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Inaugurado hoje, na Casa Municipal da Cultura de Seia, o Festival ARTIS 2026

As Galerias da Casa Municipal da Cultura de Seia receberam ao final da tarde de hoje, a sessão inaugural do ARTIS 2026, um evento que já se consolidou como um marco no calendário cultural do concelho.

A cerimónia de abertura contou com a participação especial da Escola Profissional da Serra da Estrela, (EPSE) que apresentou o momento musical intitulado “Insurgência”. A peça foi interpretada ao piano pelo jovem músico Simeon Jesus.

​Mais do que uma simples exposição, este Festival é um ponto de encontro entre artistas e comunidade.

MEU DEUS® by UTMB® chegada dos atletas com muita animação

Animação musical com o Grupo de Concertinistas da Folgosa da Madalena (Seia), no âmbito do OH MEU DEUS® by UTMB® que decorre até amanhã.

OH MEU DEUS® by UTMB®
Durante o dia de hoje foram chegando os atletas dos 100 kms, que partiram ontem às 23h59h, do Parque Municipal de Seia.

Gouveia recebe XIV Encontro de Veículos Clássicos

A cidade de Gouveia recebe hoje, dia 2 de maio, a 14.ª edição do Encontro de Veículos Clássicos, um evento que já se tornou uma referência obrigatória para os entusiastas do automobilismo histórico na região da Serra da Estrela.
​Organizado pelo grupo Serra a Fundo, o encontro celebra o património automóvel e proporciona um espaço de convívio entre colecionadores e o público em geral.

​É uma oportunidade única para os mais novos conhecerem máquinas lendárias e para os mais velhos recordarem os veículos que marcaram as estradas portuguesas em décadas passadas.

OH MEU DEUS® by UTMB® – Partida ontem à noite de Seia dos atletas dos 100km

Uma impressionante moldura humana de atletas partiram ontem às 23h59h do Parque Municipal de Seia. Muito público a assistir.

Mais de 800 atletas já partiram de Loriga rumo à Torre – Esta noite arranca o desafio dos 100 km e no domingo partem os 20 km desde São Romão

O OH MEU DEUS® by UTMB® está a transformar a Serra da Estrela num dos maiores palcos de trail running do país, com milhares de atletas, equipas e visitantes a movimentarem o território ao longo de todo o fim de semana.

A primeira prova do dia, os 50 km, partiu esta manhã de Loriga com mais de 800 atletas, que já seguem rumo à Torre, o ponto mais alto de Portugal continental. A prova decorre com grande adesão do público e com condições estáveis ao longo do percurso.

Às 16h00, parte da Lousã a distância mais longa do evento, os 160 km, que reúne 220 atletas nacionais e internacionais. Prevê se que o primeiro atleta chegue a Seia após cerca de 20 horas de prova, atravessando durante a noite e madrugada alguns dos trilhos mais emblemáticos da Serra da Estrela.

Durante a noite de hoje, sexta feira, às 23h59, será dada a partida para mais um dos grandes desafios do evento: os 100 km, com saída de Seia. Esta prova reúne mais de 400 atletas, reforçando a dimensão e o impacto do OH MEU DEUS® by UTMB® no território.

No domingo de manhã, parte a última distância do evento: os 20 km, com 600 participantes, que sairão de São Romão. Esta prova encerra o programa competitivo e prolonga o movimento positivo que o OH MEU DEUS® by UTMB® está a gerar na região desde o início do fim de semana.

O evento, que integra pela primeira vez o circuito UTMB® World Series em Portugal, está a gerar um impacto significativo nos territórios do interior, com ocupação hoteleira total, forte dinamização do comércio local e projeção internacional da Serra da Estrela.

“O dia de hoje mostra a força do evento e do território. A Serra da Estrela está a receber atletas de todo o mundo com energia, segurança e organização. A noite promete ser intensa, e o domingo fecha um fim de semana histórico para a região”, refere a organização do OH MEU DEUS® by UTMB®
As provas continuam até domingo, com chegadas previstas ao longo de todo o dia.

Avenida do Cinema em Seia recebe finalmente estruturas de proteção

Após vários anos de reivindicações por parte dos residentes, utilizadores frequentes e partidos políticos que levaram muitas vezes o assunto a reuniões de Câmara e Assembleia Municipal, a Avenida Luís Vaz de Camões, conhecida por Avenida do Cinema, em Seia, começou a receber a instalação de barreiras de proteção. A intervenção visa corrigir uma lacuna de segurança que era considerada “evidente” e “urgente” por quem ali circula diariamente.

A inexistência de proteções adequadas e a falta de segurança — decorrentes dos desníveis e depressões do próprio passeio — representavam um perigo enorme para os peões e eram um tema recorrente nas queixas da população local.

O perigo era ainda maior pela extensão do passeio, que percorre vários metros adjacentes a um declive. A ausência de estruturas de proteção criava uma armadilha invisível, onde um passo em falso poderia resultar numa queda aparatosa.

A instalação destas estruturas em madeira que estão a ser colocadas ao longo deste passeio, surge como resposta direta à pressão da comunidade, que há muito alertava para esta situação.

Da areia ao império: uma viagem pela rota da seda no coração da China

Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza de espírito.” — escreveu Mark Twain em The Innocents Abroad (Os Inocentes no Estrangeiro).

Há lugares onde essa ideia ganha uma dimensão quase física. A província de Gansu, no interior da China, é um deles — não pela evidência com que se apresenta ao mundo, mas pelo peso histórico que carrega e pela forma discreta como moldou, ao longo de séculos, a ligação entre civilizações.

Para muitos, não passa de uma extensão remota no interior da China, longe dos grandes centros urbanos e dos circuitos turísticos mais óbvios. Mas para quem olha com alguma profundidade, Gansu revela-se como um dos eixos estruturantes da antiga Rota da Seda — um corredor estratégico que, durante séculos, ligou civilizações e moldou o mundo como o conhecemos.

Mais do que uma simples rota comercial, a Rota da Seda foi uma verdadeira ponte entre Oriente e Ocidente. Por aqui circularam seda, especiarias e metais preciosos, mas também ideias, religiões, tecnologias e culturas. Mercadores, exércitos, monges e exploradores atravessaram estes caminhos, deixando marcas profundas num território que se tornou ponto de encontro entre mundos distintos.

Importa perceber que a chamada Rota da Seda nunca foi uma estrada única. Tratava-se de uma vasta rede de rotas que começou a ganhar forma por volta do século II a.C., durante a Dinastia Han, e que permaneceu ativa durante mais de mil anos. No seu auge, ligava a antiga capital chinesa Chang’an (atual Xi’an) ao Mediterrâneo, atravessando desertos, cadeias montanhosas e impérios inteiros — da Ásia Central ao Médio Oriente e à Europa.

Neste sistema, Gansu assumia um papel absolutamente crítico. Funcionava como um verdadeiro funil geográfico entre o deserto de Gobi e o planalto tibetano — um ponto de passagem obrigatório onde o controlo do território significava controlo sobre o comércio… e, muitas vezes, sobre o equilíbrio de poder entre impérios.

Foi precisamente esse legado que nos trouxe até aqui.

Deixámos Macau já noite dentro, numa daquelas partidas silenciosas em que a cidade ainda dorme e a viagem começa antes de o corpo perceber bem para onde vai. Seguimos por estrada até Zhuhai, onde apanhámos o primeiro voo rumo a Lanzhou. Mas Lanzhou, apesar de ser o ponto de regresso, não seria o verdadeiro início da nossa jornada. Ainda na mesma madrugada — sem tempo para grandes pausas — voltámos a embarcar, desta vez em direção a Dunhuang, onde começaria, de facto, o nosso percurso ao longo da antiga Rota da Seda.

Para se ter uma ideia da escala desta viagem — e da própria dimensão da China — estamos a falar de mais de 2.300 quilómetros entre Macau e Lanzhou, seguidos de cerca de 1.100 quilómetros adicionais até Dunhuang. Distâncias que, vistas de fora, parecem quase irreais, mas que aqui são apenas parte da normalidade de um país que se mede mais em continentes do que em fronteiras.

Se Gansu é o eixo, Dunhuang é, sem exagero, um dos seus pontos mais simbólicos.

Durante séculos, esta cidade-oásis marcou o limite entre dois mundos: para quem vinha do interior da China, era a última paragem antes da imensidão hostil do deserto; para quem chegava do Ocidente, era a porta de entrada para o Império. Situada numa posição estratégica junto ao deserto de Gobi, Dunhuang tornou-se um dos principais entrepostos da Rota da Seda, um local onde caravanas descansavam, mercadorias eram trocadas e culturas se cruzavam de forma inevitável.

Mas o papel de Dunhuang foi muito além do comércio. Foi aqui que ideias viajaram com a mesma intensidade que as mercadorias. O budismo, vindo da Índia através da Ásia Central, encontrou neste ponto um dos seus grandes centros de difusão para o território chinês. Monges, tradutores e viajantes passaram por aqui, trazendo consigo textos sagrados, conhecimento e influências que moldariam profundamente a cultura chinesa ao longo dos séculos.

É precisamente neste contexto que surge o primeiro grande marco da nossa viagem: as Grutas de Mogao.

Escavadas a partir do século IV, estas grutas — também conhecidas como as “Grutas dos Mil Budas” — constituem um dos mais extraordinários complexos de arte budista do mundo. Ao longo de mais de mil anos, monges e artistas foram escavando na rocha um conjunto impressionante de templos, decorados com murais e esculturas que refletem não apenas a devoção religiosa, mas também a diversidade cultural que caracterizava a Rota da Seda.

Cada gruta é um testemunho vivo dessa mistura de influências: traços indianos, persas, tibetanos e chineses convivem nas mesmas paredes, revelando como este corredor comercial era, na verdade, uma autêntica autoestrada de civilizações.

Mas talvez o mais impressionante não seja apenas a dimensão artística do complexo. É a sua função histórica. Durante séculos, estas grutas serviram como locais de meditação, santuários religiosos e também como depósitos de conhecimento. Foi aqui que, no início do século XX, se descobriu uma das mais importantes coleções de manuscritos antigos do mundo — documentos que ajudaram a reconstituir a história da própria Rota da Seda.

Ao entrar nas Grutas de Mogao, não estamos apenas a visitar um monumento. Estamos a atravessar camadas de tempo, onde cada pintura, cada escultura, cada detalhe conta uma história de fé, de viagem e de encontro entre culturas.

E foi precisamente aí que a nossa viagem começou verdadeiramente.

Depois das Grutas de Mogao, seguimos para Monte Mingsha — um daqueles lugares onde a História dá lugar à experiência, quase sem aviso.

O cenário muda de forma abrupta. Desaparecem as paredes carregadas de séculos e surge um horizonte aberto, dominado por dunas que parecem não ter fim. Areia em todas as direções, desenhada pelo vento com uma precisão quase artística. Ao longe, pequenas caravanas de camelos avançam lentamente, recriando, ainda que de forma simbólica, a imagem clássica da Rota da Seda.

Dizem que a areia “canta” — e, ao subir as dunas, percebe-se porquê. Há um som subtil, quase impercetível, provocado pelo movimento dos grãos, como se o próprio deserto tivesse uma voz própria. Não é um espetáculo evidente, mas é suficiente para nos lembrar que estamos num lugar fora do comum.

Subimos às dunas, passo a passo, com aquela sensação constante de esforço — até ao topo, onde o silêncio é absoluto e a vista se estende até onde a luz permite.

A descida, feita em pranchas pela encosta de areia, fez as delícias dos mais pequenos, trazendo um momento de leveza a um cenário marcado pela imponência do deserto.

Pelo meio, houve ainda tempo para percorrer parte do deserto a camelo — um ritmo lento, quase hipnótico, que contrasta com a pressa constante a que estamos habituados. Não é difícil imaginar como seriam estas travessias há centenas de anos: dias inteiros de viagem, expostos ao calor, ao vento e à incerteza, dependendo de rotas que hoje seguimos quase por curiosidade.

É precisamente aqui que a dimensão da Rota da Seda ganha outra escala. Deixa de ser um conceito histórico e passa a ser uma experiência física. O calor, o isolamento, a monotonia da paisagem — tudo contribui para perceber o que significava, na prática, atravessar estes territórios. E mesmo assim, durante séculos, milhares fizeram esse caminho.

Depois de um primeiro dia intenso, que terminou entre o deserto e o silêncio de Dunhuang, regressámos ao hotel para algumas horas de descanso — curtas, mas suficientes para recuperar forças para o que ainda estava por vir. O segundo dia levou-nos ainda mais para oeste, em direção ao Yumen Pass — um dos pontos mais icónicos, e ao mesmo tempo mais desolados, de toda a Rota da Seda.

Conhecido como a “Porta de Jade”, o Yumen Pass marcou, durante séculos, o verdadeiro limite do mundo chinês. Construído durante a Dinastia Han, este posto avançado não era apenas uma estrutura militar — era um ponto de controlo estratégico, onde se regulava a entrada e saída de pessoas, mercadorias e informação.

Era por aqui que passava o jade proveniente da Ásia Central — uma das pedras mais valorizadas pela cultura chinesa — e daí o nome que atravessou os séculos. Mas mais do que um entreposto comercial, o Yumen Pass simbolizava uma fronteira clara: para lá dele, começava o desconhecido.

Hoje, o que resta são ruínas expostas ao vento e ao silêncio do deserto. Estruturas simples, quase cruas, que contrastam com a importância histórica que tiveram. E talvez seja precisamente essa simplicidade que mais impressiona. Não há monumentalidade evidente, nem reconstruções exuberantes — apenas vestígios de um tempo em que este ponto decidia quem entrava no império… e quem se aventurava a sair dele.

A paisagem envolvente reforça essa sensação. Vasta, árida, aparentemente infinita. É fácil perceber porque é que este era um ponto crítico: quem controlava esta passagem controlava uma das principais ligações entre a China e o resto do mundo conhecido.

Ali, perante o que resta do Yumen Pass, a Rota da Seda deixa de ser uma ideia distante e ganha contornos muito concretos. Não era apenas comércio ou diplomacia — era risco. Era travessia. Era decisão.

E, muitas vezes, era também o ponto sem retorno.

Antes de chegarmos ao Yadan National Geo Park, fizemos uma paragem nas ruínas da Grande Muralha da Dinastia Han.

À primeira vista, pouco resta. Fragmentos de terra compactada, estruturas quase apagadas pelo tempo, difíceis de distinguir da própria paisagem. Não há torres imponentes nem muralhas contínuas como aquelas que associamos à imagem clássica da Grande Muralha. Mas é precisamente aí que reside a sua força.

Estas construções remontam a mais de dois mil anos, erguidas durante a Dinastia Han, numa altura em que proteger as rotas comerciais era vital para a sobrevivência do império. Ao contrário das secções mais conhecidas, construídas em pedra, aqui utilizava-se terra batida e materiais locais — soluções práticas para um território hostil, onde tudo era escasso, menos o vento e o isolamento.

Estas ruínas não impressionam pela grandiosidade. Impressionam pelo contexto. Porque nos obrigam a imaginar o que significava, há mais de dois mil anos, construir e manter uma linha de defesa neste ambiente — exposto ao deserto, longe de tudo, numa época em que cada deslocação era, por si só, uma expedição.

E foi com essa imagem ainda presente que seguimos para o Yadan.

Se o Yumen Pass já dava uma ideia de fronteira, o Yadan National Geo Park leva essa sensação a um outro nível. A paisagem é quase irreal. Formações rochosas esculpidas pelo vento ao longo de milhares de anos, criando estruturas que parecem cidades abandonadas, castelos em ruína ou silhuetas fantasmagóricas perdidas no meio do nada. Um cenário que facilmente se confunde com algo vindo de outro planeta — e não é por acaso que muitos lhe chamam “paisagem marciana”.

Foi aqui que tivemos a oportunidade de conduzir buggies pelo deserto, atravessando este labirinto natural de formações geológicas. A experiência, mais do que divertida, foi reveladora.

Porque é precisamente neste tipo de terreno que se percebe, de forma quase física, a dimensão da Rota da Seda.

A vastidão, o isolamento, a repetição da paisagem, a ausência de referências — tudo contribui para uma sensação clara: atravessar estes territórios não era uma viagem. Era uma prova de resistência.

Quem aqui passava, há séculos, não tinha mapas digitais, nem veículos motorizados, nem qualquer garantia de chegar ao destino. Tinha apenas orientação, instinto… e uma margem de erro praticamente inexistente.

No meio daquele silêncio absoluto e daquela escala esmagadora, fica uma certeza difícil de ignorar: Quem fazia esta rota — e sobrevivia — não era apenas comerciante ou viajante.

Era, antes de mais, resistente.

O terceiro dia começou cedo. Ainda em Dunhuang, embarcámos no comboio com destino a Jiayuguan — uma viagem de pouco mais de duas horas que, por si só, já diz muito sobre a China de hoje.

Se há algo que impressiona neste país, para além da sua dimensão, é a forma como a tecnologia encurta distâncias que, noutras geografias, seriam quase impeditivas. Estações modernas, infraestruturas altamente eficientes e uma rede ferroviária de alta velocidade que liga regiões remotas com uma precisão quase cirúrgica. Viajar milhares de quilómetros torna-se um processo simples, confortável e surpreendentemente rápido.

Há aqui uma certa ironia inevitável.

Num território onde, durante séculos, atravessar estas mesmas distâncias significava semanas — meses ou anos — de viagem, enfrentando desertos, saqueadores e condições extremas, hoje percorrem-se centenas de quilómetros em poucas horas, sentado confortavelmente num comboio que parece deslizar sobre o terreno.

Mas essa sensação de modernidade tem vida curta.

Mal chegámos a Jiayuguan, voltámos a atravessar séculos de história — quase sem transição.

A primeira paragem foi no Jiayuguan Pass, conhecido como o “Greatest Pass of the Great Wall”. Este era, na prática, o último grande bastião da Grande Muralha da China no extremo ocidental do império.

Mais do que uma fortaleza, tratava-se de um sistema militar complexo, cuidadosamente planeado para defesa, controlo e vigilância. Torres, muralhas, pátios interiores — tudo organizado com uma lógica funcional impressionante para a época. Era aqui que se controlava a entrada e saída de pessoas e mercadorias, num ponto crítico onde a China terminava… e começava o desconhecido.

Ao contrário das ruínas dispersas que tínhamos encontrado anteriormente, aqui a estrutura impõe-se. Há uma sensação clara de organização, de poder e de controlo. Não é difícil imaginar a importância estratégica deste ponto, numa altura em que qualquer falha podia significar a vulnerabilidade de todo um território.

Seguimos depois para a Overhanging Great Wall, uma extensão da muralha construída para acompanhar o relevo acidentado das colinas, quase como se estivesse suspensa sobre a paisagem.

Aqui, a escala muda. Menos monumental, mais exposta, mais física. Subir esta secção permite perceber de forma muito concreta o esforço necessário para construir — e defender — estas linhas num território tão agreste. Cada inclinação, cada curva, cada adaptação ao terreno revela uma engenharia pensada não para impressionar… mas para resistir.

O dia seguinte levou-nos até Zhangye Danxia Park — um dos cenários naturais mais surpreendentes de toda a viagem.

À chegada, a primeira sensação é de estranheza. Não é uma paisagem que se reconheça de imediato. As montanhas surgem em tons improváveis — vermelhos, laranjas, amarelos e ocres (tons entre amarelo-escuro e castanho) — como se tivessem sido pintadas à mão, camada sobre camada, ao longo de milhões de anos. E, de certa forma, foram.

Estas formações geológicas resultam de processos sedimentares e erosivos que remontam a dezenas de milhões de anos, onde diferentes minerais deram origem às cores que hoje definem a paisagem. Mas mais do que a explicação científica, é o impacto visual que fica.

Há uma sensação quase irreal no local. Como se estivéssemos perante um cenário construído — demasiado perfeito, demasiado distinto — para ser natural. E, no entanto, é precisamente essa autenticidade que impressiona.

Zhangye foi também, em tempos, um ponto relevante na Rota da Seda. Não tanto pelo dramatismo das travessias do deserto, mas como zona de passagem e reorganização das caravanas, num território onde a paisagem começava, finalmente, a dar algum sinal de diversidade depois de quilómetros de monotonia árida.

Se o deserto nos mostrou a dureza da rota, Zhangye mostra-nos que, mesmo nos caminhos mais exigentes, havia momentos de respiro.

Seguimos depois para o Pingshan Lake Grand Canyon — e, mais uma vez, o cenário muda de forma radical.

Se Zhangye é cor, o Pingshan Lake é profundidade.

O terreno abre-se em ravinas e formações rochosas que lembram, em escala reduzida, os grandes cânions do mundo. Caminhar por ali é descer para dentro da paisagem, percorrendo trilhos estreitos entre paredes de rocha esculpidas pelo tempo e pelos elementos.

Há uma sensação constante de isolamento. Menos vasto do que o deserto, mas mais fechado, mais físico, quase claustrofóbico em alguns pontos. Um contraste interessante com tudo o que tínhamos visto até então.

E, mais uma vez, surge a mesma reflexão que nos acompanhou ao longo de toda a viagem:

A Rota da Seda não era apenas um caminho entre dois pontos.

Era uma sucessão constante de desafios — de terrenos, de climas, de obstáculos — que obrigavam quem a percorria a adaptar-se, resistir… e continuar.

O dia seguinte trouxe-nos de volta a um registo diferente — menos dominado pela paisagem e mais centrado na presença humana, na espiritualidade e na vida que, ao longo dos séculos, foi crescendo ao longo da Rota da Seda.

A primeira paragem foi no Templo de Matisi, um conjunto impressionante de templos escavados na encosta de uma montanha.

À distância, o que se vê são estruturas aparentemente suspensas na rocha, ligadas por escadas e passagens estreitas que serpenteiam pela encosta. Mas ao aproximarmo-nos, percebe-se que este não é apenas um feito arquitetónico — é, acima de tudo, um espaço de devoção.

Com origens que remontam a mais de 1.500 anos, o complexo foi influenciado por diferentes correntes do budismo e serviu como local de retiro espiritual para monges que procuravam isolamento e proximidade com o sagrado. Tal como em Dunhuang, também aqui se sente a influência da Rota da Seda, não apenas como via de comércio, mas como canal de transmissão religiosa e cultural.

Subir pelas estruturas de madeira encaixadas na rocha é uma experiência tão física quanto simbólica. Cada passo exige atenção, cada passagem estreita obriga a abrandar — quase como se o próprio espaço impusesse um ritmo mais contemplativo.

Seguimos depois para o Grande Buda de Zhangye, uma das maiores estátuas de Buda reclinado da China.

Aqui, a escala volta a impressionar, mas de forma diferente. Não pela imponência exterior, mas pela serenidade que transmite. A figura representa o momento final da vida de Buda, antes de alcançar o nirvana — um símbolo de transição, de fim, mas também de continuidade.

No contexto da Rota da Seda, locais como este ganham um significado ainda mais profundo. Foram pontos de paragem para viajantes, centros de difusão religiosa e espaços onde diferentes culturas encontravam uma linguagem comum através da espiritualidade.

O dia terminou com uma passagem pela Drum Tower de Zhangye, no coração da cidade.

Ao contrário dos cenários isolados dos dias anteriores, aqui regressámos ao ambiente urbano. A torre, tradicionalmente utilizada para marcar o tempo e anunciar acontecimentos importantes, recorda uma China mais organizada, mais estruturada, onde a vida quotidiana seguia ritmos bem definidos.

É um contraste interessante: depois de desertos, muralhas e templos isolados, voltamos ao centro da cidade — onde a história continua presente, mas integrada no dia-a-dia.

O último dia trouxe-nos de volta a Lanzhou — o ponto de partida e de chegada desta viagem.

Depois de dias marcados por desertos, muralhas, templos e paisagens quase irreais, Lanzhou surge como um regresso à normalidade. Uma cidade moderna, atravessada pelo Rio Amarelo, onde o ritmo urbano volta a impor-se e onde a vida segue o seu curso sem a carga simbólica dos locais que tínhamos vindo a explorar.

Passámos pela Zhongshan Bridge, uma das mais antigas pontes metálicas da China, e pelo Waterwheel Park, onde antigas rodas de água recordam a importância histórica do rio na irrigação e no desenvolvimento da região. São locais que, à primeira vista, podem parecer apenas pontos turísticos urbanos — mas que, no contexto desta viagem, ajudam a fechar o círculo.

Porque, no fundo, foi aqui que tudo começou.

Mas já não éramos os mesmos.

Ao longo destes dias, percorremos milhares de quilómetros por um território que, durante séculos, foi uma das principais ligações entre mundos. Vimos de perto o que resta de uma rota que não era apenas comercial, mas profundamente humana — feita de encontros, de trocas, de risco e de sobrevivência.

A Rota da Seda não era um caminho confortável. Não era rápida. Não era segura.

Era, acima de tudo, necessária.

E talvez seja essa a maior lição que fica desta viagem.

Num tempo em que tudo é imediato, em que as distâncias se encurtam e a informação circula à velocidade de um clique, é fácil esquecer o que significava, há não muito tempo, atravessar o mundo.

Hoje, percorremos milhares de quilómetros em poucas horas, entre aeroportos modernos e comboios de alta velocidade. Mas houve uma época em que essa mesma distância era medida em meses — e em coragem.

Percorrer Gansu é, no fundo, isso mesmo: confrontarmo-nos com a escala do tempo, com a dureza da geografia e com a capacidade humana de ultrapassar limites.

E perceber que, muito antes de falarmos em globalização, já o mundo estava ligado.

Não por tecnologia.

Mas por necessidade.

São Romão inaugura a 1 de maio o Espaço Mais+

A Vila de São Romão prepara-se para abrir as portas de um projeto inovador focado na coesão comunitária. No próximo dia 1 de maio, pelas 16h30, o Mercado de São Romão será o palco da inauguração oficial do Espaço Mais+.

Mais do que um novo local físico, este será um verdadeiro ponto de encontro entre gerações, um espaço pensado para a partilha de conhecimento, de experiências e de saberes.

O Espaço + nasce com o propósito de aproximar pessoas, valorizar o que cada um tem para dar e criar oportunidades para aprender e crescer em conjunto. Aqui, os mais novos encontrarão espaço para explorar e descobrir, enquanto os mais velhos poderão transmitir vivências, histórias e ensinamentos que fazem parte da nossa identidade coletiva.

Será um lugar aberto, inclusivo e dinâmico, onde se cruzam diferentes gerações, promovendo o diálogo, a aprendizagem e o reforço dos laços comunitários.

A Junta de Freguesia convida toda a população a marcar presença nesta cerimónia, assinalando o início de um novo capítulo na vida social de São Romão.

Caminhada do Dia da Mãe em Santa Eulália

A União Recreativa de Santa Eulália (U.R.S.E.), em parceria com os Mordomos da Festa do Santíssimo Sacramento 2026, vai promover uma caminhada especial para celebrar o Dia da Mãe. O evento terá lugar no próximo domingo, dia 3 de maio de 2026.

Sob o lema “Passos que nos unem, amor que nos guia!”, a iniciativa pretende reunir famílias para uma manhã de atividade física ao ar livre e convívio comunitário.

O ponto de encontro está marcado para as 8h30, com a concentração dos participantes. Após a caminhada, o programa culmina num almoço festivo servido às 13h00, onde o prato principal será a tradicional Feijoada com Arroz.

A organização preparou ainda uma “Surpresa para as Mães” que participarem no evento.

Este evento conta com o apoio da U.R.S.E., reforçando o espírito de união e a dinamização cultural da freguesia de Santa Eulália.

[C]ontagia-te — Semana Académica de Seia 2026 já tem cartaz oficial

Destaque para os cabeças de cartaz Deejay Rifox e Kiss Kiss Bang Bang, aos quais se juntam artistas como Victor Pirez, DJ Karyoka (DJ residente), DJ Duarte, DJ Milheiro, DJ Edgar Marquez, DJ Sargaço, Tomás Dias e o projeto Candy Shop, entre outros.

A Associação de Estudantes da ESTH/IPG apresenta oficialmente o [C]ontagia-te — Semana Académica de Seia 2026, um evento que promete afirmar-se como o maior acontecimento académico do concelho e da região.

Após o sucesso da edição anterior, marcada pela forte adesão e envolvimento da comunidade académica e local, a organização eleva agora a fasquia com um programa mais ambicioso, diversificado e pensado para todos.

O evento decorrerá entre os dias 12 e 17 de maio, com uma programação distribuída por vários espaços emblemáticos da cidade de Seia, nomeadamente os bares Loco Drink&Talk e Senalonga, culminando nos dias 15 e 16 de maio no Pavilhão Gimnodesportivo do Parque Municipal de Seia, onde terão lugar os principais espetáculos.

O cartaz artístico reúne um conjunto de nomes reconhecidos e emergentes do panorama musical, com destaque para os cabeças de cartaz Deejay Rifox e Kiss Kiss Bang Bang, aos quais se juntam artistas como Victor Pirez, DJ Karyoka (DJ residente), DJ Duarte, DJ Milheiro, DJ Edgar Marquez, DJ Sargaço, Tomás Dias e o projeto Candy Shop, entre outros.

A diversidade musical e a energia dos artistas prometem noites intensas, marcadas pela forte interação com o público e por uma experiência imersiva que vai além da música, reforçando o espírito académico e a ligação à cidade.

No que diz respeito ao acesso, a organização informa que a pré-venda para os dias principais (15 e 16 de maio) já se encontra disponível, com o valor de 6,00€, sendo o preço à porta de 8,00€. A pré-venda é limitada, estando sujeita à lotação do recinto. Os bilhetes podem ser adquiridos nos pontos de venda físicos — Loco Drink&Talk, Senalonga, AE-Seia e AE-ESTH — ou através de reserva online, mediante contacto com a Associação de Estudantes da ESTH.

Com esta iniciativa, a Associação de Estudantes reforça o seu compromisso com a dinamização cultural e académica, promovendo não só momentos de convívio e celebração entre estudantes, mas também contribuindo para a afirmação de Seia enquanto destino de eventos jovens e de grande dimensão.

O [C]ontagia-te 2026 pretende, assim, consolidar-se como uma marca de referência, assente na energia, participação e envolvimento de toda a comunidade.

Mais informações serão divulgadas brevemente através dos canais oficiais da organização.