Estará tudo certo?

À medida que o final do ano se aproxima instala-se a perceção de que dezembro assinala um ponto de viragem. Contudo, este mês não precisa de simbolizar o mês das grandes transformações. Pode, simplesmente, servir como aliado para aquelas decisões adiadas ao longo do tempo. Não é necessário que o alcance das mudanças seja sumptuoso, basta reconhecer que qualquer percurso é construído através de múltiplos passos. Podemos assumir passos firmes e convictos, outros vulneráveis e inseguros. E… está tudo certo! Somos seres humanos sensíveis, emocionais, em desenvolvimento crescente.
Estará então tudo certo?
Esta expressão tem vindo a ganhar contornos de cliché. Ainda assim, quando utilizada no contexto adequado, tem a capacidade de introduzir leveza, permitindo abrir espaço para a possibilidade de uma versão de nós mais compassiva e menos crítica. O risco surge quando é usada de forma indiscriminada, como se legitimasse tudo sem distinção.
“Está tudo certo” apenas quando existe um compromisso real consigo próprio, quando se cultivam escolhas alinhadas com a realização pessoal e com a busca de felicidade e bem-estar, sem ultrapassar os limites do próprio espaço interno. Está tudo certo quando o caminho é percorrido com respeito e responsabilidade, não apenas com foco no bem individual, mas também com consciência de que fazemos parte de um todo maior que se estende para além de nós. O puzzle da vida estará completo com a integração idiossincrática de todas as diferentes peças.
Assim, dezembro recorda que não é necessário esperar por um recomeço absoluto para iniciar algo significativo. Muitas vezes, a verdadeira mudança nasce da coragem de retomar o que ficou suspenso, de avançar gradualmente e de reconhecer que o progresso se constrói passo a passo. Que a evolução simboliza consolidar valores universais de liberdade, tolerância, inclusão e honestidade. Nesse movimento ponderado e intencional, sim, está tudo certo.

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