota da Seda.

Para se ter uma ideia da escala desta viagem — e da própria dimensão da China — estamos a falar de mais de 2.300 quilómetros entre Macau e Lanzhou, seguidos de cerca de 1.100 quilómetros adicionais até Dunhuang. Distâncias que, vistas de fora, parecem quase irreais, mas que aqui são apenas parte da normalidade de um país que se mede mais em continentes do que em fronteiras.

Se Gansu é o eixo, Dunhuang é, sem exagero, um dos seus pontos mais simbólicos.

Durante séculos, esta cidade-oásis marcou o limite entre dois mundos: para quem vinha do interior da China, era a última paragem antes da imensidão hostil do deserto; para quem chegava do Ocidente, era a porta de entrada para o Império. Situada numa posição estratégica junto ao deserto de Gobi, Dunhuang tornou-se um dos principais entrepostos da Rota da Seda, um local onde caravanas descansavam, mercadorias eram trocadas e culturas se cruzavam de forma inevitável.

Mas o papel de Dunhuang foi muito além do comércio. Foi aqui que ideias viajaram com a mesma intensidade que as mercadorias. O budismo, vindo da Índia através da Ásia Central, encontrou neste ponto um dos seus grandes centros de difusão para o território chinês. Monges, tradutores e viajantes passaram por aqui, trazendo consigo textos sagrados, conhecimento e influências que moldariam profundamente a cultura chinesa ao longo dos séculos.

É precisamente neste contexto que surge o primeiro grande marco da nossa viagem: as Grutas de Mogao.

Escavadas a partir do século IV, estas grutas — também conhecidas como as “Grutas dos Mil Budas” — constituem um dos mais extraordinários complexos de arte budista do mundo. Ao longo de mais de mil anos, monges e artistas foram escavando na rocha um conjunto impressionante de templos, decorados com murais e esculturas que refletem não apenas a devoção religiosa, mas também a diversidade cultural que caracterizava a Rota da Seda.

Cada gruta é um testemunho vivo dessa mistura de influências: traços indianos, persas, tibetanos e chineses convivem nas mesmas paredes, revelando como este corredor comercial era, na verdade, uma autêntica autoestrada de civilizações.

Mas talvez o mais impressionante não seja apenas a dimensão artística do complexo. É a sua função histórica. Durante séculos, estas grutas serviram como locais de meditação, santuários religiosos e também como depósitos de conhecimento. Foi aqui que, no início do século XX, se descobriu uma das mais importantes coleções de manuscritos antigos do mundo — documentos que ajudaram a reconstituir a história da própria Rota da Seda.

Ao entrar nas Grutas de Mogao, não estamos apenas a visitar um monumento. Estamos a atravessar camadas de tempo, onde cada pintura, cada escultura, cada detalhe conta uma história de fé, de viagem e de encontro entre culturas.

E foi precisamente aí que a nossa viagem começou verdadeiramente.

Depois das Grutas de Mogao, seguimos para Monte Mingsha — um daqueles lugares onde a História dá lugar à experiência, quase sem aviso.

O cenário muda de forma abrupta. Desaparecem as paredes carregadas de séculos e surge um horizonte aberto, dominado por dunas que parecem não ter fim. Areia em todas as direções, desenhada pelo vento com uma precisão quase artística. Ao longe, pequenas caravanas de camelos avançam lentamente, recriando, ainda que de forma simbólica, a imagem clássica da Rota da Seda.

Dizem que a areia “canta” — e, ao subir as dunas, percebe-se porquê. Há um som subtil, quase impercetível, provocado pelo movimento dos grãos, como se o próprio deserto tivesse uma voz própria. Não é um espetáculo evidente, mas é suficiente para nos lembrar que estamos num lugar fora do comum.

Subimos às dunas, passo a passo, com aquela sensação constante de esforço — até ao topo, onde o silêncio é absoluto e a vista se estende até onde a luz permite.

A descida, feita em pranchas pela encosta de areia, fez as delícias dos mais pequenos, trazendo um momento de leveza a um cenário marcado pela imponência do deserto.

Pelo meio, houve ainda tempo para percorrer parte do deserto a camelo — um ritmo lento, quase hipnótico, que contrasta com a pressa constante a que estamos habituados. Não é difícil imaginar como seriam estas travessias há centenas de anos: dias inteiros de viagem, expostos ao calor, ao vento e à incerteza, dependendo de rotas que hoje seguimos quase por curiosidade.

É precisamente aqui que a dimensão da Rota da Seda ganha outra escala. Deixa de ser um conceito histórico e passa a ser uma experiência física. O calor, o isolamento, a monotonia da paisagem — tudo contribui para perceber o que significava, na prática, atravessar estes territórios. E mesmo assim, durante séculos, milhares fizeram esse caminho.

Depois de um primeiro dia intenso, que terminou entre o deserto e o silêncio de Dunhuang, regressámos ao hotel para algumas horas de descanso — curtas, mas suficientes para recuperar forças para o que ainda estava por vir. O segundo dia levou-nos ainda mais para oeste, em direção ao Yumen Pass — um dos pontos mais icónicos, e ao mesmo tempo mais desolados, de toda a Rota da Seda.

Conhecido como a “Porta de Jade”, o Yumen Pass marcou, durante séculos, o verdadeiro limite do mundo chinês. Construído durante a Dinastia Han, este posto avançado não era apenas uma estrutura militar — era um ponto de controlo estratégico, onde se regulava a entrada e saída de pessoas, mercadorias e informação.

Era por aqui que passava o jade proveniente da Ásia Central — uma das pedras mais valorizadas pela cultura chinesa — e daí o nome que atravessou os séculos. Mas mais do que um entreposto comercial, o Yumen Pass simbolizava uma fronteira clara: para lá dele, começava o desconhecido.

Hoje, o que resta são ruínas expostas ao vento e ao silêncio do deserto. Estruturas simples, quase cruas, que contrastam com a importância histórica que tiveram. E talvez seja precisamente essa simplicidade que mais impressiona. Não há monumentalidade evidente, nem reconstruções exuberantes — apenas vestígios de um tempo em que este ponto decidia quem entrava no império… e quem se aventurava a sair dele.

A paisagem envolvente reforça essa sensação. Vasta, árida, aparentemente infinita. É fácil perceber porque é que este era um ponto crítico: quem controlava esta passagem controlava uma das principais ligações entre a China e o resto do mundo conhecido.

Ali, perante o que resta do Yumen Pass, a Rota da Seda deixa de ser uma ideia distante e ganha contornos muito concretos. Não era apenas comércio ou diplomacia — era risco. Era travessia. Era decisão.

E, muitas vezes, era também o ponto sem retorno.

Antes de chegarmos ao Yadan National Geo Park, fizemos uma paragem nas ruínas da Grande Muralha da Dinastia Han.

À primeira vista, pouco resta. Fragmentos de terra compactada, estruturas quase apagadas pelo tempo, difíceis de distinguir da própria paisagem. Não há torres imponentes nem muralhas contínuas como aquelas que associamos à imagem clássica da Grande Muralha. Mas é precisamente aí que reside a sua força.

Estas construções remontam a mais de dois mil anos, erguidas durante a Dinastia Han, numa altura em que proteger as rotas comerciais era vital para a sobrevivência do império. Ao contrário das secções mais conhecidas, construídas em pedra, aqui utilizava-se terra batida e materiais locais — soluções práticas para um território hostil, onde tudo era escasso, menos o vento e o isolamento.

Estas ruínas não impressionam pela grandiosidade. Impressionam pelo contexto. Porque nos obrigam a imaginar o que significava, há mais de dois mil anos, construir e manter uma linha de defesa neste ambiente — exposto ao deserto, longe de tudo, numa época em que cada deslocação era, por si só, uma expedição.

E foi com essa imagem ainda presente que seguimos para o Yadan.

Se o Yumen Pass já dava uma ideia de fronteira, o Yadan National Geo Park leva essa sensação a um outro nível. A paisagem é quase irreal. Formações rochosas esculpidas pelo vento ao longo de milhares de anos, criando estruturas que parecem cidades abandonadas, castelos em ruína ou silhuetas fantasmagóricas perdidas no meio do nada. Um cenário que facilmente se confunde com algo vindo de outro planeta — e não é por acaso que muitos lhe chamam “paisagem marciana”.

Foi aqui que tivemos a oportunidade de conduzir buggies pelo deserto, atravessando este labirinto natural de formações geológicas. A experiência, mais do que divertida, foi reveladora.

Porque é precisamente neste tipo de terreno que se percebe, de forma quase física, a dimensão da Rota da Seda.

A vastidão, o isolamento, a repetição da paisagem, a ausência de referências — tudo contribui para uma sensação clara: atravessar estes territórios não era uma viagem. Era uma prova de resistência.

Quem aqui passava, há séculos, não tinha mapas digitais, nem veículos motorizados, nem qualquer garantia de chegar ao destino. Tinha apenas orientação, instinto… e uma margem de erro praticamente inexistente.

No meio daquele silêncio absoluto e daquela escala esmagadora, fica uma certeza difícil de ignorar: Quem fazia esta rota — e sobrevivia — não era apenas comerciante ou viajante.

Era, antes de mais, resistente.

O terceiro dia começou cedo. Ainda em Dunhuang, embarcámos no comboio com destino a Jiayuguan — uma viagem de pouco mais de duas horas que, por si só, já diz muito sobre a China de hoje.

Se há algo que impressiona neste país, para além da sua dimensão, é a forma como a tecnologia encurta distâncias que, noutras geografias, seriam quase impeditivas. Estações modernas, infraestruturas altamente eficientes e uma rede ferroviária de alta velocidade que liga regiões remotas com uma precisão quase cirúrgica. Viajar milhares de quilómetros torna-se um processo simples, confortável e surpreendentemente rápido.

Há aqui uma certa ironia inevitável.

Num território onde, durante séculos, atravessar estas mesmas distâncias significava semanas — meses ou anos — de viagem, enfrentando desertos, saqueadores e condições extremas, hoje percorrem-se centenas de quilómetros em poucas horas, sentado confortavelmente num comboio que parece deslizar sobre o terreno.

Mas essa sensação de modernidade tem vida curta.

Mal chegámos a Jiayuguan, voltámos a atravessar séculos de história — quase sem transição.

A primeira paragem foi no Jiayuguan Pass, conhecido como o “Greatest Pass of the Great Wall”. Este era, na prática, o último grande bastião da Grande Muralha da China no extremo ocidental do império.

Mais do que uma fortaleza, tratava-se de um sistema militar complexo, cuidadosamente planeado para defesa, controlo e vigilância. Torres, muralhas, pátios interiores — tudo organizado com uma lógica funcional impressionante para a época. Era aqui que se controlava a entrada e saída de pessoas e mercadorias, num ponto crítico onde a China terminava… e começava o desconhecido.

Ao contrário das ruínas dispersas que tínhamos encontrado anteriormente, aqui a estrutura impõe-se. Há uma sensação clara de organização, de poder e de controlo. Não é difícil imaginar a importância estratégica deste ponto, numa altura em que qualquer falha podia significar a vulnerabilidade de todo um território.

Seguimos depois para a Overhanging Great Wall, uma extensão da muralha construída para acompanhar o relevo acidentado das colinas, quase como se estivesse suspensa sobre a paisagem.

Aqui, a escala muda. Menos monumental, mais exposta, mais física. Subir esta secção permite perceber de forma muito concreta o esforço necessário para construir — e defender — estas linhas num território tão agreste. Cada inclinação, cada curva, cada adaptação ao terreno revela uma engenharia pensada não para impressionar… mas para resistir.

O dia seguinte levou-nos até Zhangye Danxia Park — um dos cenários naturais mais surpreendentes de toda a viagem.

À chegada, a primeira sensação é de estranheza. Não é uma paisagem que se reconheça de imediato. As montanhas surgem em tons improváveis — vermelhos, laranjas, amarelos e ocres (tons entre amarelo-escuro e castanho) — como se tivessem sido pintadas à mão, camada sobre camada, ao longo de milhões de anos. E, de certa forma, foram.

Estas formações geológicas resultam de processos sedimentares e erosivos que remontam a dezenas de milhões de anos, onde diferentes minerais deram origem às cores que hoje definem a paisagem. Mas mais do que a explicação científica, é o impacto visual que fica.

Há uma sensação quase irreal no local. Como se estivéssemos perante um cenário construído — demasiado perfeito, demasiado distinto — para ser natural. E, no entanto, é precisamente essa autenticidade que impressiona.

Zhangye foi também, em tempos, um ponto relevante na Rota da Seda. Não tanto pelo dramatismo das travessias do deserto, mas como zona de passagem e reorganização das caravanas, num território onde a paisagem começava, finalmente, a dar algum sinal de diversidade depois de quilómetros de monotonia árida.

Se o deserto nos mostrou a dureza da rota, Zhangye mostra-nos que, mesmo nos caminhos mais exigentes, havia momentos de respiro.

Seguimos depois para o Pingshan Lake Grand Canyon — e, mais uma vez, o cenário muda de forma radical.

Se Zhangye é cor, o Pingshan Lake é profundidade.

O terreno abre-se em ravinas e formações rochosas que lembram, em escala reduzida, os grandes cânions do mundo. Caminhar por ali é descer para dentro da paisagem, percorrendo trilhos estreitos entre paredes de rocha esculpidas pelo tempo e pelos elementos.

Há uma sensação constante de isolamento. Menos vasto do que o deserto, mas mais fechado, mais físico, quase claustrofóbico em alguns pontos. Um contraste interessante com tudo o que tínhamos visto até então.

E, mais uma vez, surge a mesma reflexão que nos acompanhou ao longo de toda a viagem:

A Rota da Seda não era apenas um caminho entre dois pontos.

Era uma sucessão constante de desafios — de terrenos, de climas, de obstáculos — que obrigavam quem a percorria a adaptar-se, resistir… e continuar.

O dia seguinte trouxe-nos de volta a um registo diferente — menos dominado pela paisagem e mais centrado na presença humana, na espiritualidade e na vida que, ao longo dos séculos, foi crescendo ao longo da Rota da Seda.

A primeira paragem foi no Templo de Matisi, um conjunto impressionante de templos escavados na encosta de uma montanha.

À distância, o que se vê são estruturas aparentemente suspensas na rocha, ligadas por escadas e passagens estreitas que serpenteiam pela encosta. Mas ao aproximarmo-nos, percebe-se que este não é apenas um feito arquitetónico — é, acima de tudo, um espaço de devoção.

Com origens que remontam a mais de 1.500 anos, o complexo foi influenciado por diferentes correntes do budismo e serviu como local de retiro espiritual para monges que procuravam isolamento e proximidade com o sagrado. Tal como em Dunhuang, também aqui se sente a influência da Rota da Seda, não apenas como via de comércio, mas como canal de transmissão religiosa e cultural.

Subir pelas estruturas de madeira encaixadas na rocha é uma experiência tão física quanto simbólica. Cada passo exige atenção, cada passagem estreita obriga a abrandar — quase como se o próprio espaço impusesse um ritmo mais contemplativo.

Seguimos depois para o Grande Buda de Zhangye, uma das maiores estátuas de Buda reclinado da China.

Aqui, a escala volta a impressionar, mas de forma diferente. Não pela imponência exterior, mas pela serenidade que transmite. A figura representa o momento final da vida de Buda, antes de alcançar o nirvana — um símbolo de transição, de fim, mas também de continuidade.

No contexto da Rota da Seda, locais como este ganham um significado ainda mais profundo. Foram pontos de paragem para viajantes, centros de difusão religiosa e espaços onde diferentes culturas encontravam uma linguagem comum através da espiritualidade.

O dia terminou com uma passagem pela Drum Tower de Zhangye, no coração da cidade.

Ao contrário dos cenários isolados dos dias anteriores, aqui regressámos ao ambiente urbano. A torre, tradicionalmente utilizada para marcar o tempo e anunciar acontecimentos importantes, recorda uma China mais organizada, mais estruturada, onde a vida quotidiana seguia ritmos bem definidos.

É um contraste interessante: depois de desertos, muralhas e templos isolados, voltamos ao centro da cidade — onde a história continua presente, mas integrada no dia-a-dia.

O último dia trouxe-nos de volta a Lanzhou — o ponto de partida e de chegada desta viagem.

Depois de dias marcados por desertos, muralhas, templos e paisagens quase irreais, Lanzhou surge como um regresso à normalidade. Uma cidade moderna, atravessada pelo Rio Amarelo, onde o ritmo urbano volta a impor-se e onde a vida segue o seu curso sem a carga simbólica dos locais que tínhamos vindo a explorar.

Passámos pela Zhongshan Bridge, uma das mais antigas pontes metálicas da China, e pelo Waterwheel Park, onde antigas rodas de água recordam a importância histórica do rio na irrigação e no desenvolvimento da região. São locais que, à primeira vista, podem parecer apenas pontos turísticos urbanos — mas que, no contexto desta viagem, ajudam a fechar o círculo.

Porque, no fundo, foi aqui que tudo começou.

Mas já não éramos os mesmos.

Ao longo destes dias, percorremos milhares de quilómetros por um território que, durante séculos, foi uma das principais ligações entre mundos. Vimos de perto o que resta de uma rota que não era apenas comercial, mas profundamente humana — feita de encontros, de trocas, de risco e de sobrevivência.

A Rota da Seda não era um caminho confortável. Não era rápida. Não era segura.

Era, acima de tudo, necessária.

E talvez seja essa a maior lição que fica desta viagem.

Num tempo em que tudo é imediato, em que as distâncias se encurtam e a informação circula à velocidade de um clique, é fácil esquecer o que significava, há não muito tempo, atravessar o mundo.

Hoje, percorremos milhares de quilómetros em poucas horas, entre aeroportos modernos e comboios de alta velocidade. Mas houve uma época em que essa mesma distância era medida em meses — e em coragem.

Percorrer Gansu é, no fundo, isso mesmo: confrontarmo-nos com a escala do tempo, com a dureza da geografia e com a capacidade humana de ultrapassar limites.

E perceber que, muito antes de falarmos em globalização, já o mundo estava ligado.

Não por tecnologia.

Mas por necessidade.

São Romão inaugura a 1 de maio o Espaço Mais+

A Vila de São Romão prepara-se para abrir as portas de um projeto inovador focado na coesão comunitária. No próximo dia 1 de maio, pelas 16h30, o Mercado de São Romão será o palco da inauguração oficial do Espaço Mais+.

Mais do que um novo local físico, este será um verdadeiro ponto de encontro entre gerações, um espaço pensado para a partilha de conhecimento, de experiências e de saberes.

O Espaço + nasce com o propósito de aproximar pessoas, valorizar o que cada um tem para dar e criar oportunidades para aprender e crescer em conjunto. Aqui, os mais novos encontrarão espaço para explorar e descobrir, enquanto os mais velhos poderão transmitir vivências, histórias e ensinamentos que fazem parte da nossa identidade coletiva.

Será um lugar aberto, inclusivo e dinâmico, onde se cruzam diferentes gerações, promovendo o diálogo, a aprendizagem e o reforço dos laços comunitários.

A Junta de Freguesia convida toda a população a marcar presença nesta cerimónia, assinalando o início de um novo capítulo na vida social de São Romão.

Caminhada do Dia da Mãe em Santa Eulália

A União Recreativa de Santa Eulália (U.R.S.E.), em parceria com os Mordomos da Festa do Santíssimo Sacramento 2026, vai promover uma caminhada especial para celebrar o Dia da Mãe. O evento terá lugar no próximo domingo, dia 3 de maio de 2026.

Sob o lema “Passos que nos unem, amor que nos guia!”, a iniciativa pretende reunir famílias para uma manhã de atividade física ao ar livre e convívio comunitário.

O ponto de encontro está marcado para as 8h30, com a concentração dos participantes. Após a caminhada, o programa culmina num almoço festivo servido às 13h00, onde o prato principal será a tradicional Feijoada com Arroz.

A organização preparou ainda uma “Surpresa para as Mães” que participarem no evento.

Este evento conta com o apoio da U.R.S.E., reforçando o espírito de união e a dinamização cultural da freguesia de Santa Eulália.

[C]ontagia-te — Semana Académica de Seia 2026 já tem cartaz oficial

Destaque para os cabeças de cartaz Deejay Rifox e Kiss Kiss Bang Bang, aos quais se juntam artistas como Victor Pirez, DJ Karyoka (DJ residente), DJ Duarte, DJ Milheiro, DJ Edgar Marquez, DJ Sargaço, Tomás Dias e o projeto Candy Shop, entre outros.

A Associação de Estudantes da ESTH/IPG apresenta oficialmente o [C]ontagia-te — Semana Académica de Seia 2026, um evento que promete afirmar-se como o maior acontecimento académico do concelho e da região.

Após o sucesso da edição anterior, marcada pela forte adesão e envolvimento da comunidade académica e local, a organização eleva agora a fasquia com um programa mais ambicioso, diversificado e pensado para todos.

O evento decorrerá entre os dias 12 e 17 de maio, com uma programação distribuída por vários espaços emblemáticos da cidade de Seia, nomeadamente os bares Loco Drink&Talk e Senalonga, culminando nos dias 15 e 16 de maio no Pavilhão Gimnodesportivo do Parque Municipal de Seia, onde terão lugar os principais espetáculos.

O cartaz artístico reúne um conjunto de nomes reconhecidos e emergentes do panorama musical, com destaque para os cabeças de cartaz Deejay Rifox e Kiss Kiss Bang Bang, aos quais se juntam artistas como Victor Pirez, DJ Karyoka (DJ residente), DJ Duarte, DJ Milheiro, DJ Edgar Marquez, DJ Sargaço, Tomás Dias e o projeto Candy Shop, entre outros.

A diversidade musical e a energia dos artistas prometem noites intensas, marcadas pela forte interação com o público e por uma experiência imersiva que vai além da música, reforçando o espírito académico e a ligação à cidade.

No que diz respeito ao acesso, a organização informa que a pré-venda para os dias principais (15 e 16 de maio) já se encontra disponível, com o valor de 6,00€, sendo o preço à porta de 8,00€. A pré-venda é limitada, estando sujeita à lotação do recinto. Os bilhetes podem ser adquiridos nos pontos de venda físicos — Loco Drink&Talk, Senalonga, AE-Seia e AE-ESTH — ou através de reserva online, mediante contacto com a Associação de Estudantes da ESTH.

Com esta iniciativa, a Associação de Estudantes reforça o seu compromisso com a dinamização cultural e académica, promovendo não só momentos de convívio e celebração entre estudantes, mas também contribuindo para a afirmação de Seia enquanto destino de eventos jovens e de grande dimensão.

O [C]ontagia-te 2026 pretende, assim, consolidar-se como uma marca de referência, assente na energia, participação e envolvimento de toda a comunidade.

Mais informações serão divulgadas brevemente através dos canais oficiais da organização.

Observatório de Travancinha (Seia) melhora acessibilidade para “um céu sem barreiras” ao alcance de todos

O caminho para o cosmos está a tornar-se mais inclusivo na. O Observatório de Travancinha anunciou recentemente que se encontra numa fase avançada de requalificação dos seus acessos. O objetivo central desta intervenção é eliminar barreiras físicas, garantindo que a experiência de observação astronómica seja verdadeiramente universal.

Mais do que uma simples renovação de infraestruturas, estas obras representam um compromisso do observatório com a democratização da ciência. De modo a tornar a experiência “mais próxima e mais humana”, cada detalhe do novo acesso foi pensado para proporcionar maior conforto a todos os visitantes, desde famílias com crianças a pessoas com mobilidade condicionada.

“Cada passo neste caminho é pensado para que mais pessoas possam viver a experiência do céu de forma plena”, refere o Observatório em comunicado oficial.

Com a conclusão dos trabalhos prevista para breve, o Observatório de Travancinha afirma estar a preparar-se para uma nova fase de acolhimento, aliado ao bem-estar de todos.

Enquanto as equipas trabalham no terreno, o Observatório mantém a promessa de, muito em breve, reabrir as portas com condições renovadas, reforçando o seu papel como um dos pontos de referência para o astroturismo no concelho de Seia.

“A garota não” este sábado na Casa Municipal da Cultura de Seia e o regresso do Seia Jazz & Blues marcam a agenda deste mês de maio

A Casa Municipal da Cultura continua a sua missão de trazer a Seia propostas culturais contemporâneas. No dia 2 de maio será a vez de “A garota não” subir ao palco senense

Mantendo a sua oferta variada e pensada para todas as faixas etárias, a proposta cultural da Casa Municipal da Cultura de Seia (CMCS), ao longo do mês de maio, aposta, novamente, na diversidade de linguagens artísticas, da música ao teatro, do cinema ao serviço educativo vocacionado para escolas, famílias e toda a comunidade infanto-juvenil.

Entre os destaques da programação para este mês, o concerto de “A garota não”, a 2 de maio. Apresenta-se pela primeira vez em Seia o projeto de Catia Mazari Oliveira, que tem vindo a refletir sobre os tempos que vivemos através da sua poesia interventiva numa viagem social e política, de quem luta com o coração e dá corpo, alma e voz a um projeto absolutamente único. À CMCS traz o seu mais recente álbum, “Ferry Gold”.


O Jornal de Santa Marinha, em parceria com a Casa Municipal da Cultura de Seia, tem para OFERECER 1 CONVITE DUPLO para o espetáculo. Esta iniciativa insere-se numa colaboração que pretende aproximar a comunidade da programação cultural local e incentivar a participação do público nos eventos do concelho.
Como participar?
O primeiro leitor a apresentar-se na bilheteira com a edição Nº 622 do JSM (edição impressa), a partir de uma hora antes do início do espetáculo, receberá um convite duplo (2 bilhetes) para assistir ao espetáculo.


Seia Jazz & Blues regressa à CMCS 

Está de regresso o Seia Jazz & Blues. Novamente no palco da CMCS, depois de nos últimos anos se ter realizado no CISE, acontece nos dias 22, 23 e 24 de maio, contando com concertos do vibrafonista Duarte Ventura, da nova voz da soul cabo-verdiana Zubikilla Spencer e do compositor e baixista André Carvalho. Durante a semana o jazz vai às escolas numa parceria com a Escola Profissional da Serra da Estrela.

Cinema continua a apostar em grandes filmes

O cinema continua a ser um ponto de interesse de programação da CMCS, numa altura em que escasseiam as salas de cinema no território interior da Serra da Estrela. Desde filmes muito badalados e aguardados como O Diabo Veste Prada 2, ao melhor cinema português dos últimos tempos com o mais recente filme de Pedro Cabeleira — Entroncamento —, passando também pela programação feita em colaboração com a AAIS, que neste mês apresenta através do cinema a vida e obra de artistas como Nam June Paik e Joan Baez. A variedade é muita.

Há ainda espaço para a infância e juventude, com mais atividades educativas guiadas pelo compositor Jaime Reis, no dia 14 de maio, e a 30 de maio apresenta-se a peça do Teatro Nacional D. Maria II / Catarina Requeijo, Não se pode! Não se pode!, na CMCS.

Cerveja Cardo: nasce uma nova cerveja artesanal portuguesa, a partir de uma flor

A flor do Cardo, elemento central na produção do Queijo Serra da Estrela DOP, dá agora origem a uma cerveja lançada pela Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau

Em 2015, a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau explorou uma ligação improvável dentro da cultura gastronómica portuguesa, ao juntar o Queijo Serra da Estrela DOP ao pastel de bacalhau, criando uma experiência ancorada na autenticidade dos ingredientes e na sua origem. A criação da marca foi um gesto de valorização de um ecossistema: o queijo, a pastorícia e o saber ancestral que lhe dá origem, como forma de dar continuidade a um ofício que, pela sua dureza e baixa rentabilidade, ameaçava desaparecer.

Onze anos depois, a marca regressa à origem desse mesmo sistema e resgata o seu elemento mais discreto: a flor, levando-a agora para um território improvável: a cerveja. A cerveja Cardo nasce a partir do cardo (*Cynara cardunculus*), uma planta que há séculos faz parte da paisagem da Serra da Estrela e que está na origem do Queijo Serra da Estrela DOP, onde atua como coagulante natural, um dos exemplos mais antigos do uso da natureza na produção alimentar.

Partindo dessa base, a marca explorou o potencial do Cardo para além da sua função tradicional. Em colaboração com a Dois Corvos, desenvolveu uma cerveja artesanal onde a flor assume um novo papel, contribuindo para o perfil aromático e para a identidade do produto.

Desenvolvida a partir de uma Belgian Saison reinterpretada como Thistle Saison, esta cerveja integra no seu processo produtivo sementes e folhas de cardo, trazendo para o copo um ingrediente historicamente ligado à transformação do leite em queijo. O resultado é uma cerveja de perfil aromático complexo, com notas subtis e um amargor leve, mas persistente. De cor dourada a âmbar e com textura cremosa, distingue-se pela substituição das especiarias tradicionais deste estilo pelo cardo, que lhe confere identidade própria.

Pensada para a mesa, a Cerveja Cardo foi desenvolvida com foco em food pairing, destacando-se a sua ligação ao Pastel de Bacalhau com Queijo Serra da Estrela DOP, uma combinação improvável, mas irrecusável. Mais do que uma inovação de produto, a Cerveja Cardo propõe uma nova leitura sobre um ingrediente ancestral da Serra da Estrela, explorando o seu potencial para além da utilização tradicional. A Cerveja Cardo está já disponível na Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau do Castelo de São Jorge e no Museu da Cerveja, em Lisboa, estando prevista em breve a sua chegada a todas as lojas da Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau.

Seia do Futuro!(?) 2.0(?) – Gabinete de Apoio às Freguesias e Gabinete do Empreendedorismo e Fundos Comunitários.

Isto até parece que se vai tornar uma rúbrica. Não é que eu o quisesse, mas tenho todo o gosto em escrever.

Novamente, no passado dia 27 de abril, vimos outra proposta do programa eleitoral às eleições autárquicas de 2025 do Partido Social Democrata a ser indiretamente referida, desta vez em sede de Assembleia Municipal.

Em intervenção do presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha, Jorge Rafael Abreu, que parabenizo desde já pela abordagem ao tema, falou-se, e bem, de instrumentos de financiamento, transcrevendo, ipsis verbis, “orientados para o desenvolvimento local, a coesão territorial e a melhoria das condições de vida das populações”, como o programa “PORTUGAL 2030” ou até mesmo o “CENTRO 2030”, este último relativamente ao qual apresentei quatro possibilidades de candidatura à Assembleia de Freguesia de São Romão para a requalificação da Casa do Povo, do parque desportivo e relvado do estádio Nossa Senhora da Conceição e aproveitamento direcionado para o turismo de natureza e bem-estar na Senhora do Desterro.

O interveniente prossegue alertando para a realidade do concelho, referindo a importância de reconhecer que muitas freguesias não estão, de momento, em condições efetivas de aceder a estes instrumentos, por falta de capacidade técnica especializada para a elaboração de candidaturas, pela complexidade dos procedimentos, pela exigência burocrática, pela necessidade de acompanhamento técnico na execução dos apoios e pelas limitações financeiras por parte destes órgãos para o pré-financiamento exigido pelos projetos. Conclui com o resultado previsível: perda de captação de investimento público de qualidade para a população e para o território.

Aconselho, vivamente, a visualização da intervenção do autarca na íntegra, onde o mesmo propõe ao município a criação de uma estrutura municipal de apoio às freguesias para a captação destes financiamentos, desenvolvimento de projetos, apoio técnico às candidaturas a fundos e, consequentemente, acompanhamento na execução dos projetos e apoio ao prefinanciamento. Nada mais, nada menos do que um Gabinete de Apoio às Freguesias e um Gabinete de Empreendedorismo e Fundos Comunitários.

Consequentemente, o deputado Carlos Coito alerta que o PSD previa, precisamente, essa medida no seu programa eleitoral.

A explicação destes gabinetes dispensa reexplicação, já quase integralmente apresentada pelo presidente da Junta de Santa Marinha, e também pela densidade com que já ocupo o vosso tempo com a leitura deste artigo. O certo é que esta ideia já não é apenas um sonho nosso e, felizmente, há mais autarcas no concelho a pugnar pela mesma.

Infelizmente, a resposta obtida por parte do presidente do executivo camarário já não foi a mais positiva, resumindo, de forma geral, curta e grossa da minha parte: “Estamos a ajudar no apoio à recuperação pós-fogos, não são precisos mais…”muito sucintamente, foi isto, mas poderão sempre ir assistir e tirar as vossas próprias conclusões.

Uma vez mais, à semelhança do que escrevi no meu artigo anterior, ou nos adaptamos ou ficaremos a ver o nosso concelho ficar para trás. Espero que o Município reconheça e tenha em consideração a vontade já expressa também pelos autarcas que se juntaram ao seu projeto vencedor em outubro de 2025, e que o futuro seja positivo no alcance destes passos fundamentais para o desenvolvimento da nossa terra, para a coesão territorial e para a melhoria das condições de vida da nossa população. É urgente tornar o nosso território mais atrativo, é urgente acompanhar o desenvolvimento nacional, é urgente que nos adaptemos aos tempos e sejamos audazes.

Encontro de Minis de Paranhos da Beira no dia 3 de maio

O Clube Mini da Serra da Estrela vai levar a efeito, no próximo dia 3 de maio, mais um encontro Mini em Paranhos da Beira.

Do programa destaca-se uma visita à Feira da Tralha e ao Museu do Samarreiro em Vila Verde. Em seguida a caravana dirige-se para o Santuário de Santa Eufêmia, onde irá decorrer a benção dos MINIs e o almoço convívio.

Até ao fecho da edição do jornal, o Clube conta já com 50 carros inscritos e 102 pessoas, oriundas de Braga, Ermesinde, Espinho, V. N. Gaia, S. J. Madeira, Viseu, Arganil, Tomar, Taipas, Armamar, Belmonte, Covilhã, Guarda, Vagos, S. Pedro do Sul, Góis, Tadim, Arouca, Oliveira do Hospital, Gouveia e do concelho de Seia. Há a destacar também uma representação espanhola vinda de Granada.

De referir que o Clube Mini da Serra da Estrela vai organizar o IMM Portugal 2027 e, para tal, deslocar-se no próximo mês de maio (entre 28 e 31) a Leszno na Polónia, onde vai receber a passagem de testemunho.  

Seia no epicentro do mundo – O Trail Running chega este fim de semana com mais de 2200 atletas oriundos de 62 países

Com mais de 2.200 atletas de 62 nacionalidades, a 15ª edição do “Oh Meu Deus” marca a entrada no prestigiado circuito mundial do UTMB. O diretor da prova, Paulo Garcia, falou em exclusivo ao JSM e apelou aos senenses para que saiam à rua e mostrem a hospitalidade única do concelho e da região.

Entre os dias 1 e 3 de maio, sexta-feira, sábado e domingo, todos os caminhos vão dar a Seia. O que começou há 15 anos como uma paixão mais moderada, transformou-se agora num evento de dimensão planetária. Pela primeira vez, a prova, organizada pela Horizontes, integra o UTMB (Ultra Trail du Mont Blanc) World Series, o patamar mais elevado do trail running mundial, colocando as serras da Estrela, do Açor e da Lousã no radar dos melhores atletas do mundo.

Um salto de gigante

O impacto é visível nos números: de 30 países em edições anteriores para 62 nações representadas este ano. “É um salto significativo”, refere Paulo Garcia, diretor da prova. Com uma logística enorme, o evento promete não só rigor técnico, mas um impacto económico direto superior a 2 milhões de euros para a região num único fim de semana.

“Sair à rua”: o apelo à população

Mais do que uma competição desportiva, a organização quer que este evento seja uma celebração da resiliência local. Após os incêndios e as tempestades que fustigaram o território, o trail surge como uma “pegada positiva” e um motor de renovação.
Paulo Garcia deixa um convite direto a todos os habitantes:
“Saiam à rua. Batam palmas, gritem, ofereçam uma laranja ou um copo de água. Convidem-nos a entrar nas vossas adegas. Estas 2.200 pessoas são gente boa que vai levar Seia no coração e, garantidamente, vai voltar.”
O comércio e a restauração local são também peças-chave. Com cerca de 8 mil visitantes previstos, o apelo é para que os estabelecimentos se mantenham abertos “fora de horas para acolher quem vem de longe à procura da nossa gastronomia e cultura”.

O percurso: entre o belo e o dantesco

A prova rainha de 160 km parte da Lousã na sexta-feira, mas o grande espetáculo estende-se por todo o fim de semana com passagens em locais emblemáticos. O “ex-libris” desta edição será a mítica subida de Alvoco à Torre pela Rota dos Pastores — um troço descrito como “terrível e difícil”, mas de uma beleza incomparável.
Todas as provas terão o seu epicentro no Parque Municipal de Seia, onde está montada uma Village com música, animação e feira de artigos desportivos.

Com esta prova, Seia afirma-se como destino para a prática da modalidade que já ultrapassou o atletismo de estrada em número de eventos e de praticantes.

De referir que, o Oh Meu Deus – Center of Portugal by UTMB® integra o circuito internacional UTMB World Series, que reúne cerca de 50 eventos oficiais a nível global. É a única prova em Portugal e uma de apenas duas na Península Ibérica, a par de Val d’Aran (Pirenéus espanhóis).

Neste sentido, a prova conta com mais de 2 mil atletas inscritos, distribuídos por quatro distâncias (20K, 50K, 100K e 160K), sendo que
40% da participação é internacional, com atletas de 62 países e dos 5 continentes.

A presença de atletas oriundos de países como Qatar, Irão, Nova Zelândia, China, Austrália e Coreia do Sul, para além de forte representação brasileira, norte-americana, e de diversos países europeus, afirma Portugal como destino de excelência para a prática da modalidade.

As provas de 50K, 100K e 160K integram o sistema competitivo do circuito UTMB, permitindo a atribuição de Running Stones e acesso às finais em Chamonix (UTMB Mont-Blanc), evento que reúne cerca de 10.000 atletas, sorteados de entre as largas dezenas de milhares que se candidatam anualmente.

Programa (resumo)

1 de maio
08:00 – Partida OMD 50K (Loriga / Seia)
16:00 – Partida OMD 160K (Lousã)
21:00 – Entrega de prémios OMD 50K
Sunset / animação na Village (Parque Municipal de Seia)
23:59 – Partida OMD 100K (Seia)

2 de maio
Animação contínua na Village (Parque Municipal de Seia)
Chegadas das provas longas ao longo do dia
21:00 – Entrega de prémios OMD 100K

3 de maio
08:00 – Partida OMD 20K (São Romão)
10:00 – Abertura da Village e animação
12:00 – Entrega de prémios (160K / 100M / 20K)
14:00 – Encerramento do evento

Este é o momento de mostrar que a Serra da Estrela não é apenas um cenário de montanha, mas um território vivo, vibrante e acolhedor. Apoie os atletas, participe na festa!